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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

elos mais fracos

17.07.11

 

 

Já escrevi noutro dia: a propalada Educação como primeira prioridade não passa de má propaganda política. Quando se tem de cortar na despesa, os elos mais fracos são sempre o sistema escolar e os seus profissionais com menos voz. Dá ideia que a descentralização em território português criou uma série de pequenos domínios que se sentem acima de qualquer outro poder; mesmo do divino.

 

Cortes de câmaras ameaçam deixar escolas sem auxiliares

tira-teimas (o enésimo)

17.07.11

 

 

Dia 27 de Julho o parlamento votará a suspensão do desmiolado modelo de avaliação de professores. É mais um capítulo da saga. Veremos como se comportam os diversos grupos parlamentares. Já se sabe que o PCP e o bloco votam a favor da suspensão. O PSD e o CDS têm a obrigação de fazer o mesmo. Não há um qualquer se que lhes sirva de desculpa para não votarem a favor. Do PS nada se sabe. A propósito: o partido da rosa ainda tem chefe? Seria interessante saber o que pensam sobre a suspensão do modelo os candidatos em campanha.

professora até ontem

17.07.11

 

 

"Professora até ontem" é o título de uma carta que recebi por email.

 

O meu nome é Sónia Mano, até ontem era professora de Matemática na escola E.B. 2,3 de S. Torcato, em Guimarães (onde me encontrava a trabalhar com contrato a termo incerto). Hoje de manhã, por volta das 9h, recebi um telefonema da Secretaria da referida escola a informar-me de que o meu contrato de trabalho cessara no dia anterior.

Até aqui, poderá pensar-se... é uma coisa natural, mais uma professora dispensada do serviço após mais de seis meses de trabalho árduo com alunos oriundos de meios socioeconómicos muito desfavorecidos: Até eu estava já preparada para a eventualidade de receber a notícia nestes moldes. Mas e o que é feito do prazo legal de três dias para avisar um empregado de que o seu contrato vai terminar? Eu sou apenas mais uma das vítimas do Estado e da actual conjuntura que o país atravessa.

Mas o porquê do meu e-mail vai muito para além das queixas para com o sistema. É mais um grito, uma tentativa de que dêem algum tipo de atenção a certas situações que estão a acontecer neste país. Como eu, fo- mos várias as pessoas dispensadas hoje de manhã, ou melhor, informadas hoje de manhã de que o nosso contrato terminara no dia anterior. Não será isto mais uma vergonha do nosso país? Não há qualquer respeito pelos profissionais, nem pelo seu trabalho e esforço.

Mais acrescento, neste meu desabafo, que iniciei, a meio da semana passada, a correcção de EXAMES NACIONAIS do 9.º Ano! Este trabalho, não está concluído! Termina apenas amanhã, dia 8 de Julho. Entretanto, já amanhã, tenho uma reunião para aferição de critérios de avaliação, reu- nião essa de carácter obrigatório. E agora eu pergunto: O MEU CONTRATO DE TRABALHO E A MINHA LIGAÇÃO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO TERMINOU ONTEM. Como vão os alunos ter avaliação no referido exame? Quem vai suportar as despesas de deslocação de Vila Verde (minha residência oficial) até Guimarães?!

Hoje a minha vontade é não entregar os Exames, mas mais forte do que essa vontade é a necessidade de nunca prejudicar os alunos por causa de mais um erro do nosso sistema de ensino. Amanhã, eu irei suportar despesas de deslocação e voltarei a fazê-lo na sexta para entrega dos Exames. Durante esses dois dias, vou fazer uma aplicação criteriosa dos critérios de classificação. Mas precisava de fazer este desabafo: parem de chamar incompetentes aos professores portugueses, aqueles que lutam todos os dias por melhores condições numa escola cada vez mais pobre em valores, tais como a entre-ajuda e a solidariedade. Ajudem-nos a ajudar os vossos/nossos filhos a crescerem como cidadãos e, por favor, na luta pelos meus direitos enquanto trabalhadora/professora/EDUCADORA. Ajudem- -me a divulgar este caso que é apenas mais uma das vergonhas em que o nosso Estado está envolvido!

Tenho provas e documentos oficiais que comprovam cada uma das afirmações que estou a divulgar. Não sei mais onde me dirigir: é preciso que os portugueses saibam o que se está a passar numa escola pública de Portugal.

 

 

Sónia Mano

desregulação

17.07.11

 

 

As empresas de raiting estão bem no centro do furacão financeiro que assolou o mundo ocidental. Receiam-se os resultados do capitalismo em roda livre. A ganância e a corrupção não podiam ter ficado de mãos tão livres. A democracia não é isso. A desregulação do mercado de capitais é tão totalitária como os regimes dos denominados extremos ideológicos.

 

Nobel diz que agências de rating podem precipitar nova crise

 

Stiglitz fez as afirmações em Luanda(...) Para o Prémio Nobel, as agências de rating têm dois problemas, o do modelo de negócio e o da capacidade técnica dos seus analistas. Sobre o modelo de negócio, considerou-o “ultrapassado”, porque as agências “são pagas pelas pessoas a quem atribuem as classificações no sector privado”. Desta forma, acrescentou, “sentem-se obrigadas a dar melhores classificações às empresas de produtos bancários, por exemplo”. (...) Stiglitz afirmou que “normalmente as suas avaliações não têm qualquer fundamento científico”.

Acrescentou ainda que “as agências de ratings têm um historial muito negativo em termos de notações, que têm sido fonte de instabilidade. Por exemplo, deram boas classificações às empresas de hipotecas [nos Estados Unidos], o que desempenhou um papel preponderante na crise financeira”.