Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

pela enésima vez

12.07.11

 

 

O penoso arrastamento deste modelo de avaliação de professores é intolerável. Já ninguém duvida do fim do desmiolo e o que faz com que o monstro ainda se movimente é a falta de respeito pela profissionalidade dos professores; em muitos casos perpetrada pelos próprios.

 

Esta semana entraram mais duas propostas de decreto-lei, uma do PCP e outra do Bloco, no parlamento e aguarda-se o agendamento.

 

Há dias escrevi assim:

 

"(...)Mas há uma questão urgente em relação ao que existe. Se é injusto, se dilacera as relações profissionais e se é um monstro burocrático, não pode ter efeitos em concursos nem nas futuras progressões na carreira. Isso tem de ser dito imediatamente. É pouco avisado insinuar-se que os professores estão com pressa. Andam há mais de três anos mergulhados nessa turbulência. Não deve passar pela cabeça de uma pessoa sensata querer levar o desmiolo até ao fim (atribuir pontuações e quotas, por exemplo) sabendo-se da injustiça que os procedimentos acarretam."

auto-estima (2)

12.07.11

 

(Este texto não é inédito. Foi reescrito.

O original foi publicado neste blogue

em 27 de Maio de 2004)

 

 

Dividi a auto-estima em duas partes e espero que se perceba o porquê. A primeira pode ser lida aqui.

 

O desânimo português começou antes de 2002. Conhecem a ideia que diz que a educação de uma criança começa 20 anos antes dela nascer? Aqui o problema é parecido.

 

Começou em 2000, na temida mudança de milénio. Como o governo dessa época não teve maioria no parlamento, o processo de desânimo teve contornos inauditos; demitiu-se o primeiro-ministro. Entraram governantes inquietados com o poder inesperado. Escolheram culpar os antecessores. Qualquer Hannah Arendt, Chantal Mouffe ou Nicolau Maquiavel, lhes explicaria que essa técnica deve ser usada na dose certa.

 

Não satisfeitos, passaram as culpas para os portugueses. Concretizaram a lei que considerou que não podiam existir mais do que 5% de muito bons e 25% de bons. O resto seria para excluir. Só uma gestão desesperada pode ter uma ideia que só se aplica no primeiro ano e em 5% dos casos. Talvez só se aplique mesmo num governo que tenha uma ideia dessas. E é assim. Sabemos que as políticas inclusivas dão mais trabalho e demoram mais tempo. Sabemos que negociar pontos de vista cansa que se farta. Quem escolhe caminhos de baixo nível não pode queixar-se da auto-estima dos excluídos. Os sábios só não estão de tanga porque os outros vivem para além disso.