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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

tempos sem norte

31.07.11

 

 

 

 

Dá ideia que a encruzilhada ocidental está sem receita. Estamos estonteados e apenas os gananciosos conhecem o caminho que lhes é habitual.

 

A crise da escola é antiga. Está num auge e adequada aos tempos. A contradição mais evidente é uma espécie de bússola desmagnetizada. Por um lado, pedem-se mais políticas de mérito para todos (alunos professores e funcionários) e por outro advoga-se a necessidade de inclusão. A organização é avaliada, simultaneamente, por indicadores de inclusão e de exclusão. Uma charada sem solução.

 

Para incluir alunos, a escola tem de ter um clima organizacional correspondente e uma atmosfera relacional que estimule a cooperação e a mobilização (dois nomes proscritos).

 

A síntese destes opostos revela uma face da encruzilhada ocidental e mereceria uma aturada atenção dos mentores do nefasto SIADAP e dos sistemas semelhantes. É imperdoável não aprender com a história; mais ainda, quando o desconhecimento se relaciona com o que acabámos de viver e nos levou ao desespero em que estamos. Excluir garante um aura mais austera e popular nos tempos que correm, mas revelar-se-á muito mais dispendiosa e perdedora no médio prazo.

passe pela secretaria

30.07.11

 

 

Tem perto de 50 anos de idade e mais de vinte a leccionar na mesma escola secundária. É, reconhecidamente, um bom profissional. Disseram-lhe para passar pelos serviços administrativos. O professor ficou sem serviço e tem de concorrer até amanhã, era a notícia que um dos assistentes administrativos tinha para lhe dar.

 

Já são imensas as situações semelhantes. O mundo está gelado e virado do avesso.

 

Há professores sem horário porque as turmas que deveriam leccionar estão matriculadas em escolas cooperativas, localizadas nos mesmos concelhos ou cidades, para onde não podem concorrer. Os professores dessas escolas são pagos pelo estado, mas a sua colocação não obedece a critérios escrutináveis pelo público. Os docentes com horário zero nas escolas públicas ficam numa situação de tremenda angústia e injustiça.

 

É evidente que esta dor não é sentida por muitos, pelo menos até ao dia em que a sua vez, ou de um familiar mais próximo, entre na ordem do dia.

relações humanas

30.07.11

 

(Já usei este aforismo noutros posts)

 

 

“(...) as relações humanas poderiam ser muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra “

 

O aforismo 303 do filósofo Wittgenstein que pode encontrar aqui.

hoje, às 15h00

29.07.11

 

 

O governo e os sindicatos começam hoje a negociar o novo modelo de avaliação de professores e afirmam ter como ponto de partida o modelo das escolas privadas e cooperativas que é bandeira do CDS. A nossa situação de nivelamento por baixo não permite grandes rasgos, realmente. Os últimos acontecimentos no parlamento sobre o assunto, associados aos sinais destas privatizações, ao tratamento da segurança social e por aí fora, revelam um país a saque.

 

Evidenciam-se algumas situações embaraçosas. Há artigos do estatuto da carreira que têm de ser revogados e os princípios do SIADAP não se aplicam no regime em vigência nas escolas cooperativas.

Quotas podem perturbar negociação do novo modelo de avaliação docente

invisíveis

28.07.11

 

 

 

 

Há já uma legião de professores invisíveis. Bem sei que os tempos estão difíceis para vários grupos sociais e profissionais, mas não fico indiferente aos casos que conheço melhor. Há muitos professores com horário zero e com a angústia a preencher-lhes as emoções. Para além dos tradicionais jovens contratados, situação que não é nova, temos pessoas na faixa dos 35 aos 50 anos de idade sem esperança no futuro.

 

O que é mais grave é que podia não ser assim. A situação agravou-se pelo somatório da repetida incompetência na organização da actividade profissional dos professores por parte do ME, das DRE´s e de muitas escolas, mas também pelo despautério que se verificou na gestão da rede escolar e nos atropelos que os últimos seis anos introduziram na carreira de professores.

 

Na questão da rede escolar, os olhares atentos evidenciam a criação de escolas cooperativas ilegais - em perímetro urbano com oferta pública - que contratam professores sem concurso, em regime de amiguismo, pagos pelo estado e que originam muitos horários zero com a consequente deslocação para sabe-se lá onde.

 

A epifania dos professores titulares criou injustiças impossíveis de reparar. Há pessoas prejudicadas para sempre.

 

A desespero dos professores invisíveis conhece ainda um tempo desumanizado provocado pela dilaceração das atmosferas relacionais e pela necessidade de cada um se agarrar ao que tem. As solidariedades transformaram-se em extravagâncias vãs. Quem diria que a incompetência que nos governou durante décadas teria estes efeitos e que a tão propalada prestação de contas fosse tão ignorada?

isto está a acontecer?

28.07.11

 

 

Tenho estado pouco tempo na rede. Regressei há pouco e tive curiosidade em saber o que se passou ontem pelo parlamento a propósito da suspensão da avaliação de professores. Já percebi que os diplomas do PCP e do Bloco não tiveram votações favoráveis.

 

Os partidos da direita, o PSD e o CDS, faltaram novamente à palavra e de forma despudorada. Dou razão aos que dizem que a nossa democracia já desceu para lá do fundo; ou do lixo, como agora se diz. 

 

Na viagem noticiosa que fiz à procura de informação, chamou-me à atenção este post do blogger Mário Carneiro que é uma autoridade em avaliação de professores. A minha interrogação foi inevitável: isto está mesmo a acontecer? Pior é quase impossível, realmente.

repetição

27.07.11

 

 

Ao ler este post do Paulo Guinote, lembrei-me das impressões sombrias que escrevi noutro dia: "(...) A actual maioria governou o país de 2002 a 2005, com dois governos. Se olharmos para o primeiro, o que durou mais tempo, lembramo-nos de um mau governo na área da Educaçãp. A equipa que governou esse sector era composta por David Justino e por dois desastrados secretários de estado. Um dos pontos críticos que mais se evidenciou, foi a dificuldade do CDS em nomear quadros para os diversos patamares do ministério da Educação. As suas quotas eram preenchidas por figuras inclassificáveis e se a quantidade nem sempre é parceira da qualidade, nesse caso a flagrância originou uma secretária de estado que se tornou risível; literal. Parece que o chefe desse gabinete será nomeado, desta vez, secretário de estado."

 

Um dos actuais deputados do CDS diz as seguintes enormidades a propósito da votação da suspensão da avaliação de professores no parlamento: 

 

"(...)Na legislatura anterior, PSD e CDS-PP defenderam o fim do modelo de avaliação instituído pelo Governo PS, mas nesta altura “é avisado deixar este ciclo terminar”, disse à Agência Lusa o deputado (...) do CDS-PP. Estamos numa posição diferente do início do segundo semestre. O processo de avaliação está no fim e o Governo já indicou que vai apresentar uma proposta de novo sistema de avaliação em Setembro”, argumentou. (...)referiu que muitos professores “fizeram esforço e tiveram trabalho para ter boas classificações e seria injusto para eles. O deputado indicou ainda que as progressões na carreira estão congeladas até 2013, uma provisão do programa da “troika” internacional, e que até lá se poderão avaliar “os efeitos deste ciclo avaliativo” e estudar um novo modelo.(...)"

do bairro II - senhor brecht

27.07.11

 

 

"Esse animal tinha a anatomia de um burro, na parte da frente, e a anatomia de um cavalo, na parte de trás. Como estavam convencidos de que as duas partes de trás (de cavalo) eram bem mais rápidas que as patas da frente (do burro), cada gémeo queria montar a parte de trás do animal, deixando a parte da frente para o irmão. Cada um deles estava convencido de que, em viagem, chegaria primeiro o que estivesse montado sobre as patas mais rápidas." 


Gonçalo M. Tavares

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