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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e santo onofre? (11) director demitiu-se

29.06.11

 

 

Acabam de me informar que quem ocupava as funções de director no agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou a demissão numa reunião do Conselho Geral. Termina a parte maior do pesadelo que se abateu sobre aquele agrupamento de escolas. O elevado grau de destruição de um ambiente organizacional que um dia foi referência, deve servir para que se perceba que exemplos daquele género nunca mais se devem repetir.

Bem hajam todos os que conseguiram suportar tempos tão difíceis com elevados níveis de dignidade e de profissionalismo.

no meio de nós

29.06.11

 

 

Os nossos ês já não cabem nos dedos de uma mão. Ao eduquês associaram-se o economês, o justicês e por aí fora. É uma praga de linguagem bem pensante e sedutora que inferniza a sociedade.

 

bullshit também se instalou nos nossos comentadores como se vê sempre que o assunto é a avaliação de professores. Mesmo que nada saibam sobre o que acontece nas escolas, debitam uma série de generalidades porque o silêncio foi eliminado das inteligências.

 

Em muitas das nossas escolas acontece mais ou menos o mesmo sobre a avaliação do desempenho. O rol de mesquinhez e de incompetência, ao jeito do legislês, preenche demasiadas cabeças que não podem ficar em roda livre. É triste, mas é assim. O ês minou-lhes o raciocínio e não há simplex que lhes valha. A má burocracia é o seu metabolismo de sobrevivência.

 

Não adianta remeter para a ilusão, para a precipitação ou para o radicalismo. O actual governo, pela voz do primeiro-ministro, prometeu suspender aquela coisa revoltante e kafkiana. Não há argumento que justifique a falta de palavra num assunto tão sério. Basta ler os relatos dos últimos dias. Não compreender a indignação que se instalou nos professores é desconhecer dois significados: de dignidade e de seriedade.

da blogosfera - o estado da educação e do resto

29.06.11

 

Quem quer mesmo saber o que falta fazer neste modelo de avaliação de professores deve ler este post do Mário Carneiro. Não é correcto afirmar que a coisa já está finalizada em muitas escolas. Entre outros aspectos relevantes, importa precisar que "(...)O processo não está no fim: falta meio ano para ser concluído — só em Dezembro se encerra. (Aliás, em muitas escolas, o tempo que falta é superior ao tempo que até agora foi efectivamente dedicado ao processo pseudo-avaliativo). E o que falta para concluir o processo não é pouco importante, pelo contrário: será neste período que se  formalizará a gigantesca mentira, a incomensurável farsa, a que os professores têm estado sujeitos. Na realidade, do ponto de vista formal, o pior ainda está para vir.(...)"

 

Dois pontos de vista sobre a não revogação

fazer bem

29.06.11

 

 

Tenho ideia que fazer bem exige projecto, trabalho e tempo. São raríssimos os exemplos de geração espontânea. Uma das causas do nosso atraso é que quase que só somos bons a apagar, e a atear, fogos.

dos tácticos

29.06.11

 

 

(A intemporalidade das reedições)
 

Embora aprecie o humor, as anedotas desconcertam-me. Não sou dado a isso e nem sei explicar a razão. Devo confessar que, quando me contavam anedotas, até sorria: não que percebesse a história, é que desligo quase de imediato e de modo compulsivo, mas porque sim; cortesia. Os meus amigos não me levam a mal e já deixaram de me contar a célebre "narração sucinta de um facto jocoso". Não estão para sorrisos amarelos e fazem bem.

Mas tenho sempre duas ou três anedotas para os raros apertos sociais. O portefólio, que raio de palavrão, vai mudando com a idade.

E vou escrever uma.

 

É sobre uma regata, com barcos de 12 tripulantes, entre Portugal e o Japão. A regata disputou-se em duas mãos: 20 Kms de cada vez.

 

Na primeira mão, a embarcação portuguesa chegou com 2 horas de atraso. Reuniu-se o comité de dirigentes da delegação lusa, ordenou a constituição de uma comissão para o estudo do insucesso e a conclusão foi esta: o problema estava na constituição das equipas: a japonesa tinha 1 timoneiro e 11 remadores (1-11) e a portuguesa organizava-se com 1 timoneiro, 2 vice-timoneiros, 3 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-2-3-5-1). Perante os factos, o comité de dirigentes, e após acesa e demorada discussão, tomou a decisão: a organização da equipa portuguesa passou a ter a seguinte composição: 1 timoneiro, 1 vice-timoneiro, 4 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-1-4-5-1).

Resultado da segunda mão: a equipa portuguesa chegou com 4 horas de atraso. Estupefactos, os membros do comité dirigente voltam a repetir todo o processo investigativo, acrescentando-lhe mais uma comissão. Após meses de análise aturada, conheceu-se a causa do desastre desportivo: a culpa era do remador.

 

E vem tudo isto a propósito do novo modelo de gestão desenhado para as escolas portuguesas.

 

Actualmente as escolas podem escolher entre dois modelos de órgão de gestão: ou com 1 presidente, 2 vice-presidentes e 2 assessores (1-2-2) ou com 1 director, 2 adjuntos e 2 assessores (1-2-2). A esmagadora maioria das escolas escolheu o primeiro.

O governo reformista do presente, e pela pena da diabólica equipa que governa o ministério da Educação, vem, depois de muito estudo e após a consulta a organismos com prestígio internacional na teoria "a táctica do treinador de bancada", decretar um inédito modelo, escolhendo também uma nomenclatura mais agressiva (e mais bem pagos por causa dos votozinhos e da-crise-financeira-que-se-lixe-que-alguém-depois-paga): 1 director, 1 sub-director, 3 adjuntos e 3 assessores (1-1-3-3). Eureka. Agora é que vai ser.

Esperemos pelos culpados. Aliás, e neste caso, esses, os culpados, claro, já os conhecemos há uns tempos. São mais de 100 mil chatos.

(Reedição. 1ª edição em 8 de Abril de 2008)

sem assobios laterais

29.06.11

 

 

Há coisas tão óbvias que até já cansa a argumentação. Pelo menos desde finais da década de oitenta do século XX que os sucessivos governos desprezaram a formação inicial e contínua dos professores e temos de incluir aí os denominados estágios profissionais. A chuva de fundos estruturais criou uma ganância tal que não deve existir instituição ligada ao assunto que se possa apresentar de cabeça levantada.

 

Somos sempre capazes de dar mais um passo em frente na desgraça. A organização não é um valor precioso na sociedade portuguesa e o facto deverá ter uma qualquer explicação. São vários os que dizem que quem dirige leva a fatia maior da responsabilidade e que os dirigidos pecam um bocadito por causa dos mal-dizentes compulsivos.

 

Neste momento assiste-se a mais uma decisão cuja operacionalização poderá ter resultados desastrosos. O novo governo não está para arrumar a formação inicial de professores, sabe-se lá o porquê, mas está determinado em impôr uma prova comum de acesso à carreira. A última vez, há quase 20 anos, salvo erro, que alguém teve uma ideia do género no acesso ao ensino superior criou um processo desmiolado que terminou pouco tempo depois do início.