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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e ainda mais impressões sombrias

28.06.11

 

 

 

 

O nosso regime é semi-presidencial. O presidente da República não governa, mas influencia as políticas. A trágica cooperação estratégica foi elucidativa e a agenda da Educação sentiu-a. Nos momentos mais críticos aconteceu o que se sabe e as dúvidas de constitucionalidade da avaliação de professores atingiram um nirvana. O que acabei de escrever pode ajudar a perceber o programa de continuidade do PSD e a troca da suspensão pela reforma na avaliação de professores. A tragédia e a estratosfera têm pontos de contacto que se explicam de modo simples: convenceram-se, mesmo que a realidade teime em demonstrar o contrário, que vão a caminho do fim da história e que há um grupo de professores que são teimosos e radicais.

francamente, muito francamente

28.06.11

 

 

Não me candidatei a qualquer menção de excelente e nem sequer exerço qualquer cargo neste modelo de avaliação de professores. Faço o melhor que sou capaz como professor e observo o sistema escolar com muita atenção e há muitos anos. Tenho orgulho em ser professor em Portugal. Escrevo-o de forma desprendida e com franqueza: os professores portugueses não merecem uma falta de palavra em relação ao modelo desmiolado de avaliação.

culpa de quem?

28.06.11

 

 

Escrevi-o na última noite eleitoral: "(...) a esquerda deve aprender a lição. A falta de autenticidade paga-se cara. Pela minha parte, olho para os resultados eleitorais e vejo o "esmagamento" do meu voto. É a democracia. Amanhã é outro dia e continuo em defesa da cidadania e da liberdade."

 

Disse que não votaria à direita e que jamais o fiz, mas confesso que não esperava a falta de palavra do Governo em relação à revogação imediata deste modelo de avaliação de professores. Se não é disso que se trata, é urgente que se expliquem de forma clara. Foi sublinhado, e mais do que uma vez, pelo actual primeiro-ministro. Era um sinal fundamental. Comecei a sentir más impressões com a composição do governo. O país, e não só pelo estado em que se encontra, merecia mais.

 

Quem lê este blogue sabe o que penso sobre as ideias políticas de quem nos está a governar. Não me admira a continuidade em relação ao que existiu e apenas anotei a promessa da alteração de estilo. O que me admirou, foi a adesão do PS à agenda em curso e à cooperação estratégica que nos empurrou para a bancarrota. Há quem fale do imperativo de uma refundação. Não sei se se vai por esse caminho. O que tenho quase a certeza é que o sistema escolar não suporta novas ondas de crispação.

ridículo

28.06.11

 

 

O novo governo começa mal na Educação. Depois dos episódios, sombrios e cinzentos, dos últimos dias, o empossado ministro da Educação vem agitar a milionésima reforma deste modelo de avaliação de professores em vez de se referir à revogação imediata. No último dia do anterior parlamento, o PSD (foi quem teve a iniciativa), o CDS, o BE e o PCP aprovaram a revogação do desmiolo e as lideranças partidárias eram as mesmas. Espera-se que cumpram a palavra. Quem está nas escolas, e só mesmo quem se encontra nesse exercício, é que conhece bem o estado de sítio a que isto chegou. Caso o governo recue, é dado um péssimo sinal com consequências imprevisíveis. As inverdades começam cedo e depois, quando a casa começa a arder, apela-se à participação cívica dos cidadãos. O actual primeiro-ministro prestou sobre o assunto as seguintes declarações que devem servir para memória futura:

 

 

não é censura, é outra coisa

28.06.11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

daqui

 

"Tudo em seis meses: novo presidente, novo governo, nova maioria e ("zoom" para, sucessivamente, grande plano, plano aproximado e "close up") novo director do "Expresso" e novo Estatuto Editorial cujo ponto 7 reza: "O 'Expresso' sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por autocensura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se (...) o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério."

Chegou, pois, a altura de um jornal declarar, sem rebuço, que não publicará notícias "que mereciam ser publicadas em lugar de destaque" se entender que a sua divulgação pode "eventualmente" ser "nociva ao interesse nacional". O jornal ponderará, caso a caso, o "interesse nacional" das notícias, mas algo fica, desde já, claro: para esse jornal, a verdade factual deixou de ter por si só, mesmo dentro da lei, "interesse nacional"; e mais: o jornal passará a substituir-se ao poder político e a definir o que é, ou não, de "interesse nacional", podendo decidir não dar a conhecer verdades se as achar inconvenientes ou inoportunas. A bem da Nação.

Se ainda havia algum pudor, deixou de haver: um jornal assume às claras que se rege por critérios de oportunidade (políticos por excelência) e não exclusivamente por critérios jornalísticos."