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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a última ad e as reformas sapientes

19.06.11

 

 

A primeira década do milénio foi má para Portugal e para o seu sistema escolar, apesar do devaneio ter começado no século passado. Uma das causas do desmiolo no sistema escolar, foi o convencimento providencial. Tanto em 2002 como em 2005, os governantes foram investidos com a aura da infalibilidade e apoderaram-se de um olhar sobranceiro para quem se movimentava no terreno. No caso do sistema escolar estou a referir-me às escolas e não ao kafkiano ministério da Educação.

 

A segunda década do século XXI começa outra vez com a AD e com um país de tanga esburacada. Da vez anterior, o sistema escolar viu chegar a equipa de David Justino, o tal que só não contratava gestores para as escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar e que fazia fé em João Rendeiro do BPP. Trouxe um secretário de estado que se dizia cheio de provas dadas em anos de EXPO. Cedo se percebeu que o gestor terraplenaria e que conduziria apenas de auto-estrada, como se gabavam os seus fãs incondicionais. Foi, no género, o maior flop técnico e político que me foi dado assistir e fez uma mossa irreparável no já depauperado crédito do sistema escolar; pagou-se caro porque abriu o atrevimento dos que se seguiram.

 

Quem não se lembra do concurso de professores feito pela Web? Uma excelente e inevitável ideia descredibilizou toda a equipa governativa da Educação, porque a terraplenagem despreza até o bom conhecimento. A incompetência de um sistema de informação acontece sempre quando quem tem de fazer a gestão da informação desconhece o assunto e se limita a transferir procedimentos entre universos distintos. Como os tempos são hoje ainda mais vorazes, a repetição de coisas do género resultará em ainda menos tempo de governação e não sei se o país aguentaria mais reformistas providenciais e apressados.

bem me pareceu

19.06.11

 

 

E a táctica das presidenciais foi igualmente muito mal sucedida. O apoio a Manuel Alegre compreende-se. Só que em primeiro lugar o candidato deveria ter formalizado a sua candidatura, como em 2005, e depois os partidos apoiavam se quisessem. Foi uma grande confusão. Associaram-se a um PS "sem esquerda" e evidenciaram demasiados tiques de fanatismo. A ânsia é inimiga do bom-senso e o bloco parece corroído por impacientes cheios de certezas.

Louçã admite que hoje participaria nas reuniões com a 'troika'

da blogosfera - a educação do meu umbigo

19.06.11

 

 

Mas o que resta desta matriz democrática?

 

Concordo com o Paulo Guinote. Uma boa parte da esquerda que perdeu as eleições esteve envolvida no fim da gestão democrática das escolas com a publicação, e com a veneração ao espírito da coisa, do decreto-lei 75 de 2008. É factual. Quem governou nos últimos anos não foi apenas a ala direita do PS. Estiveram acompanhados de pessoas das mais variadas tonalidades e até oriundas dos sindicatos; mesmo da Fenprof. E depois há o off: o que foi dito para além dos órgãos de comunicação social. A expectativa para a inevitável recuperação do tempo perdido, e de um dos pontos fortes que os nossos parceiros europeus admiravam, estará a cargo dos mesmos do costume e de uma qualquer iluminária que dê alguma luz a quem vai governar.