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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

perdas irreversíveis

18.06.11

 

 

A perenidade da felicidade deve à infância uma das danças que não sai da memória. Para quase todas, como bem retratou Roberto Benigni no enorme "La vita è bela", as recordações são prodigiosas. O pai que em plena ante-câmara do holocausto fazia dos horrores brinquedos para o filho pequeno que o acompanhava, é uma cena comovente que jamais esquecerei.

 

A memória é curta e transporta para o consciente apenas uma ínfima parte. É assim. Por isso, tantas vezes nos lembramos uns aos outros que a vida é curta e que passa num instante. A infelicidade com a finitude conforta-se nos únicos que nos fotografaram com precisão na infância; tanto por dentro como por fora. Sem eles, sem os nossos pais, não é só a memória que suporta uma perda irreparável e substancial. É também a felicidade, a nossa e a deles, que sofre um esgotamento sem remédio.

os professores, a confiança e os estudos

18.06.11

 

É comum às sociedades o lugar cimeiro para a confiança nos professores e Portugal não foge a isso. Como é que isso se traduz na prática política é outro assunto. O que achei interessante no estudo que pode ler a seguir é o último lugar que a sociedade alemã atribui à confiança nos administradores de empresas. Deve ser um motivo de reflexão para os que não se cansam de elogiar o rigor e a seriedade das empresas alemãs.

 

Portugueses confiam em bombeiros, professores e carteiros

"(...)O estudo foi feito em 19 países europeus e consistiu  em determinar os níveis de confiança que os cidadãos têm em relação a 20  profissões e organizações profissionais. Os portugueses sãos dos mais descrentes  comparando com outros anos. Em relação a anos anteriores (o estudo faz-se desde 2008) os portugueses mostraram este  ano uma "significativa" quebra de confiança em praticamente em todas as profissões, especialmente em sindicatos, organizações de caridade, jornalistas, juízes e publicitários. (...)A Alemanha é o país onde menos se acredita nos administradores de empresas mas onde os advogados têm melhor aceitação, enquanto o Reino  Unido é o mais desconfiado em relação aos jornalistas. (...)Portugal acredita mais  nos professores e nos militares do que a média europeia,(...)

 

 

 

da blogosfera - o estado da educação e do resto

18.06.11

 

Notas breves e introdutórias acerca do novo ministro da Educação 

 

Concordo com a análise do Mário Carneiro e sublinho a seguinte passagem:

"(...)O que tenho registado de positivo no discurso de Nuno Crato:
. Crítica ao denominado «Eduquês».
. Crítica ao dirigismo pedagógico do Ministério da Educação.
. Crítica à política de facilitismo.
. Defesa de uma grande autonomia das escolas e dos professores e consequente responsabilização.
. Defesa de uma sólida preparação científica dos professores.
. Valorização dos conhecimentos/conteúdos e menor enfatização dos processos.
. Defesa do rigor, da disciplina e do esforço.
O que tenho registado de negativo no discurso de Nuno Crato:
. A idolatria pelas provas de exame nacionais.
. A vinculação da avaliação dos professores aos resultados dos exames nacionais dos alunos.
Apesar dos elementos positivos serem, para já, em número superior aos negativos, há alguns aspectos manifestamente preocupantes:
i) Nuno Crato tem revelado falta de consistência e de rigor em algumas das críticas que dirige.  Selecciona correctamente os alvos da crítica, mas a fundamentação que desenvolve é por vezes pobre (em alguns casos, raia o senso comum básico).
ii) A idolatria que Nuno Crato tem pelas provas de exame nacionais parece mostrar ingenuidade e pouco conhecimento acerca das limitações técnicas dessas provas(...)"

eduquês, quase cinco anos depois

18.06.11


Nuno Crato é professor de Matemática no Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa. O seu livro “o eduquês em discurso directo” tem-me acompanhado durante dias: leio, reflicto, formo opinião, concordo e discordo. Inscrevem-se alguns dos aspectos fundamentais que têm feito parte do vasto património da docimologia.
A investigação em Educação é uma parte da pesquisa sobre o conhecimento humano. Trata-se de perceber a melhor maneira de ensinar e de tentar compreender como é que cada um processa a aprendizagem. Árdua tarefa e aliciante desafio, tão labiríntico como as descobertas a propósito do genoma humano. A quase ignorância sobre o modo como se aprende, não nos pode levar a uma maré de incertezas: há que detalhar primeiro e escolher depois, uma vez que milhões de aulas são leccionadas todos os dias.

Há ainda outro princípio: não se deve considerar que uma corrente pedagógica foi, em qualquer tempo, generalizada. Por aquilo que a experiência me diz, as discussões à volta das correntes passam ao lado das escolas e dos seus actores. O modo de se tentar perceber a totalidade, é considerar que cada indivíduo é uma singularidade: para o bem e para o mal.

Mas voltando ao livro, e àquilo que de mais interessante retiro, saliento uma ideia que está escrita mais ou menos assim: a educação escolar está cheia de lugares-comuns, alguns de uma gritante inadequação, com as naturais relevâncias: interdisciplinaridade como locomotiva curricular para crianças e jovens que pouco sabem ainda sobre cada uma das matérias ou que se pode aprender sem esforço e sem trabalho.
(1ª edição em 18 de Novembro de 2006)

novo ministro da educação

18.06.11

 

 

Estive fora da rede e deixei uns posts programados. O post anterior, revoltante, foi pensado em qualquer das hipóteses que se viesse a confirmar como responsável pela pasta da Educação. A avaliação de professores é um sinal demasiado importante e estruturante. Acabo de saber que Nuno Crato está confirmado como o novo ministro da Educação.