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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a política do medo

04.06.11

 

 

 

 

 

Cortesia da Manuela Silveira.

 

A política do medo

"Em que condições exerce hoje o professor o seu mister de ensinar? Pergunta capital, em cuja resposta vai muito da eficiência da Escola e do valor intelectual e moral do ensino. Posso afirmar, sem receio de exagerar, que essas condições se caracterizam essencialmente assim: 

deficiência de meios pedagógicos; 

deficiência de meios materiais da vida do professor; 

limitação das condições de independência mental dos agentes económicos.

O professor hoje, em Portugal, vive com dificuldades de vida e com medo, esse terrível medo que se apoderou da quase totalidade da população portuguesa. Tenho já o tempo de vida bastante para poder ter observado, durante mais de 20 anos, a evolução duma certa corporação científica, e ter verificado nela a instalação e o alastramento desse processo de destruição progressiva do professor português. E é preciso registar que, a despeito de casos isolados de resistência heróica, esse processo de destruição tem produzido os seus efeitos.

A coisa vai mesmo mais longe – a política do medo não atingiu apenas uma determinada camada social ou profissão. Não, essa política foi a todos os sectores da vida nacional e a todos os núcleos de actividade privada e pública, procurando transformar-nos num povo aterrado, reduzido à condição deprimente de passarmos a vida a desconfiar uns dos outros. Mas o que é curioso, nesta questão, é que, ao fim e ao cabo, não se conseguiu apenas que os pequenos tenham medo uns dos outros e dos grandes, ou os indivíduos tenham medo das instituições. O próprio Estado foi vitima do seu jogo e acabou por ser tomado de medo dos cidadãos ..."

Bento de Jesus Caraça (1946)


da irresponsabilidade

04.06.11

 

 

Se fosse uma pessoa de esquerda a dizer estas coisas era demagogo. Como é um lorde liberal-democrata, é avisado.

 

 

A Europa pode ultrapassar esta crise da dívida que varre a periferia?

É uma crise muito perigosa. E não é só na periferia. A estratégia na zona euro - manter as actuais políticas até 2013 - tem como objectivo dar mais tempo aos bancos alemães e franceses para recuperarem, porque estão muito expostos aos mercados grego, português, espanhol e irlandês. Muitos dos problemas desta crise financeira resultam da total inépcia dos bancos para dizerem a verdade. E de acreditarem que podem ir financiando uma saída da crise enquanto mantêm activos brutalmente sobrevalorizados. Existe um enorme problema de confiança. Estes bancos comportaram-se de forma irresponsável.