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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

diálogo

01.06.11

 

 

 

Era bom contar. Sim. Contar o número do vezes que o chefe do governo de gestão usou o substantivo diálogo desde 2005 até anteontem e comparar o resultado com uma contagem semelhante feita nos últimos dois dias. E tinha piada associar na conclusão o apelo desesperado ao bloco central a que se tem assistido no segundo período.

 

Posso estar muito enganado, mas a derrota deste PS vai ser muito mais significativa do que aquilo que é indicado pelos números das sondagens. Os que se esconderam atrás da clubite vão ficar muito mal na fotografia. O chefe do governo de gestão, pelo menos na Educação, foi o obstinado de serviço para as ideias de outros. É claro que depois tornou-se no sabe-tudo-que-se-conhece.

da campanha e do mais do mesmo

01.06.11

  

 

 

Só às 22h00 liguei a televisão. A sicnotícias começou com a campanha e com imagens inclassificáveis de um incidente em Torres Vedras por causa da privatização de lucros na Educação.

 

Lembrei-me de um texto que escrevi sobre o assunto. O Golpe diz assim:

 

(...)Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s ainda sem dono.
Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.
Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.
Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.
Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas na mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.
Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece.

 

os desesperados

01.06.11

 

 

Os militantes mais clubistas do PS começam a entrar em desespero argumentativo. Assisti a uma conversa entre um sócio nessa condição e um dos muitos portugueses que ainda só sabe que não vota PS. A localização das conversas é inevitável e quando o clubista adiantou com o papão da direita, o indeciso introduziu o ex-presidente do CDS no assunto. O clubista teve piada: Basílio Horta é bom para as empresas.

 

Sinceramente, nunca vi tanta animosidade em Portugal em relação a um partido que se dizia de esquerda e que teve a prática que se sabe. Impressiona a atmosfera anti-PS que se estabeleceu e os professores parecem não fugir, naturalmente, a isso.

 

 

os tecnológicos nos tempos pós-modernos

01.06.11

 

 

 

Não sabemos educar os petizes. É uma tragédia antiga e os resultados estão aí. As crianças portuguesas são um incómodo e a discussão anda sempre à volta do seu desgraçado armazenamento; quanto mais tempo melhor e a capacidade de argumentação apenas disfarça as reais intenções.

 

Em pleno dia mundial da criança, a notícia é surreal: os portugueses desesperam por manuais para educar os petizes; ao que consta, mesmo que escritos por quem nunca pegou numa criança.

 

Ou seja: o pato-bravismo-tecnológico diz-nos que são raros os que lêem as instruções dos repetidos aparelhos da tecnologia e depois é vê-los a exibir uma coisa que nem sabem bem para que serve. Os petizes, que oferecem a deslumbrante vantagem da singularidade, tem uma particularidade que não apreciamos lá muito: dão trabalho.