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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

democraticidade perdida

08.05.11

 

 

Um autor do programa do PSD para a área da Educação deu uma entrevista a um blogue onde divulgou o seguinte parágrafo de um livro que será apresentado brevemente com um prefácio do presidente do PSD: "(...)Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão(...)".

 

Lido o programa, ninguém encontrou o mais leve sinal do dito parágrafo; bem pelo contrário. Instalou-se a confusão. Ter-se-á perdido depressa a ideia de democraticidade ou será que antes das eleições vão dizer que não cumprirão o programa eleitoral?

episódios da comédia, ou da tragédia

08.05.11

 

 

 

O programa do PSD tem muitos parágrafos que poderiam ter sido escritos por este PS; naturalmente. O programa do governo, agora de gestão, só não foi aplicado na totalidade porque os professores resistiram; a bem da democracia e do que resta da qualidade do sistema escolar.

 

Pacheco Pereira, e cito-o porque é insuspeito de simpatizar com a luta dos professores, foi taxativo: os professores foram os únicos que venceram o actual chefe do PS.

 

Pensemos lá um bocado: quem vê, e com razão, tantos motivos para não votar no PSD, também não pode votar neste PS. Basta ler os dois programas e fazer análises de conteúdo com imparcialidade. Quem apoia este PS também pode sufragar o programa do PSD para a Educação e para as outra áreas.

 

Mais uma vez os professores estão a conseguir, desde logo, que se escrutine. Foi assim com os titulares, tem sido assim com a avaliação e tudo leva a crer que voltará a ser com a autonomia das escolas e com a gestão escolar. E podem estar cientes: não podem contar com os partidos do centrão; silêncio cúmplice com quem governa, cooperação estratégica e alguns votos circunstanciais são as receitas do PS e do PSD e o país está como está.

outro se

08.05.11

 

 

Tem sido sempre assim nos últimos anos: os irmãos quase gémeos, PSD e PS, apresentam ao eleitorado a ausência de debate de quem intuiu que está para sair e a confrontação interna de quem pensa que vai entrar.

 

Parece-me que é no estado de escolha de caminhos que se encontra o PSD; na Educação também. Sejamos claros: se o programa vai inscrever alterações à gestão escolar para recuperar a democraticidade perdida, não pode listar também a ideia "mais sociedade" da introdução da carreira dos directores escolares nomeados.

 

Estes pequenos exemplos demonstram bem a confusão que se pode estabelecer. Mas mais: há um sector da denominada blogosfera docente que se queixa muito que os professores votam sempre à esquerda e que têm preconceitos contra os partidos da direita. Sejamos francos: criar uma carreira de director escolar tem tanto de cómico, de "impossível", de satisfação do aparelho e de sei-lá-mais-o-quê que me escuso a argumentar mais.

e se

08.05.11

 

 

Se o programa do PSD para a Educação incluir propostas como as que pode ler a seguir,

 

"(4) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão" ou "(3) Conceber um modelo de avaliação do desempenho docente que obedeça aos seguintes princípios: o quadro legal que venha a ser definido tratará autonomamente a avaliação do desempenho e a classificação do desempenho (...)"

 

o que é que dirá o PS (para além deste, claro; e se é que ainda existe mais PS para além do eucaliptal) para além de corar de vergonha? Que é contra a democracia nas escolas, como se provou? Que o seu modelo de avaliação de professores era o fim da história e que não era quase fascismo por via administrativa?

 

Parece que é hoje que se conhece o programa eleitoral do PSD. Vou estar atento, especialmente à área da Educação.

 

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para chegar a grande é preciso somar inúmeros pequenos

08.05.11

 

 

 

 

 

 

 

A avaliação externa promove a ineficiência e dá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e que atinge um pico patológico no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as impressoras costumam gemer de tanto fumegar -.

 

Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.

 

Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional - da sua coerência e eficácia - de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário.

 

Portugal está às avessas: a inspecção-geral define expressamente o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não vão utilizar e que repetem até à exaustão. Para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício.

 

Nem num período de PEC´s se caminha no sentido da racionalização. As tentativas são sempre com o mesmo registo: um transporte de objectos, ou de pessoas, de um lado para outro; apenas sintaxe, digamos assim. A semântica dos procedimentos e a organização como um valor precioso parece terem fugido de Portugal a sete pés e levaram consigo o que restava do sonho e da poesia.

 

1ª edição em 22 de Junho de 2010