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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

modernidade e política

25.04.11

 

 

 

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se na sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

sempre

25.04.11

 

 

"(...)A certa altura a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...). Daqui.

A revolução dos cravos

25.04.11

 

 

Uma revolução original: “A Revolução dos Cravos”

 

 

“De 23 de Março a 10 de Abril, fomos a Portugal, onde ocorrera um ano antes, a 25 de Abril de 74, aquilo a que se chamou “A Revolução dos Cravos. ”Depois de cinquenta anos de fascismo, alguns oficiais – indignados entre outras coisas com a guerra de Angola – tinham-se revoltado. Mas não se tratava apenas de um golpe de Estado militar: era um povo que despertava e apoiava o M.F.A. (…) Sartre tinha vontade de conhecer mais de perto este acontecimento singular.

Estávamos alojados num hotel central, muito barulhento, perto de um mercado ao ar livre. (…) Andávamos pelas ruas onde deambulava uma multidão alegre, sentávamo-nos nas esplanadas do Rossio. Para Sartre tratava-se sobretudo de uma viagem de informação. (…)Tomou parte em reuniões e fez conferências.

Fez uma conferência perante estudantes que o desiludiram pela falta de reacção às suas perguntas. Eles sofriam mais a revolução do que a faziam, pareceu-lhe.

No regresso, fez na rádio uma boa emissão sobre Portugal e, no Libération, surgiram de 22 a 26 de Abril, uma série de conversas, redigidas por Serge July, entre Sartre, Pierre Victor, Gavi e eu.”

 

Simone de Beauvoir, A Cerimónia do Adeus

 

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“Penso que o que é essencial é o poder popular que está a formar-se. Esta assembleia não me inspira confiança: os partidos não colam a um movimento popular que pediria qualquer coisa. Os partidos em Portugal representam uma espécie de ligação estranha que não corresponde a nada.”

 

 

Jornal Libération

Sartre (Abril de 1975)

 

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“…na crónica dos anos de cinzas, esta revolução abortada tomou um lugar cronológico entre o Chile e o Vietname. […] Com o detalhe de que esta revolução não tinha nada de exótico, que ela se produzia sob o nosso olhar, na orla ocidental da Europa, a um dia de comboio de Paris, de Milão e pouco mais de Frankfurt.

A Europa esquerdista e contestatária, mas também a Europa centrista e liberal, a Europa comunista, a Europa socialista e a Europa fascista desfilaram em Lisboa, intrigando e pesando sobre os eventos, buscando os seus respectivos militares e partidos na tormenta de um processo revolucionário do qual precisamente a Europa se pensava protegida.

 

Uma multiplicidade de estratégias europeias cruzou-se e enfrentou-se nas margens do Tejo, nem sempre, longe disso, no benefício dos portugueses que herdaram, além das dificuldades deles, dos fantasmas europeus, das teorias de uns e de outros.”

 

Jornal Libération

Serge July

(cinco anos após o 25 de Abril de 1974)

 


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 “Hoje, tudo é diferente, numa democracia representativa que assume teoricamente a defesa das liberdades e assegura de facto algumas na prática, mas segue o modelo económico do capitalismo neo-liberal, que gera desigualdade, miséria, corrupção, crime e adormece as consciências. O oportunismo, por um lado, e, por outro, o egoísmo da competição frenética e a ânsia de dinheiro estão a degradar o próprio estilo de vida português, à semelhança do que se passa em quase toda a Europa, com a agravante do abismo que há em Portugal entre os rendimentos do capital e os do trabalho.

 

Urbano Tavares Rodrigues

 

 

Cortesia da Manuela Silveira.

agora é convosco

25.04.11

 

 

A seguinte piada é comum no seio dos investigadores que se dedicam às questões da estratégia e da visão no desempenho organizacional:

 

os vendedores de estratégias empresariais definiam o modelo para a empresa que os contratava e à pergunta sacramental "quando é que voltam para o estudo dos resultados?" respondiam prontamente: "isso agora não é connosco".

 

Foi essa a trágica ideia que norteou quem edificou obra pública. Definiram as obras, os financiamentos e os contratos com as empresas privadas para onde muitos se passaram e deixaram os custos para a primeira linha. Na constatação do desastre, respondem prontamente: "isso agora não é connosco".