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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

por que é que silenciam a Islândia?

06.04.11

 

Recebido por email e espero que o nome do autor esteja correcto. Quando vejo um banqueiro português dizer que não tem qualquer interesse discutir o exemplo islandês, encontro mais um motivo para publicar o extenso texto que deve ler a seguir.

 


Estamos neste estado lamentável por causa da corrupção interna - pública e privada e com incidência no sector bancário - e pelos juros usurários que a Banca Europeia nos cobra.


Sócrates foi dizer à Sra. Merkle - a chanceler do Euro - que já tínhamos tapado os buracos das fraudes e que, se fosse preciso, nos punha a pão e água para pagar os juros ao valor que ela quisesse. 

Por isso, acho que era altura de falar na Islândia, na forma como este país deu a volta à bancarrota, e porque não interessa a certa gente que se fale dele.

Não é impunemente que não se fala da Islândia (o primeiro país a ir à bancarrota com a crise financeira) e na forma como este pequeno país perdido no meio do mar, deu a volta à crise. 

Ao poder económico mundial, e especialmente o Europeu, tão proteccionista do sector bancário, não interessa dar notícias de quem lhes bateu o pé e não alinhou nas imposições usurárias que o FMI lhe impôs para a ajudar. 

Em 2007 a Islândia entrou na bancarrota por causa do seu endividamento excessivo e pela falência do seu maior Banco que, como todos os outros, se afogou num oceano de crédito mal parado. Exactamente os mesmo motivos que tombaram com a Grécia, a Irlanda e Portugal. 

A Islândia é uma ilha isolada com cerca de 320 mil habitantes, e que durante muitos anos viveu acima das suas possibilidades graças a estas "macaquices" bancárias, e que a guindaram falaciosamente ao 13º no ranking dos países com melhor nível de vida (numa altura em que Portugal detinha o 40º lugar). 

País novo, ainda não integrado na UE, independente desde 1944, foi desde então governado pelo Partido Progressista (PP), que se perpetuou no Poder até levar o país à miséria. 

Aflito pelas consequências da corrupção com que durante muitos anos conviveu, o PP tratou de correr ao FMI em busca de ajuda. Claro que a usura deste organismo não teve comiseração, e a tal "ajuda" ir-se-ia traduzir em empréstimos a juros elevadíssimos (começariam nos 5,5% e daí para cima), que, feitas as contas por alto, se traduziam num empenhamento das famílias islandesas por 30 anos, durante os quais teriam de pagar uma média de 350 Euros / mês ao FMI. Parte desta ajuda seria para "tapar" o buraco do principal Banco islandês. 

Perante tal situação, o país mexeu-se, apareceram movimentos cívicos despojados dos velhos políticos corruptos, com uma ideia base muito simples: os custos das falências bancárias não poderiam ser pagos pelos cidadãos, mas sim pelos accionistas dos Bancos e seus credores. E todos aqueles que assumiram investimentos financeiros de risco, deviam agora aguentar com os seus próprios prejuízos. 

O descontentamento foi tal que o Governo foi obrigado a efectuar um referendo, tendo os islandeses, com uma maioria de 93%, recusado a assumir os custos da má gestão bancária e a pactuar com as imposições avaras do FMI. 

Num instante, os movimentos cívicos forçaram a queda do Governo e a realização de novas eleições. 

Foi assim que em 25 de Abril (esta data tem mística) de 2009, a Islândia foi a eleições e recusou votar em partidos que albergassem a velha, caduca e corrupta classe política que os tinha levado àquele estado de penúria. Um partido renovado (Aliança Social Democrata) ganhou as eleições, e conjuntamente com o Movimento Verde de Esquerda, formaram uma coligação que lhes garantiu 34 dos 63 deputados da Assembleia). O partido do poder (PP) perdeu em toda a linha. 

Daqui saiu um Governo totalmente renovado, com um programa muito objectivo: aprovar uma nova Constituição, acabar com a economia especulativa em favor de outra produtiva e exportadora, e tratar de ingressar na UE e no Euro logo que o país estivesse em condições de o fazer, pois numa fase daquelas, ter moeda própria (coroa finlandesa) e ter o poder de a desvalorizar para implementar as exportações, era fundamental. 

Foi assim que se iniciaram as reformas de fundo no país, com o inevitável aumento de impostos, amparado por uma reforma fiscal severa. Os cortes na despesa foram inevitáveis, mas houve o cuidado de não "estragar" os serviços públicos tendo-se o cuidado de separar o que o era de facto, de outro tipo de serviços que haviam sido criados ao longo dos anos apenas para serem amamentados pelo Estado. 
 
As negociações com o FMI foram duras, mas os islandeses não cederam, e conseguiram os tais empréstimos que necessitavam a um juro máximo de 3,3% a pagar nos tais 30 anos. O FMI não tugiu nem mugiu. Sabia que teria de ser assim, ou então a Islândia seguiria sozinha e, atendendo às suas características, poderia transformar-se num exemplo mundial de como sair da crise sem estender a mão à Banca internacional. Um exemplo perigoso demais. 

Graças a esta política de não pactuar com os interesses descabidos do neo-liberalismo instalado na Banca, e de não pactuar com o formato do actual capitalismo (estado de selvajaria pura) a Islândia conseguiu, aliada a uma política interna onde os islandeses faziam sacrifícios, mas sabiam porque os faziam e onde ia parar o dinheiro dos seus sacrifícios, sair da recessão já no 3º Trimestre de 2010. 
 
O Governo islandês (comandado por uma senhora de 66 anos) prossegue a sua caminhada, tendo conseguido sair da bancarrota e preparando-se para dias melhores. Os cidadãos estão com o Governo porque este não lhes mentiu, cumpriu com o que o referendo dos 93% lhe tinha ordenado, e os islandeses hoje sabem que não estão a sustentar os corruptos banqueiros do seu país nem a cobrir as fraudes com que durante anos acumularam fortunas monstruosas. Sabem também que deram uma lição à máfia bancária europeia e mundial, pagando-lhes o juro justo pelo que pediram, e não alinhando em especulações. Sabem ainda que o Governo está a trabalhar para eles, cidadãos, e aquilo que é sector público necessário à manutenção de uma assistência e segurança social básica, não foi tocado. 
 
Os islandeses sabem para onde vai cada cêntimo dos seus impostos. 
 
Não tardarão meia dúzia de anos, que a Islândia retome o seu lugar nos países mais desenvolvidos do mundo. 

O actual Governo Islandês, não faz jogadas nas costas dos seus cidadãos. Está a cumprir, de A a Z, com as promessas que fez. 
Se isto servir para esclarecer uma única pessoa que seja deste pobre país aqui plantado no fundo da Europa, que por cá anda sem eira nem beira ao sabor dos acordos milionários que os seus governantes acertam com o capital internacional, e onde os seus cidadãos passam fome para que as contas dos corruptos se encham até abarrotar, já posso dar por bem empregue o tempo que levei a escrever este artigo. 

Francisco Gouveia

 

a verdade

06.04.11

 

 

Chega de mentiras. O principal problema de Portugal é a dívida privada e o financiamento dos bancos. Quem não se endividou sem controle não pode pagar o consumismo, a corrupção e as benesses ilimitadas dos outros. Os islandeses não estiveram para isso e já estão a crescer em termos económicos.

 

Há uma luta de classes, queira-se ou não admitir. Muito tem de mudar. Não se pode superar esta hecatombe mantendo tudo como estava. É isso que move o mainstream e que, pelos vistos, saturou o director-geral do FMI. Quem diria. Será por isso que o actual PS tem tanto horror ao FMI? Será por isso que umas boas fatias da direita também não querem o FMI? Será também por isso que uma parte da esquerda se assusta com o FMI? De que lado da luta de classes é que está essa gente? Do lado das benesses ilimitadas e da ganância, estão com toda a certeza.

 

FMI: principal problema é o financiamento dos bancos e a dívida privada

 

 

esclarecimento

06.04.11

 

 

"O Sindicato dos Professores da Zona Centro (SPZC) congratula-se com a revogação do Decreto-Lei n.º 2/2010 de 23 de Junho, operada pela aprovação do Decreto da Assembleia da República n.º 84/XI.


Face a esta aprovação, o SPZC esclarece:


O referido Diploma só produzirá efeitos no dia seguinte à data da sua publicação.

Caso venha a ser publicado, com a referida revogação, para efeitos de avaliação do desempenho de docentes, e até à entrada em vigor do novo modelo de avaliação, são aplicáveis os procedimentos previstos no Despacho n.º 4913-B/2010, de 18 de Março, no âmbito da apreciação intercalar, até ao final de Agosto de 2011.

Deste modo e no âmbito da apreciação intercalar, até ao final de Agosto de 2011, será mantida a calendarização, devendo os docentes proceder a uma breve descrição da actividade profissional no período em apreciação, incluindo uma reflexão pessoal sobre as actividades lectivas e não lectivas desenvolvidas pelo docente, bem como a identificação da formação eventualmente realizada.

O SPZC mostra-se, desde já, disponível para prestar qualquer esclarecimento adicional.

 

Coimbra, 5 de Abril de 2011

 

O Departamento de Informação e Comunicação do SPZCentro"

 

por que não?

06.04.11

 

 

 

O PCP e o bloco parece que se vão apresentar como alternativas de governo. Fazem bem. Tendo em conta as circunstâncias, talvez seja melhor continuarem com programas e listas autónomas. Parece-me que há um aspecto que deve ficar claro: não aceitam governar com o actual PS. Se há alguma ideia de união das esquerdas na situação actual, perderão votos de forma acelerada.