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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

a contramão e os escolhidos

04.04.11

 

 

Parece que um jornal estrangeiro escreveu que o chefe do governo de gestão anda a toda a velocidade em contramão na autoestrada e que se convence que os outros é que estão errados. Que raio: essa gente traçou-lhe bem o perfil.

 

Ao que me dizem, o primeiro-ministro afirmou há pouco que a avaliação de professores estava consensualizada e que entrava nas rotinas das escolas. E que ainda disse mais: que se for eleito que a repõe. O homem parece ser um estudo de caso; pelo menos perigoso é.

coligações

04.04.11

 

 

É interessante observar as reacções à tentativa de entendimento entre o PCP e o bloco. Os do arco da governação levantam o fantasma do caos se essas forças chegarem ao poder. A questão que se coloca é simples: mas afinal quem é que nos trouxe à falência onde estamos?

 

Apesar dos programas para a Educação destes dois partidos de esquerda terem muita da má burocracia que tanto temos combatido, é no mínimo revigorante para a democracia que se entendam e que se apresentem ao eleitorado com uma proposta de governo sem este PS.

lateralizar

04.04.11

 

 

 

Nos 36 anos de democracia os aparelhos partidários usaram o Estado para se transformarem em máquinas enquanto a organização administrativa do país se afundava em regime de traquitana. Os últimos 20 anos aceleraram a tendência com um financiamento ilimitado e multiforme associado ao aumento do poder comunicacional.

 

Os dois grandes partidos aprimoraram-se. Este PS, também por ter um chefe exímio na manipulação e que aparenta um conhecimento profundo do pato-bravismo-financiador, afundou-se numa espécie de conto de fadas e, bem mais grave, arrastou o país consigo.

 

Se olharmos para o desastre educativo, vemos a tendência deste PS para a lateralização dos votos. Perdeu a maioria absoluta e continua a oferecer votos de forma acelerada. Os últimos dias foram paradigmáticos. A derrota natural na avaliação de professores foi mal digerida em termos mediáticos e a desfaçatez vai empurrando eleitores para as laterais. Ao elegerem o chefe com a votação que se conhece, arriscam-se a um resultado nas próximas legislativas que fará com que o que resta caia na real.

carta (não publicada) ao director do expresso

04.04.11

 

 

"Exmo. Senhor Director,


Professora sindicalizada, considero que não há nada de mais errado, se não injusto, do que reduzir-se “a suspensão do processo de avaliação dos professores” à “ vitória de Nogueira”, como escrito no Expresso de 26 de março.

Vitória de Nogueira? O líder da Fenprof assinou esse modelo de ADD.

Vitória de Nogueira? O líder da Fenprof subscreveu o que esse modelo permitia: professores, sem formação especializada, deviam avaliar pares; professores deviam ser avaliados por pares de áreas científicas diferentes, se não opostas; professores mais experientes deviam ser avaliados por pares com posição menos elevada na carreira; professores mais qualificados deviam ser avaliados por pares com menos habilitações académicas.

Vitória de Nogueira? Professores, situados nos últimos escalões da carreira, pediram em massa a reforma com penalização. (Um país não sai “derrotado” se prescindir dos seus professores mais experientes?)

Vitória de Nogueira? Enquanto sindicatos entretinham-se em seminários sobre avaliação, a implementação da ADD desapossava os professores da sua dignidade profissional e roubava o seu tempo para os seus alunos.

Vitória de Nogueira? Das escolas, saiu a resistência contra esse modelo de ADD.

Vitória de Nogueira? É de uma escola a iniciativa da moção pela substituição desse modelo (a recolha das mais de 9 mil assinaturas ia ser entregue na AR em 30 de Março).

Vitória de Nogueira? Nas escolas, os professores que resistiram ficaram entregues a si próprios.

Vitória de Nogueira? Os sindicados foram raramente os interlocutores privilegiados desses professores, hélas!

Vitória de Nogueira? Os animadores da luta contra a ADD foram os blogues e associações de professores.

Vitória de Nogueira? As palavras capazes de dar ânimo não vieram desse líder.
Vitória, sim. Mas vitória dos professores que resistiram activamente, publicamente.

 

 


Com os melhores cumprimentos.

Maria José Cheira

 

confraria das provas ó vais

04.04.11

 

 

 

Finalmente comemorei com os colegas da minha escola a suspensão do modelo de avaliação de professores. Numa altura em que as circunstâncias não são as melhores para festejos, é muito agradável estar com os amigos.

 

A Assembleia da República decidiu reprovar um modelo que quase ninguém defende. Impôs-se a força da razão. O resto é bullshit e jogos de sombras de quem escolheu os professores como bode expiatório enquanto via o país a mergulhar numa falência com consequências imprevisíveis.