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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

sindicalês

29.03.11

 

 

Li esta peça no Público e nem tive paciência, nem tempo, para comentar para além do que escrevi no post. Na visita à blogosfera docente dei com este post do Ricardo Montes. E depois, os nossos sindicalistas ainda se queixam dos blogues. Para além de tudo, há duas variáveis que fazem toda a diferença nas posições que se tomam: convicções e sala de aula.

parece-me grave

29.03.11

 

 

Há dias li a notícia do pagamento de uma avultada quantia à magistrada que é casada com o ministro da justiça. Não gostei de ler, mas não tinha dados que me permitissem ajuizar. O montante era elevado, mas uma pessoa não deve ser prejudicada pelas suas ligações familiares.

 

Recebi um email com a notícia do cancelamento desse pagamento por parte do ministro. Parece-me grave e bem elucidativo da falta de critério na gestão do bem comum que é algo que nos entra diariamente pelos olhos dentro. Este caso é ainda mais nocivo por se tratar de magistrados. Temos fortes razões para desconfiar da partidarização da justiça e de outras áreas em que se ajuíza, avalia ou inspecciona as acções do Estado. Os partidos políticos aprisionaram a democracia e nada de bom pode vir daí.

editorial (5)

29.03.11

 

 

 

 

 

 

Criei o blogue em 2004 com a ideia de não escrever sobre Educação, mas não cumpri. A culpa é do desastre que se iniciou dois anos depois e que destruiu o poder democrático das escolas. A partir de 2007 a maioria dos posts foram à volta do tema. Em 2009 editei os primeiros posts que envolveram a escola de Santo Onofre, onde sou professor.

 

Quando o que escrevo se relaciona com essa instituição, aviso através das etiquetas dos posts ou do título. Associar os meus escritos a Santo Onofre é um devaneio que me escapa. Já disse mais do que uma vez: tenho mais vida.

 

Assino os textos e não produzo por encomenda. Neste editorial sublinhei a minha não militância e independência. Quem quiser ler no Correntes os seus pensamentos e opiniões escreve-me para o email que está no topo do blogue. Publico se os meus critérios julgarem oportuno e até pode ser como anónimo.

 

 

avaliação e contraditório

29.03.11

 

 

 

Estabeleceu-se aqui um debate à volta de um editorial do Público que classificou de vergonha a suspensão da avaliação de professores no parlamento. Passe por lá para saber do desenvolvimento. Todavia, um dos comentários, de Isabel X, exige uma leitura atenta.

 

 

Tenho lido Deleuze, autor que vem a propósito citar. Diz ele, referindo-se à transição da sociedade disciplinar para a sociedade de controlo, o seguinte:

"Entramos em sociedades de controlo que funcionam já não por encerramento, mas por controlo contínuo e comunicação instantânea. (...) Evidentemente, fala-se a todo o momento da prisão, da escola, do hospital: são instituições em crise. Mas se estão em crise, é precisamente em combates de retaguarda. O que se instaura, de modo tacteante, são novos tipos de sanções, de educação, de cuidados. Os hospitais abertos, as equipas dispensadoras de cuidados no domicílo, etc., apareceram já há muito tempo. Pode-se prever que a educação será cada vez menos um meio fechado, distinguindo-se do meio profissional como outro meio fechado, mas que esses dois meios desaparecerão em benefício de uma terrível formação permanente, de um controlo contínuo exercido sobre o operário-liceal ou o quadro-universitário. Tentam fazer-nos crer numa reforma da escola, quando é de uma liquidação que se trata. Num regime de controlo, nunca se acaba com nada."

Dá que pensar, não? E mais adiante acrescenta:

"Acreditar no mundo, é isso que mais nos falta; perdemos completamente o mundo, desapossaram-nos dele. Acreditar no mundo é também suscitar acontecimentos, ainda que pequenos, que escapem ao controlo, ou fazer nascer novos espaços-tempos, ainda que de superfície ou volume reduzidos. Trata-se daquilo a que você chama pietás. É ao nível de cada tentativa que se julgam a capacidade de resistência ou pelo contrário a submissão a um controlo. São precisos ao mesmo tempo criação e povo."

 

- "Conversações", 1990, Lx, Fim de Século Editores (p.p. 234 -237)

- Isabel X -

 

têm a palavra os directores

29.03.11

 

 

Com a publicação do despacho sobre a organização das escolas acentua-se a centralização na gestão de recursos humanos. As escolas portuguesas são cada vez mais um front office do ME. A redução de adjuntos da direcção e a eliminação das horas da componente lectiva destinadas às assessorias associada aos agrupamentos de escolas é um teste à capacidade de indignação de quem exerce funções de direcção.

 

Da leitura do despacho fica a certeza que o desemprego de professores em Setembro será acentuado e que o número de horários zero será significativo.

 

Importa sublinhar alguns aspectos:

 

A actividade de apoio aos alunos transfere-se para a componente não lectiva;

 

A actividade de coordenação dos departamentos curriculares transfere-se para a componente não lectiva;

 

As horas lectivas destinadas às assessorias da direcção desaparecem;

 

O plano tecnológico da escola vê o crédito de horas lectivas reduzido a zero.

 

melhorar o ensino

29.03.11

 

 

Este post do Ramiro Marques coloca questões importantes para quem quer melhorar a vida das escolas. Inscreve um resumo de um estudo de Samuel Colbert, professor de gestão na Universidade da Califórnia, que diz assim:

 

#1. É um erro dar poder aos diretores para contratarem professores. Por várias razões: os diretores, regra geral, sabem pouco ou mesmo nada sobre o que é ensinar bem; os diretores têm a tendência para recrutar yes men sem autonomia nem criatividade. Muitos diretores detestam dar aulas e foi por isso que deixaram de leccionar.

 
#2. Se querem incentivar os professores a melhorarem a sua performance deixem de associar a avaliação de desempenho à progressão na carreira. Porquê? Porque a melhor forma de estimular os professores a melhorarem os processos de ensino e os resultados é criando ambientes favoráveis à autonomia, à criatividade, à cooperação e à inovação pedagógica.
 
#3. Se querem desmoralizar e desmotivar os professores criem uma avaliação de desempenho punitiva, comecem a dar prémios a uns e castigos a outros.
 
#4. Se querem estimular e motivar os professores criem ambientes escolares onde os professores se sintam bem, colaborem e cooperem uns com os outros em vez de competirem pelas boas graças dos diretores ou por prémios de desempenho.
 
#5. Se querem melhorar os serviços educativos prestados pelos professores coloquem os partidos e a política fora das escolas.