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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

fim desta avaliação do desempenho

19.03.11

 

 

Como pode ler aqui, há fortes indícios de que este nefasto modelo de avaliação do desempenho chegará ao fim. Neste momento, e depois de tantas políticas que destruíram a democracia nas nossas escolas, importa suspender um modelo de avaliação cuja concepção está democraticamente derrotada. Deve referir-se que também se associa à derrota, o tipo de sociedade que lhe está inerente e as restantes políticas satélites. O desmiolo desta avaliatite incontinente é também simbólico e esperemos que se torne abrangente e que arraste consigo o conjunto de malfeitorias.

 

Os professores não cruzarão os braços e continuarão a defender que o futuro da democracia se constrói na escola e que esta só educa com esse fim se viver nessa atmosfera relacional.

elevar

19.03.11

 

 

 

 O momento em que o Mário Carneiro usava da palavra no coreto da Amora.

Depois de identificar as nefastas políticas que têm destruído a escola pública,

centrou a sua intervenção na avaliação do desempenho.

 

 

Não sou dado a multidões, embora as históricas manifestações de professores me tenham exaltado a alma. As concentrações de professores dos últimos tempos não têm ultrapassado a centena de participantes (com excepção do Campo Pequeno), mas as atmosferas são um bálsamo que jamais esquecerei. Tento não faltar para também homenagear a generosidade e a dignidade de quem as organiza.

 

Voltou a ser assim na Amora. A noite de ontem foi muito significativa, como tinham sido as concentrações de Sintra e das Caldas da Rainha. A organização do blogger Mário Carneiro, e do seu núcleo de colegas e amigos (as imagens deste post, são da responsabilidade desse núcleo), está de parabéns e reforçou a ideia que na génese desta longa luta está a dignidade profissional e a defesa da democracia. Entre as várias dezenas de professores, notou-se a persistente presença dos elementos da APEDE. O Ricardo Silva, o António Ferreira (nosso companheiro de viagem), a Cristina Didelet, a Isabel Parente, a Marta Silva e outros mais têm fortes razões para não conjugar o verbo desistir.

 

 

 

Um grupo de resistentes exibia

os cartazes elaborados pela organização.

 

 

Cristina Didelet, Maria do Céu Rodrigues, António Ferreira, Mário Carneiro e Paulo Prudêncio

numa fase de planeamento estratégico, num dia cuja data poderá ser simbólica.

 

Tudo muito claro. Também por isso, o elevar como título.

 


esta avaliação, não - a opinião de maria josé cheira

19.03.11

 

 

Faz algum tempo que recebi por email um texto de Maria José Cheira que só ontem consegui ler com olhos bem atentos. Partilho-o.

 

 

No preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2010 de 23 de Junho, lê-se que as “alterações” introduzidas no ECD “visam (…) assegurar a prioridade ao "trabalho dos docentes com os alunos, tendo em vista o interesse das escolas, das famílias e do País”.

Porém, nas escolas, hoje, os professores vivem no avesso.

 

Hoje, os professores são forçados a não dar prioridade ao trabalho com os alunos.

Hoje, para implementar esta ADD, os professores são forçados a ocuparem-se de tarefas burocráticas que ocupam o tempo da preparação das actividades lectivas, da produção de materiais didácticos, do acompanhamento de projectos diversos.

Esta ADD não é sã.

Esta ADD rouba o tempo dos professores para os alunos.

Esta ADD não atribui valor nenhum ao trabalho dos professores.

Esta ADD cria um clima cilindrador nas escolas.

Esta ADD desperta boas vontades em espiar. Me dói esse frenesim. Me soluça haver medo no meu país.

Esta ADD não se dá bem com a justiça, a transparência, o rigor, a imparcialidade.

Esta ADD só consegue engordar os egos magrinhos de professores fartos da sua inutilidade ruidosa.

Esta ADD amiúda.

Esta ADD arrebanha.

Esta ADD trata como populaça os professores.

Esta ADD está às portas da lei da chibata.

Esta ADD não é sã.

Quem me dera que esta ADD prestasse.

 

Hoje, porém, o ME força os professores a servirem o Estado como máquinas.

Hoje, o ME força os professores a não fazerem uso livre da sua inteligência.   

Hoje, o ME força os professores a serem avaliados por pares sem formação especializada.

Hoje, o ME força os professores a serem avaliados por pares de áreas científicas diferentes, se não opostas.

Hoje, o ME força os professores mais experientes a serem avaliados por pares com posição menos elevada na carreira.

Hoje, o ME força os professores mais qualificados a serem avaliados por pares com menos habilitações académicas.

Hoje, a implementação da ADD aponta a porta da rua aos professores situados nos últimos escalões da carreira.

Hoje, os professores mais experientes, os que foram, durante anos, psicólogos, assistentes sociais, investigadores, moralizadores, educadores de tantos jovens, sentem-se pisados, humilhados, desrespeitados.

Hoje, o ME trata os professores mais experientes, mais qualificados, como inúteis.   

Hoje, os professores mais experientes vêem, e sentem na pele, que o ME os despreza e que os sindicatos a isto dizem nada e até assina(ra)m de cruz. 

Hoje, professores, entre os mais experientes, que cumpriram com brio e dedicação a elevada missão da escola pública, pedem a reforma antes do tempo. “Que lágrimas, que grito hão-de dizer/ A desilusão e o peso em vosso corpo”, ó meus colegas?

Para o ME um bom professor é aquele que está de saída.

O ME (re)faz contas  e esfrega as mãos com volúpia e todo ele é um hino.

O nome do ME é desprezo pelos “professorzecos”.

Quem me dera que o ME honrasse os professores.

 

Hoje, a Educação é uma área preferencial de cortes brutais na despesa orçamental.

Hoje, por descuido, está em causa o “interesse das escolas, das famílias e do País”.

Hoje, tudo isto nos diz respeito – somos cidadãos."

 

Maria José Cheira                      

Escola Secundária D. Manuel I de Beja