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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

recomeçar a vencer

12.03.11

 

 

 

Para que se ganhe eficácia, e para que se consolide a recente vitória contra o desemprego em massa de professores, é necessário hierarquizar os temas. Os últimos cinco anos foram tão sistematicamente nefastos, que o elenco de políticas destrutivas parece não ter fim. Quem está fora da escola pensará que perdemos o juízo quando fazemos estas análises.

 

A Assembleia da República é, neste momento, um lugar onde as vitórias se podem consumar. A crise financeira pode popularizar algumas políticas governamentais e embaraçar as oposições. Todavia, a suspensão do degradante modelo de avaliação vai perdendo adversários. A ideia de combate ao despesismo em que se apoiavam o governo e os seus inconscientes apoiantes perdeu a aura. O tempo é de redução salarial e de bloqueio nas progressões. Está aberto um caminho que pode ser o primeiro passo para repor alguma sensatez numa escola que se desfaz em passos acelerados.

estado sem direito

12.03.11

 

 

Um professor em exercício de funções, e com uma idade adiantada, tem o dever de se questionar se vive num estado de direito ou se essa actual excepção só se aplica à oligarquia das benesses ilimitadas.

Que me desculpem se vou exagerar: só um tresloucado (e isto para ser suave) pode encolher os ombros quando lhe perguntam se um professor nessa idade pode voltar a leccionar a um número de alunos semelhante ao que fazia quando era mais novo.

Foi uma invenção o estabelecimento de 22 aulas semanais, com reduções progressivas de acordo com o avançar da idade. Só que o mundo funciona com invenções e a democracia é uma delas. Essas reduções são tão curiais como as horas dedicadas ao sono e esta afirmação não é demagógica. Utilizá-las para horas de marcação de ponto é massacrante e humilhante.

Na génese do caos actual está também a redução da massa salarial dos professores. Essa ideia, e aplicada a qualquer grupo profissional, é razoável e compreende-se. Mas exige-se sensatez e uma distribuição equilibrada, por toda a sociedade, de perda de direitos. Mais de 15.000 professores na condição referida no início fugiram das escolas, com brutais penalizações, por não aguentarem (física, psicológica e emocionalmente) o quase fascismo por via administrativaque se estabeleceu.

Se foi esta a forma que os nossos governantes inventaram para reduzir despesa, é caso para dizer que nada sabem de escola e de redução de despesa. A ideia que fica como definitiva, é que para os actuais governantes qualquer massa salarial de professores será sempre excessiva e nunca um investimento.

nova vaga

12.03.11

 

Imagem obtida no blogue do Paulo Guinote e da autoria do Pedro Castro.

 

Não me foi possível ir a Lisboa e tive muita pena. Para além da participação, é sempre inesquecível o convívio com quem quer romper com o mainstream que asfixia perigosamente a democracia. Pelas imagens dos canais de televisão por cabo, a Avenida da Liberdade repete o ambiente das memoráveis manifestações de professores que esperamos que se repitam nos tempos mais próximos.

 

O simbolismo da suspensão desta avaliação de professores é uma exigência que obrigará à reposição da abrangência do poder democrático da escola. É incompreensível como um modelo desenhado por temerosos maus burocratas que se escondem atrás de indicadores imensuráveis e que jamais teriam a coragem de avaliar quem quer que fosse olhos nos olhos, insistem num paradigma de sociedade completamente derrotado.

 

Pelo que vou vendo é também é esse modelo de sociedade que está a ser rejeitado na Avenida da Liberdade, e noutros locais do país, por mais de duzentas mil pessoas. Confirma-se esta premonição: "(...)Mais ou menos controversos, estes movimentos são um sinal dos tempos e a qualquer momento um deles pode tornar-se num caso sério para a sociedade.(...)"

o estado do estado

12.03.11

 

 

 

 

 

O lamentável caso que envolve um professor demitido por assinar um documento de tomada de posição em relação à avaliação do desempenho, continua nas páginas dos jornais. É mais um mau exemplo da nossa democracia.

 

Desde logo, pela existência de todas estas estruturas que delapidam financeiramente a traquitana do Estado e que, na maioria dos casos, servem para colocar membros dos partidos políticos.

 

O técnico em causa exercia umas funções (equipa de apoio às escolas) que não têm hoje qualquer sentido operacional e fazia-o desde 1996; convenhamos que é tempo demasiado.

 

Por outro lado, e repito, o facto de assinar um documento daqueles só é motivo de demissão porque o nosso Estado foi capturado pelos interesses simultaneamente mesquinhos e gananciosos das máquinas partidárias. Evidencia-se na nossa democracia um paradoxo que deve ser estudado: os aparelhos dos partidos transformaram-se em máquinas (literal) à custa do Estado, enquanto reduziam a uma traquitana os serviços de que se alimentaram.

trocas

12.03.11

 

 

 

 

Trocava o tamanho destas notícias, porque a hierarquia está invertida. As encenações do chefe do governo e do PSD não escondem o nosso definitivo problema: os bancos não conseguem pagar as dívidas ao exterior e não se vê destino para o edificado que deu origem à crise do imobiliário. Os PEC´s, os cortes nos salários e nas reformas e os aumentos de impostos cobrem uma parte dos juros e não amortizam a dívida. O Eurostat quer a bola de neve no défice para tentar que se mude de vida. Como é que se sai disto?

E já nem vamos trazer a esse debate a captura da democracia pelo financiamento partidário.