Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

sorrir

11.03.11

 

 

 

 

A ainda ministra da Educação está preocupada com 43 milhões de euros? É para sorrir. Para o ministro das finanças, 43 milhões são amendoins. Se para o governo os governos civis e os institutos públicos são despesa de somenos, quem quiser fazer contas só pode abanar a cabeça no sentido horizontal com toda esta encenação. Os professores que lutam e os movimentos nas redes sociais obrigaram o medo a fazer mesmo meia-volta?

 

 

Isabel Alçada acusa PSD de fazer aumentar a despesa em 43 milhões de euros

 

 

encenação ao centro

11.03.11

 

 

Desde o acordo para o orçamento de 2011 que os partidos políticos do centro conjugam o verbo articular sem ser só por fumos. A revogação da reorganização curricular foi a resposta assustada à geração à rasca (na manifestação de amanhã, e apenas porque vem a propósito, não ficarão nada bem os protagonismos datados e de ocasião) uma vez que a medida atingia particularmente professores contratados. Isabel Alçada e aquele deputado do PSD para a Educação apressaram-se a desdramatizar a coisa: a primeira com a promessa do retorno e o segundo metendo os pés pelas mãos.

 

As máquinas dos partidos do centro são invejáveis, embora nada disso impeça um qualquer e inesperado terramoto. Desde o presidente da República ao chefe do governo, passando pela maioria dos deputados e militantes, o que está em jogo é a imaginação de válvulas de escape sem comprometer o status quo.

por via administrativa

11.03.11

 

 

 

Um dia a história da Educação em Portugal esclarecerá. O período que estamos a viver, desde 2005, na Educação, e no que ao estatuto profissional dos professores diz respeito, será classificado como "de quase fascismo por via administrativa". Estou a pesar muito bem o que estou a escrever e situo-me longe das questões salariais: cortes nos vencimentos ou bloqueio nas progressões na carreira.

 

O primeiro passo para este estado deplorável começou pela declaração de desconfiança nos professores, que têm um estatuto social recomendável na sociedade portuguesa, que foi enunciada por um grupo de políticos profissionais que tenho dúvidas se estavam democraticamente bem preparados para as funções que exercem.

 

Com as devidas proporções, é caso para se dizer: os professores portugueses foram os escolhidos. Primeiro havia que os fragilizar na condição profissional. Por serem o grupo profissional mais numeroso na função pública, e por terem sindicatos fortes, a sua massa salarial e a sua coluna vertebral seriam sempre para cortar. Essa poupança destinou-se, e destina-se, à regulação pelos mercados; o que no caso português poderá significar ao controle pelas máquinas partidárias.

delírio

11.03.11

 

 

 

A criação de giga-agrupamentos continua na ordem do dia e há quem só tenha acordado agora. Quando se começou a amontoar escolas no início do milénio ou quando apareceu o 75 2008, a maioria assobiou para o lado porque até davam jeito mais umas coisas materiais-e-tal. A ideia dos amontoados foi, desta vez, despachada com detalhes cómicos e em total desrespeito pelos poderes locais. O bloco central de ideias de gestão prepara-se para nomear directores a partir de Lisboa e numa lógica de mau empresariado. Se não estiver para ler o despacho todo, fique com esta parágrafo:

 

"(...)A fusão de agrupamentos e escolas não agrupadas pode partir da iniciativa das direcções dos agrupamentos ou das direções regionais da educação. No primeiro caso, a proposta é dirigida ao diretor regional acompanhada de justificação e de parecer do município respectivo. No segundo, a proposta é feita pelo director regional da educação após audição dos conselhos gerais e do município que têm dez dias para se pronunciarem. A ausência de pronúncia em dez dias é vista como acordo tácito.(...)"

 

O legislador deve ter o cuidado de partir de algum real. E para que se saiba, há direcções que contemplam a possibilidade de dar corpo à megalomania.