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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

126

09.03.11

 

 

 

 

 

Segundo a APEDE já são 126 as escolas ou agrupamentos que tomaram posição contra este modelo de avaliação de professores.

Quando andava em busca de uma imagem para este post, encontrei imensas do primeiro carro que ficou em meu nome: um Fiat 126. Motor atrás, refrigeração a ar e uma ignição por cabo que lhe dava um ar único e risível.

Antes da primeira viagem longa fui aos assistentes inquirir da fiabilidade do 126. Disseram-m que fosse descansado que aquele Fiat era um maratonista; tinham toda a razão. Durante a vigência tive dois acidentes. Um com alguma gravidade. Impressionou-me o baixo preço dos componentes. Para além disso, o 126 não contrariava a referida sentença: era flexível, fiável e resistente.

Tudo isto para vos dizer que a minha história com o 126 fez-me lembrar este novo episódio da longa luta dos professores. Poucos - mas resistentes, flexíveis, ágeis, fiáveis e consumidores de parcos recursos -, mas deram um abanão no marasmo e obrigaram os instalados a novas incomodidades. Os resultados já começam a ser visíveis.

 

 

 

evidências

09.03.11

 

 

12.º ano. As melhores notas dependem mais dos pais

"Inquérito a 58% dos estudantes mostra que quanto mais habilitações têm as famílias melhor é o desempenho(...)".

 

Esta notícia do I é mais uma demonstração do desperdício que tem sido a saga portuguesa de combater o insucesso e o abandono escolares através da perseguição aos professores perpetrada pela inesquecível cooperação estratégica. Temos de melhorar as formações inicial e contínua e de criar um sistema de olhos nos olhos que, e a exemplo de todas as outras profissões, reclassifique os que não são vocacionados. O resto é despesismo de energias e outras coisas mais nocivas ainda.

 

Há tempos escrevi assim:

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.