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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

marcha da indignação, agora sim

08.03.11

 

 

Estive o dia todo fora da rede. Quando ontem programei o post para comemorar o terceiro ano da inesquecível manifestação de 8 de Marco de 2008, fiz um link para a marcha da razão que se realizou a 8 de Novembro do mesmo ano. Peço desculpa pelo erro. No meio de cerca de 4000 posts, e já com tanta manifestação relatada, devo estar perdoado. Todavia, é bom recordar que, e apesar de se julgar impossível, o 8 de Novembro superou o 8 de Março. Nomeei a manifestação do dia 8 de Março de 2008 como "Marcha da indignação" e o título do post ficou "Mais de 100 mil professores em rede"; está aqui. Os títulos e as nomeações foram bem pesadas. Que me desculpem os mais cépticos, mas acredito que é possível renovar a esperança.

regresso ao passado

08.03.11

 

 

 

 

Quando aconteceu o 25 de Abril de 1974, o sistema escolar apresentava números de escolaridade que envergonhavam. A centralização era asfixiante, os directores das escolas eram nomeados pela tutela, o número de professores do quadro era residual e a maioria dos docentes tinha um vínculo precário e não passava de um patamar salarial inferior ao início da carreira.

 

Vinte e cinco anos depois, os números da escolaridade tinham melhorado significativamente, as escolas tinham consolidado os primeiros passos rumo à autonomia e os quadros de professores garantiam alguma estabilidade e progressividade na carreira.

 

Com a entrada no novo milénio os portugueses perceberam que tinham consumido muito para além das suas posses, os 25 anos de progresso no sistema escolar não tinham consolidado a ideia de que se a Educação é cara é só experimentar voltar à ignorância e os governos não estiveram com modas: corta-se a eito na Educação.

 

2005 foi um marco desgraçado nesse sentido. A um primeiro-ministro obstinado e com maioria no parlamento, juntou-se a cooperação estratégica de um presidente da República centralista e retrógrado e uma opinião publicada pronta a aplaudir ao ouvir a palavra reforma. Uma combinação fatal.

 

Se nada se fizer em contrário, quando se comemorarem os 50 anos do 25 de Abril estaremos no mesmo sítio em que estávamos no dia anterior à revolução dos cravos: números do abandono escolar deprimentes, centralização asfixiante, directores das escolas nomeados pela tutela, número residual de professores do quadro e a maioria dos docentes com um vínculo precário e a não passar de um patamar salarial inferior ao início da carreira. Se é isto que os governantes, os actuais e os prováveis sucessores, conseguem imaginar, é caso para dizer que não nos sabemos mesmo governar e deslocalizámos mais uma vez a poesia e a utopia.

 

Ps: no final da primeira década do milénio, e derivado da crise financeira, o governo tentou animar a economia com um programa financeiramente desastroso de requalificação das escolas secundárias. Teme-se que 20 anos depois, essas escolas continuem a acumular dívidas avultadas para garantir a manutenção de edifícios construídos com parcas condições de durabilidade e com elevados custos de climatização.

não gostei

08.03.11

 

 

 

Não gostei da sobranceria (isto para ser brando) que o chefe do governo usou para se referir aos jovens que interromperam, em Viseu, um comício do PS. Foi de muito mau gosto que tivesse dito que era uma partida de Carnaval e demonstrou como a estratosfera portuguesa, que viveu de benesses ilimitadas e de outras coisas mais, não aprendeu nada com o que se está a passar no mundo e continua num registo predador. Tenho ideia que este PS estava eufórico com o não chumbo na Alemanha na semana passada e foi mais uma demonstração da obstinada pobreza de espírito.

 

Os jovens da "geração à rasca" exerceram aqui um direito de resposta à SIC e ao eterno combatente anti-causas-dos-professores Miguel S. Tavares. Não sei se valeu muito a pena. No texto também se demarcaram de um movimento do facebook que reivindica "Um milhão na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política". A primeira vez (fiz umas três) que postei nesse grupo foi no sentido de se mudar a designação para "Um milhão em protesto na Avenida da Liberdade" e que o caderno de encargos se podia construir ao longo do tempo. Também me pareceu que algumas destas iniciativas fracassarão, mas isso acontecerá pelo elenco das propostas e nunca por falta de espaço.