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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

acetatos

05.03.11

 

 

 

 

O que se passa com a avaliação do desempenho tem algumas analogias com a gestão escolar. Os mentores elaboraram os dois primeiros patamares da taxonomia de pontuação dos professores, as quatro dimensões (três imensuráveis) e os 25 domínios (agora reduzidos), e deixaram o restante desmiolo para as escolas. Perante o natural descalabro, responderam como os gurus em gestão no século passado: só tínhamos a receita.

 

Na gestão escolar passou-se o mesmo. Mudou-se o modelo ou amontoaram-se as escolas e apenas se definiram os dois primeiros patamares dos órgãos de indecisão. Ninguém se iluda: o que motivou a restante omissão foi o desconhecimento. Desculpem-me o discurso, mas apetece escrever a formulação encontrada pelos nomes: tudo ao molho e fé em deus.

 

O que orienta a criação de um órgão ou de um sistema de informação e de decisão de uma organização escolar, é a necessidade das diversas agendas e a consequente eleição dos actores capazes de discutir os elencos de assuntos. Quem estava nas escolas ficou aturdido com tanto aumento de escala e limitou-se a copiar e a ampliar o que existia. O descalabro evidente sentenciou: está de novo tudo por fazer. As escolas portuguesas, algumas com mais de 50 anos de história, ficaram novamente em regime de instalação e no ano zero; e assim ficarão nos próximos anos.

esperança

05.03.11

 

 

 

 

 

 

A Assembleia da República anulou hoje a reorganização curricular do governo. Regista-se uma alteração significativa em relação às encenações parlamentares dos últimos tempos. Espera-se por uma nova iniciativa no sentido de suspender esta desmiolada avaliação de professores. É evidente que estas novas posições dos partidos da oposição estão condicionadas por dois fenómenos: a capacidade de mobilização dos cidadãos nas denominadas redes sociais e a firmeza e determinação dos que se movem pela razão. Não haja a mínima dúvida: o medo fez meia-volta e os que acreditam que vale a pena lutar devem olhar o futuro com esperança.

 

 

Oposição anula reorganização curricular do Governo

 

 

 

queda da máscara

05.03.11

 

 

 

Se alguém tinha duvidas, tenho ideia que ficou esclarecido: os professores são os salvadores da pátria. Dá a sensação que são quase os únicos a sofrer cortes nos salários (e desta vez não vou falar das barbaridades não financeiras perpetradas desde 2005) e a discussão à volta da possível revogação da redução curricular - ou redução da massa salarial, para se ser mais realista -, remete o governo para uma defesa que argumenta com a salvação das contas da nação. Divertido, no mínimo.

 

Às tantas, são os efeitos da existência dos movimentos não mainstream.

 

Para os menos crentes nos efeitos das lutas, deixo ficar um cartaz feito por jovens. Uma lição.

 

 

ontem, em sintra, voltou a morar a esperança

05.03.11

 

 

 

Ontem, a vida pessoal impedia qualquer saída das Caldas da Rainha. Mas à última hora, tudo se conjugou para que pudesse dar um salto a Sintra e acompanhar a vigília da APEDE. As minhas imagens estão mesmo impossíveis de publicar e espero que o mail consiga documentar mais esta inscrição da esperança. A noite esteve muito fria, mas foi especial. Sentiu-se o reforço anímico da vitória no parlamento. Tem sido tão longa e dura a luta cívica e exemplar dos professores portugueses, que as vitórias têm um efeito moralizador.

 

A mais dura das derrotas é quando se vai vencendo as diversas etapas pela força da razão, mas em que o momento da vitória final é constantemente adiado.

 

O núcleo de Sintra da APEDE deu sinal de vida pela voz do Ricardo Silva, registou-se o discurso esclarecido da deputada Ana Drago e a presença de membros de partidos políticos e sindicatos. Dá ideia que a actividade cívica dos últimos tempos provocou alterações no xadrez parlamentar, partidário e sindical.

 

Entretanto, reparei que o Mário Carneiro já tem aqui um post documentado com imagens. Enviou-me por mail as que publico de seguida, o que agradeço.