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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

crispação

02.03.11

 

 

 

É indisfarçável a agressividade nas relações profissionais nas escolas. À medida que se aproxima o final do ano lectivo, ninguém consegue ficar indiferente. A fase derradeira do modelo de avaliação vai ser dilacerante e a transição de anos lectivos preenchida por angústias justificadas. As primeiras páginas dos jornais recomeçam a dar sinais da avaliatite incontinente em que se transformou a avaliação dos professores portugueses. Este facto que deve ser inédito no mundo conhecido e foi instituído pela mão de um chefe de governo que declarou que os docentes do seu país nunca tinham sido avaliados até ao seu nascimento nesse cargo.

Os que em 2008 desenharam a divisão dos professores para sobreviverem ao susto que apanharam, podem vir a arrepender-se. Sempre se disse que a união histórica registada nessa data entre os professores, era um mínimo unificador comum. E um ambiente tão crispado como o que se começa a viver, pode ser explosivo e ter consequências imprevisíveis.

parcerias

02.03.11

 

 

 

A razão normalmente vence. O tempo de espera para a sua realização é que pode ser longo. Nesse caso, a exigência remete-nos para duas parcerias: a da razão com a paciência e a da razão com a determinação.

a grande evasão

02.03.11

 

 

A fuga dos professores é impressionante. Recebi por mail um texto bem elucidativo e que não é escrito por um professor.

 

Leia esta excelente crónica de Manuel António Pina.

 

Texto publicado no Jornal de Notícias

"Quem pode, foge. Muitos sujeitam-se a perder 40% do vencimento. Fogem para a liberdade. Deixam para trás a loucura e o inferno em que se transformaram as escolas. Em algumas escolas, os conselhos executivos ficaram reduzidos a uma pessoa. Há escolas em que se reformaram antecipadamente o PCE e o vice-presidente. Outras em que já não há docentes para leccionar nos CEFs. Nos grupos de recrutamento de Educação Tecnológica, a debandada tem sido geral, havendo já enormes dificuldades em conseguir substitutos nas cíclicas. O mesmo acontece com o grupo de recrutamento de Contabilidade e Economia. Há centenas de professores de Contabilidade e de Economia que optaram por reformas antecipadas, com penalizações de 40% porque preferem ir trabalhar como profissionais liberais ou em empresas de consultadoria. Só não sai quem não pode. Ou porque não consegue suportar os cortes no vencimento ou porque não tem a idade mínima exigida. Conheço pessoalmente dois professores do ensino secundário, com doutoramento, que optaram pela reforma antecipada com penalizações de 30% e 35%. Um deles, com 53 anos de idade e 33 anos de serviço, no 10º escalão, saiu com uma reforma de 1500 euros. O outro, com 58 anos de idade e 35 anos de serviço saiu com 1900 euros. E por que razão saíram? Não aguentam mais a humilhação de serem avaliados por colegas mais novos e com menos habilitações académicas. Não aguentam a quantidade de papelada, reuniões e burocracia. Não conseguem dispor de tempo para ensinar. Fogem porque não aceitam o novo paradigma de escola e professor e não aceitam ser prestadores de cuidados sociais e funcionários administrativos.

'Se não ficasse na história da educação em Portugal como autora do lamentável 'pastiche' de Woody Allen 'Para acabar de vez com o ensino', a actual ministra teria lugar garantido aí e no Guinness por ter causado a maior debandada de que há memória de professores das escolas portuguesas. Segundo o JN de ontem, centenas de professores estão a pedir todos os meses a passagem à reforma, mesmo com enormes penalizações salariais, e esse número tem vindo a mais que duplicar de ano para ano.

Os professores falam de 'desmotivação', de 'frustração', de 'saturação', de 'desconsideração cada vez maior relativamente à profissão', de 'se sentirem a mais' em escolas de cujo léxico desapareceram, como do próprio Estatuto da Carreira Docente, palavras como ensinar e aprender. Algo, convenhamos, um pouco diferente da 'escola de sucesso', do 'passa agora de ano e paga depois', dos milagres estatísticos e dos passarinhos a chilrear sobre que discorrem a ministra e os secretários de Estado sr. Feliz e sr. Contente. Que futuro é possível esperar de uma escola (e de um país) onde os professores se sentem a mais?"

negociação central

02.03.11

 

 

Negociação central é um forma do governo e de alguns sindicatos baralharem para darem de novo. Consta que está em preparação uma troca: concurso de professores para mobilidade pela simplificação do modelo de avaliação. Ou seja: oferece-se uma coisa óbvia, humanitária, sem custos e quase sem vagas por um passo que já se provou que só consegue certificar a farsa e o fingimento e sacrificar os professores contratados que voltarão a ser usados como moeda de troca. A estratosfera não consegue melhor que o existente e tem alergia à emancipação. O mínimo que deveriam ter era vergonha.