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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o estado do sistema escolar

24.02.11

 

 

Este post do Paulo Guinote é de leitura obrigatória. O sistema escolar está a ser desgovernado por pessoas que nada sabem de sala de aula e os professores não podem cruzar os braços. Só um detalhe: os professores que pediram aulas assistidas (que me desculpem os colegas contratados e mais um ou outro caso que se tem de "compreender"), têm neste post a prova do "crime".

aferições lusitanas

24.02.11

 

 

 

Parte da metodologia estava definida. Tratava-se de aferir a correlação entre a variável dependente "altura de adolescentes com 12 anos" e a variável independente "consumo diário de leite".

 

Os investigadores socorreram-se de dois especialistas do ME português em provas de aferição. Na primeira reunião, um dos especialistas foi peremptório: de acordo com a nossa vasta experiência, e para a obtenção da variável dependente "altura de adolescentes com 12 anos", colocam-se os jovens mais pequenos em cima de cadeiras com de 20,938 centímetros de altura.

enquanto uns

24.02.11

 

 

 

"Face ao exposto, os professores, abaixo assinados, da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Vila Real, exigem a suspensão imediata deste modelo e caso a sua pretensão não seja aceite reservam-se no direito de tomar medidas mais drásticas."

 

E é assim. Enquanto uns quantos dão a alma ao desconforto e não têm a dignidade profissional a saldo, outros anseiam passar pelos pingos da chuva à espera de não ficar em pior situação que o parceiro do lado.

cru

24.02.11

 

 

Este post do Rui Correia, no seu blogue "postal, um verbário", é de arrepiar. O melhor é passar por lá e fazer a leitura integral. Não resisti em colar a listagem de descritores do âmbito da avaliação de professores. Impressiona-me como há professores que se prestam, num modelo com este nível de profissionalidade, a observar aulas uns dos outros com a finalidade de pontuar os colegas e de os incluir ou não em quotas de excelente e muito bom. Tenho ideia que os mentores políticos da coisa até se devem rir. É que enquanto entretêm (ou torturam, se se quiser ser menos brando ou mais realista e cínico) os professores com este desmiolo, outras malvadezas vão sendo perpetradas com a maior das tranquilidades.

Leia-me esta lista de descritores:

 

  • Perfeita noção do tempo
  • Estratégia adequada, incluindo casos particulares (sic)
  • Tempo bom, mas não perfeito
  • Tempo razoável
  • Não tem estratégias
  • Dúvidas na linguagem (sic)
  • Não articula com a matéria anterior, mas integra na aula (sic)
  • Desvia-se da planificação
  • Em função da situação da aula altera as estratégias com sucesso em relação a 2/3 dos alunos
  • Em função da situação da aula altera as estratégias com sucesso em relação a 50% dos alunos
  • Em função da situação da aula tenta alterar as estratégias com sucesso mas não consegue (sic)
  • Não há tempos mortos, tem solução para 2/3 dos diferentes ritmos dos alunos (sic)
  • Não há tempos mortos, tem solução para 50% dos diferentes ritmos dos alunos (sic)
  • Utiliza todos os meios disponíveis com criatividade, de forma variável e propondo alternativas
  • Utiliza alguns dos meios disponíveis (mais de 3) com criatividade e de forma variável não propõe alternativas (sic)
  • Desenvolveu a aula numa sequência lógica imprimindo ritmo no desenvolvimento dos trabalhos, motivando 2/3 dos alunos, com grande entusiasmo (sic)
  • Desenvolveu a aula numa sequência lógica imprimindo ritmo no desenvolvimento dos trabalhos, motivando 50% dos alunos, com grande entusiasmo
  • Desenvolveu a aula numa sequência lógica imprimindo ritmo no desenvolvimento dos trabalhos, sendo pouco motivadores (sic)
  • 50% não é fomentada a criatividade nem a autonomia (sic)

 

custa observar

24.02.11

 

 

 

À medida que alguns professores vão remoendo a indignação e animando a ideia de suspensão desta desmiolada avaliação do desempenho, outros alinham voluntariamente no processo e regressam à sala de professores a carpir mágoas contra o sistema infernal em que vivemos. Depois admiramo-nos com o que tem acontecido aos professores e ao poder democrático da escola.