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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

já assinei

23.02.11

 

Petição para "a substituição do actual modelo de avaliação dos professores por um modelo justo, credível e que não constitua uma entrave para o trabalho com os alunos."

Considerando que: 
UM MODELO BASEADO NA AVALIAÇÃO ENTRE PARES NÃO PODE SER JUSTO, NEM EFICAZ, NOMEADAMENTE PORQUE ... 


1. Avaliadores e avaliados são concorrentes na mesma carreira profissional, o que fere inapelavelmente as garantias de imparcialidade. 

A progressão na carreira de cada professor depende, não apenas da sua própria classificação, como também da que os outros professores da mesma escola tiverem. Avaliados e avaliadores pertencem à mesma escola e são muitas vezes concorrentes aos mesmos escalões da carreira, o que (por si só) constitui forte motivo de impedimento. 

E, mesmo quando pertencem a escalões diferentes, é óbvio que o avaliador tem interesse directo nas classificações que atribui ao seu avaliado: se estiver posicionado em escalão igual ou superior, só terá a perder com a subida de escalão daquele; se, o que a lei também permite, o avaliador pertencer a um escalão de carreira inferior ao avaliado, é-lhe oferecida a possibilidade de o fazer marcar passo na carreira e poder alcançá-lo. 

Independentemente dos incontornáveis impedimentos legais – atente-se no artigo 44º do CPA, “Nenhum titular de órgão ou agente da Administração Pública pode intervir em procedimento administrativo ou acto: a) Quando nele tenha interesse; c) Quando tenha interesse em questão semelhante à que deva ser decidida.” – dificilmente se poderia conceber um esquema mais maquiavélico de “avaliação entre pares”, que só poderá ter como resultado a degradação do clima de trabalho nas escolas, já perfeitamente visível, aliás. Quanto ao princípio da imparcialidade, foi feito em pedaços. 

2. A divisão entre professores e professores titulares não acabou. Foi substituída pela divisão entre avaliadores e avaliados. 

Embora o Estatuto de 2010 tivesse retomado (em teoria) a carreira única, o novo modelo de avaliação reintroduziu (na prática) a divisão dos professores em duas categorias. Com a agravante de a actual divisão conseguir ser ainda mais artificial e arbitrária que a anterior. 

 

(...)


NOTA: O texto desta petição resultou de uma tomada de posição dos professores da Escola Secundária c/ 3º ciclo de Henrique Medina, Esposende, reunidos no dia 17 de Fevereiro de 2011.

da autonomia

23.02.11

 

 

 

Há muito que percebi que quem vive na capital e nos seus arredores é menos sensível à questão da autonomia, apesar do conceito que nos leva à responsabilidade ser independente da latitude ou da longitude. A proximidade com o poder centralizador baixa os níveis sensoriais.

 

A ideia de que a autonomia das escolas é perigosa por causa dos tiranetezitos, é um argumento com pouca força. Num sistema centralizado, um tiranetezito que ocupe uma posição cimeira pode ser ainda mais nefasto. Ainda por cima, as hierarquias do estado não são imunes à incompetência e ao despotismo uma vez que a esmagadora maioria dos lugares não são ocupados por eleição.

 

Não basta a autonomia para se evitar os tiranetezitos. É necessária a limitação de mandatos, a eleição por sufrágio directo e universal e um caderno eleitoral o mais amplo que se conseguir para que se evite a sobreposição dos interesses mais individuais. Quando não se evita esta última condição humana, a rápida descredibilização atinge os actores e as instituições.

clementinas

23.02.11

 

 

 

As escolas são alvos para promoções diversas. Por prestarem serviço público, vêem as recusas serem consideradas más vontades por parte dos mercados. Foi também assim que se construiu o insuportável caderno de encargos da escola actual.

 

Uma boa escola, com uma cultura organizacional respeitada pela comunidade, diz não com naturalidade. O contrário pode tornar a vida dos profissionais num inferno organizacional; por nada se recusar e, muitas vezes, por se permitir que os procedimentos sejam impostos de fora. É o que está a acontecer com o regime da fruta escolar. Duas vezes por semana, os alunos do primeiro ciclo têm direito a uma peça de fruta ou a um legume. Uma boa ideia. O que brada aos céus é o registo que se impõe aos professores, com a particularidade da distinção do nome do produto.

 

 

ai se a moda pega por cá

23.02.11

 

 

 

Recebi por email uma informação linkada que diz assim: "O ministro da Defesa alemão, Karl-Theodor zu Guttenberg, renunciou “definitivamente” ao título de doutor, reconhecendo a existência de “graves erros” na sua tese de doutoramento apresentada na Universidade de Bayreuth, depois de acusações de plágio.

Em sessão de esclarecimento da União Democrata Cristã (CDU), em Kelkheim (Hessen), na segunda-feira à noite, Guttenberg rejeitou, simultaneamente, as exigências da oposição para se demitir, garantindo que continuará em funções.(...)".