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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

despachos para quotas

16.02.11

 

 

As quotas na avaliação de professores começam a ser despachadas. Este post do Paulo Guinote é lapidar: "Há várias situações divertidas, mas a principal delas é a percentagem de Excelentes reservada aos Directores em cada DRE. Vai ser um fartar vilanagem e um velhacouto dos antigos que nem quero ver, na recompensa ao lambe-botismo. Espera-se a reacção da ANDE e ANDAEP."

 

É uma autonomia cómica e mais uma singularidade lusitana. O Conselho Geral elege e demite o director, mas o director regional é que avalia o desempenho. Pode saber mais no link disponibilizado.

 

Pode conhecer aqui os detalhes da formação para avaliadores. Se se interessa por estas matérias, repare nos formadores, nas entidades promotoras e na agenda. Não aprenderam nada com o passado recente e anunciam-se mais episódios do monstro que tanto nos custou a derrubar. A industria do eduquês, a tal que move milhões, no seu esplendor.

golpe

16.02.11

 

 

 

 

Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e sobras), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s ainda sem dono.

 

As agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo "tudo está mal na escola", enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.

 

Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a mentir logo ao pequeno almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a parque escolar. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.

 

Os últimos dias foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a coisa não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia na mistura.

 

Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado - tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos -  inflacionaram as notas, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente.

um teatro de sombras

16.02.11

 

 

 

 

 

Um teatro de sombras é o título da crónica de Santana Castilho no edição de hoje do Público. Com o devido agradecimento ao Octávio Gonçalves, publico uma parte que incide no desmiolo que continua a ocupar o topo da agenda e a infernizar a atmosfera relacional das escolas: a avaliação dos professores.

 

 

"O modelo de avaliação do desempenho dos professores é tecnicamente uma nulidade e politicamente um desastre. Introduziu nas escolas tarefas burocráticas e administrativas que representam, estimo, 40% do tempo activo dos docentes. Só o cumprimento da observação de aulas significa o sacrifício de um grande número de horários completos dos professores eventualmente mais qualificados. A sua lógica substituiu o clima cooperativo, que deve nortear o corpo docente de uma escola, por um espírito de competição malsã. A versão actual supõe (despacho nº 16034/2010 da Ministra da Educação, D.R. nº 206, II Série, de 22 de Outubro) 4 dimensões de actuação dos docentes, desdobradas em 11 domínios operacionais. Estes 11 domínios desagregam-se, por sua vez, em 39 indicadores, referidos a 5 níveis, cada um deles com múltiplos descritores, num total, pasme-se, de 72. Nenhuma inteligência sã suporta a permanência de tamanho monstro. Mas vai para três anos que toda uma comunidade docente é manipulada atrás da tela. E o que é duro de assumir é que tamanha tragédia só permanece em cena porque grande número de actores reescreve sadicamente nas escolas os guiões oficiais, numa psicótica fusão entre abusadores e abusados, entre personagens e actores, entre professores e burocratas."

carta aberta

16.02.11

 

 

O governo não cede na ideia de terminar com o par pedagógico na disciplina de EVT. Os professores não desistem. Há quem diga que o bloco central acordou as medidas que têm sido anunciadas para a Educação. A FNE já saiu da plataforma da Educação e o PSD não viabilizou no parlamento a suspensão da avaliação dos professores. O partido político de Cavaco Silva prepara-se para continuar a agenda desastrosa que arrasou o poder democrático da escola portuguesa.

 

 

Professores de Educação Visual e Tecnológica vão escrever uma carta aberta ao PSD