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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

commedia dell'arte

30.01.11

 

 

 

 

 

Andar por um país que está numa crise financeira bancária sem precedentes na história recente a exibir obra de milhões como se o dinheiro fosse seu ou como se essa prática despudorada de fazer campanha política não nos tivesse consumido o suficiente, está ao nível da pior commedia dell'arte.

 

Desprezo, alguma vergonha até, é aquilo que me vem à memória quando registo as imagens e os discursos dos actuais governantes na encenação da requalificação das escolas secundárias. Seguramente que devem ter dúvidas na justeza do improviso que aplicaram e isso exigia discrição. E depois, francamente: há o país real. A exemplo da imagem, o chefe do governo e a sua ministra da Educação deviam ter escolhido outra banda sonora e outros intérpretes musicais.

canetas

30.01.11

 

 

 

Ao que me dizem, a actual ministra do trabalho era uma sindicalista bem relacionada junto do soviete supremo europeu (SSE), também conhecido por poder central - que se faz pagar principescamente -  duma europa à deriva e que continua a produzir um dilúvio de minutas que têm regulado o caminho em direcção à vida eterna.

 

Tenho estado atento às declarações desta governanta. Aplico-me na observação dos comportamentos políticos de quem se dizia da defesa dos mais fracos. A referida ministra tem um jeito meio mimado de se exprimir, mas essa irritante forma não é para aqui chamada. O que me deixa perplexo é a sua convicta adesão a tudo o que seja destruição dos direitos inscritos no código do trabalho.

 

Os mentores dessas ideias andam há mais de dez anos a advogar precariedade e recibos verdes como panaceias para combater o desemprego. Em Portugal, já quase que só existem jovens precários e com recibo verde e o desemprego vai em números inéditos. Não satisfeitas, as canetas mimadas do SSE atiram-se às indemnizações por despedimento como aqui. Parece que só pararão quando a destruição lhes bater também à porta.

 

"Helena André quer pôr Portugal e Espanha em sintonia laboral

O Governo quer reduzir o valor das indemnizações por despedimento. A proposta aponta para o pagamento de 20 dias por cada ano de trabalho, em vez dos actuais 30 dias. Além disso, passa a existir um tecto de 12 meses no pagamento de compensações. A ministra do Trabalho, Helena André, diz que o objectivo é o de aproximar a legislação laboral de Portugal e Espanha."

xxxx-bravismo (a primeira parte desta palavra composta está na imagem)

30.01.11

 

 

 

 

(O pato está esqueleto,

mas o bravismo não desarma)

 

 

Falar "apenas" do que se sabe deveria ser obrigatório. Mas neste caldo de cultura bullshit (conversa da treta) que é a fatia maior da comunicação social actual, e em que as nossas finanças bancárias estão num estado semelhante ao da imagem, a manipulação do poder na democracia mediatizada atinge a raia da patologia.

 

Era claro se o governo dissesse que inventou a astronómica despesa nas escolas secundárias para dar uma resposta ao colapso financeiro e à crise que flagelou o nosso ramo imobiliário (essa resposta económica ficou a cargo da muito polémica parque escolar.sa).

 

Considerar que o sucesso escolar depende em grande parte das condições materiais das instalações onde se realiza é desconhecedor. Aproveitar um momento de chuva de euros emprestados para enunciar que o desastre que se abateu, desde 2005, sobre as escolas públicas é algo que será positivamente recordado mais tarde é uma descomunalidade. Não se pode, e não se deve (sublinho-o com a toda a veemência de que sou capaz), acreditar numa pessoa que faça uma afirmação dessas. Considero-a perigosa para a democracia (tudo o que escrevi foi bem pesado).

 

Sócrates: “Educação é o grande projecto para Portugal”