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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

em círculo

13.01.11

 

 

 

 

 

 

 

 

A desburocratização é o oxigénio que permitirá o ensino e um passo para a redefinição do poder democrático da escola. É absurda a carga burocrática associada a uma nota negativa. A desconfiança nos professores é transversal e não beneficia quem quer que seja. Em Portugal tem sido discutida a responsabilidade na origem do problema: mais à esquerda ou mais à direita?

 

Os professores não se livram do contributo para o inferno de papelada. Como bem escreveu José Luiz Sarmento, aqui, mais do que esquerda e direita (neste ângulo da escola) devemos falar de racionalidade versus inutilidade.

 

Socorramo-nos de um exemplo do século passado para não ferir suscetibilidades.

 

Quando alguém passava a dirigir um qualquer órgão e tinha de apresentar o programa de acção respectivo, como é que procedia? Em vez da racionalidade de apresentar uma proposta escrita, iniciava a primeira reunião com a seguinte formulação: "gostava de saber quem são os voluntários para redigir o programa (ou o projecto)".

 

Esta demissão impregnada de democraticidade (muitas vezes para esconder uma notória incapacidade em estabelecer propósitos concretos) embaraçava o ambiente, era inútil, gerava desperdício de tempo, burocratizava o processo e terminava numa cópia do primeiro exemplar externo que aparecesse pelo caminho.

 

Este estado de inoperância organizacional alastrava-se, conduzia as instituições a uma improdutividade exasperante e era assumido à esquerda e à direita.

in memoriam

13.01.11

 

 

Manda-me o dever da memória resgatar a merecida homenagem ao capitão de Abril Vitor Alves, cuja morte, ocorrida poucas horas antes das de um cronista cor-de-rosa, foi eclipsada por esta do espaço mediático.

De novo, parece que é mais fácil vender a alma por um prato de lentilhas que, após consumidas, vão desaguar na cloaca do esquecimento, do que dirigir o olhar para aqueles que se afirmaram no palco da nossa história recente como figuras exemplares de nobreza, de inteligência e de coragem.

Vitor Alves foi uma dessas figuras, como o facto que relato, que directamente me implicou, confirma.

Vitor Alves foi o primeiro ministro da Educação de Abril. No ano lectivo 1975/76, apresentei-me a concurso como professor provisório. Ora, o ano escolar começara em Outubro, os dias iam passando, depois os meses e eu não era colocado. Talvez lá para Dezembro, fui a Lisboa ao departamento do Ministério relacionado com os concursos para saber o que se estava a passar. Vi então com estes olhos como, espalhados nos corredores, muitos boletins de inscrição no concurso se amontoavam, à espera de quem os processasse. Fiquei alarmado e a esperança de que a sorte me bafejasse ficou seriamente abalada. Fui entretanto sabendo que as colocações iam decorrendo e passou Janeiro até que, nos fins de Fevereiro de 1976, recebi um telefonema do Liceu de Leiria para me apresentar ao serviço. Fi-lo a 3 de março. Entretanto, quando me foi processado o primeiro pagamento, fui informado de que iria ser rembolsado a partir do ano escolar, com contagem desse tempo como tempo de serviço. Fiquei supreendido primeiro, depois reconhecido pelo gesto e mais estimulado para continuar a minha actividade docente. Ainda agora guardo comigo o diploma que determinou esta medida: o Decreto nº 202/76, de 20 de Março.

Como disse, Vitor Alves era o timoneiro da pasta da Educação. Embora não saiba que papel lhe coube nesta reposição da justiça, é ele o principal rosto da mesma. Daqui lhe quero, por todos os que dela beneficiaram, render-lhe o meu agradecimento e a minha homenagem, embora póstuma.

Oxalá hoje se olhe de novo com esperança e com ternura para esse tempo, que, não sendo já o nosso, ainda nos pode alumiar os caminhos árduos que temos de percorrer.

 

 

Vasco Tomás

e se entrarmos em recessão

13.01.11

 

 

Lemos, processamos e temos o direito de fazer projeções como os economistas. Se falharmos, apenas competimos com o mainstream. Pelo que percebo, se entrarmos em recessão o produto interno desce e a dívida pública sobe, mesmo que a despesa esteja controlada. Só mesmo umas exportações astronómicas é que salvarão a coisa. Perguntam-me: mas não se tinha de cortar salários e aumentar impostos? Tinha de se cortar na despesa, é certo, mas há toneladas de despesa para cortar sem ser massa salarial e estou cansado de o repetir.

 

Sou sincero: a euforia com o sucesso de ontem deixou-me meio perplexo. Juros da dívida a 6,7% são uma descomunalidade e numa semana a coisa altera-se, considerando a volatilidade dos mercados.

 

Krugman: emissão de dívida de ontem foi “pouco menos que ruinosa”

 

"A taxa de juro de 6,7 por cento a que o Governo colocou ontem Obrigações do Tesouro a dez anos no mercado é “pouco menos de ruinosa”, de acordo com o economista liberal Paul Krugman.(...)"