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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

sem decoro

12.01.11

 

 

Não vou discutir agora a razão que assiste às cooperativas do ensino não superior. Tenho respeito por muitas delas e por muitos dos professores que leccionam nessas instituições.

 

O que me traz aqui é a campanha do actual presidente. Não há local por onde passe com cobertura televisiva em que não apareça uma manifestação de uma escola cooperativa. A todos o ainda presidente sorri e dá explicações e justificações sobre o corte que lhes cabe na contenção orçamental. Grande parte dessas manifestações são feitas em tempo de aulas e com alunos à mistura. E sobre isso, a comunicação social nem uma vírgula refere. Tudo normal.

 

Imaginem o que seria se os professores resistentes tivessem usado alunos nos picos da luta em defesa da escola pública. Ou se tivessem paralisado as aulas para virem para a rua protestar com o apoio dos alunos. Seria a indignação nacional.

 

Quando se luta contra uma grande injustiça, a memória fica mais desperta. Nos tempos áureos da contestação, os professores que contestavam viam os dirigentes das cooperativas do lado do governo, do lado da avaliação que diziam praticar e ouviam o seu tom crítico e de desprezo em relação a manifestações e contestações. Era tudo gente muito fina. Agora é "vê-los" na rua, munidos de palavras de ordem, com ameaças de providências cautelares e de fecho de escolas por tempo indeterminado.

 

Há uma diferença que se acentua. Os professores resistentes não tinham apenas uma agenda financeira e não beneficiavam dos ouvidos da cooperação estratégica.

suspenda-se

12.01.11

 

 

 

Era fundamental que os responsáveis pelo sistema escolar conjugassem o verbo eliminar em vez do acrescentar com o auxiliar reformar. A conjugação febril dos dois últimos durante duas décadas recheadas de eduquês e de excesso de garantismo (ou infantilização), construiu uma traquitana infernal de má burocracia que será difícil derrubar de modo a libertar o ensino.

 

Quando uma lógica FMI se quer impor, nem que seja apenas através de uma promessa fantasmagórica que esmague da classe média para baixo, os cortes a eito fazem o seu caminho. É justo e natural que os cortados se queixem.

 

Há dois aspectos que bradam mais aos céus:

  • os outrora "afastados" (era com as outras nêsperas) da escusada, e pouco fina, luta dos professores, aparecem desta vez munidos de manifestações, petições, cooperações estratégicas em campanha e providências cautelares;
  • o governo do mesmo partido político que em 2006 cortou sem apelo nas reduções da componente lectiva dos professores, repôs as "benesses" no ano eleitoral de 2009 mesmo que com a bancarrota já anunciada, para agora recolher de novo o despesismo.

O mais penalizador de toda esta desmiolada forma de desgovernar é verificar que estamos há cinco anos em processo de destruição e com a ideia de que já ninguém consegue conjugar o saudável construir. E depois, começa a irritar que os cortes protejam tudo o que se relaciona com as máquinas (sem eufemismo) partidárias.

 

Ministério da Educação quer suspender todos os projectos nas escolas

"Todos os projectos desenvolvidos pelas escolas - do desporto escolar aos clubes, planos de acção e tutorias - podem desaparecer. A suspensão consta da proposta de despacho de organização do ano lectivo que o Ministério da Educação enviou a associações e sindicatos.(...)"

abrangências

12.01.11

 

 

 

 

Há um conjunto de conceitos associado a estas novas realidades que requerem precisão concetual para que a linguagem permita uma comunicação assente em bases sólidas. É, por exemplo, nuclear perceber a distinção entre um computador e um sistema de informação. O segundo é mais abrangente, uma vez que integra a tecnologia, os procedimentos organizacionais, os métodos e as políticas que tratam a informação, mas também as pessoas que exercem funções no seu seio.