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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ética republicana

06.01.11

 

 

 

O desperdício na sociedade portuguesa tornou-se patológico e qualquer alusão à ética na vida pública por parte dos actores mais mediáticos soa a plástico. O que ontem me aconteceu na entrevista a Fernando Nobre repetiu-se de algum modo com Manuel Alegre. Quando o segundo evocava a ética republicana, esse chamamento era intocável. Nesta altura, e até Manuel Alegre transmite o mesmo sentimento, a atmosfera repete o que escrevi em Outubro do ano passado: "Defendo a liberdade e a democracia. Prefiro o regime constitucional republicano. Mas sou franco: estou enjoado de tanta República e mais ainda da nobre ética republicana."

bpn versus bpp

06.01.11

 

 

Era fácil de concluir: a seguir à ligação do actual presidente ao caso SLN e BPN apareceria um qualquer caso ligado ao segundo classificado nas sondagens. Vi agora a entrevista a Manuel Alegre na RTP1 e registei a explicação sobre um caso BPP levantado ontem por uma deputada do CDS que também se batia de forma fervorosa a favor dos cortes salariais e contra a ousadia de quem recorre aos tribunais. O assunto BPP não é para ser levado a sério, pelo menos neste nível do jogo político.

 

Percebo que os apoiantes de Cavaco Silva se abespinhem com qualquer dúvida sobre as práticas do candidato. Sempre acreditaram na existência de um homem acima de qualquer suspeita e na sua propalada superioridade em relação aos políticos. Ora, este é uma caso de transparência na informação por parte do mais alto magistrado da nação. Não vi qualquer alusão à seriedade. E essa confusão foi o candidato que a fez e às tantas pesa o erro cometido com a escolha das companhias. A vitimização irritada não é um bom sinal e a recusa das explicações só piora a condição.

 

Por muito que custe, a noção do ridículo merecia um limite numa campanha presidencial. Vote-se em quem se votar, a dimensão destes dois casos é incomparável. A prova disso é o testemunho em directo dos dois candidatos e Manuel Alegre tem estado bem e faz questão de afirmar que é humano; e isso só ajuda a democracia e mais ainda nesta altura.

metas e métodos

06.01.11

 

 

 

A gestão central do desenvolvimento curricular é um bom estudo de caso para quem queira perceber o inferno de má burocracia que afecta o ensino e conhecer o grau de desrespeito e de incompetência organizacional de quem decidiu este tipo de processos nas últimas duas décadas.

 

O futuro organizacional das escolas terá de se haver com as propaladas metas de aprendizagem. Não vou evocar as formas de abastecer a industria do eduquês que custa milhões e que se alimenta de comissões da acompanhamento, de especialistas em burocracia pedagógica, de acções de formação para procedimentos administrativos do currículo, de reuniões sem fim com agendas repetidas e por aí fora. Não vou sequer socorrer-me dos eternos dilemas e disputas entre a semântica dos objectivos e das metas.

 

Remeto-nos apenas para o método de obtenção e fornecimento de informação e para a ausência de qualquer sistema ou método moderno que se associe ao processo. Zero, ou melhor, menos do que zero. Em pleno 2011, o ME dá asas e repisa a pior das suas marcas. Mas mais: o depesismo das metas faz jus a uma interrogação que se adivinha de infinitas repetições: mas onde está a crise?

degrau

06.01.11

 

 

 

 

 

A descida ao inferno segue o seu inexorável caminho e inclina-se de degrau em degrau. Não me venham com as peculiaridades óbvias do nosso atraso: o "ancestral" catolicismo tacanho dos europeus do sul ou os cinquenta anos de ditadura no século passado. Com mais de trinta anos de democracia, um governo do partido socialista assinou um despacho que garante retroactivos a Janeiro de 2010 para cargos de nomeação política na segurança social com a intenção de reparar os cortes salariais de 2011.

 

Está de tal modo aprisionada pela ganância, que a democracia não consegue fazer nomeações não enlameadas. Veja-se esta arrepiante proposta do PSD.

 

Fiscal das contas públicas certificou irregularidades no BPP

 

"O presidente do grupo de trabalho para criar a comissão encarregue de fiscalizar as contas públicas, António Pinto Barbosa, certificou durante cerca de dez anos as contas do BPP.(...)"