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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o baralhado

03.01.11

 

 

 

A televisão entrou, por excepção, pouco depois das 19h00 porque o Sporting jogava na SIC. Finda a partida, o comando descansou na RTP 1 e na entrevista a Defensor Moura. Quatro mandatos consecutivos como autarca finalizados de forma controversa. Disseram que o seu partido não o quis. Não tolerar os caciques da sua zona foi a resposta do candidato, que contrariou assim a acusação da entrevistadora de ser um intolerante e um rejeitado.

 

Pouco antes do desmentido, tinha assegurado que o seu sucessor foi escolha sua e que quem disser o contrário está a mentir.

 

Não vou acusar a jornalista Judite de Sousa de pouco conhecedora da democracia por não ter explorado o paradoxo. Pareceu-me apenas que estava a fazer um frete. Também, pudera: entrevistar um republicano com convicções monárquicas e aspirante a cacique com veemências anti-caciquistas, não é para qualquer paciência.

os eis

03.01.11

 

 

 

 

 

O calendário quebra rotinas e exige olhares menos habituais. Estou a pensar no ano que terminou e em algumas perplexidades. Apesar de tudo, não paro de me surpreender.

 

Troco palavras com quase todos os que me a requerem. Essa atitude permite-me perceber estados de espírito e características da máquina humana.

 

Há um grupo, que vou denominar de éticos-invertidos-e-severos (EIS), que é constituído por professores e por outras pessoas que se interessam pelas questões da Educação e que tomou como suas as razões do governo; por serem militantes ou simpatizantes do actual PS, por não valorizarem a actividade docente ou apenas por subscreverem as políticas.

 

Uma das minhas perplexidades focou-se na epidérmica reacção dos EIS aos mínimos comportamentos dos professores contestatários ou até aos actos daqueles que, uma vez por outra e por desígnio da oportunidade, se decidiram pela defesa do poder democrática da escola (PDE). Os EIS nada perdoaram. Um qualquer excesso de linguagem em defesa do PDE foi logo considerado um ataque à democracia, à liberdade, ao orçamento de estado, às obrigações do trabalho para alguns e à independência da nação.

 

Mas, e por outro lado, os EIS coabitaram, desfazendo-se em simpatias, com os mais diversos tipos de invertebrados: desde membros efectivos da hecatombe financeira, até a jogadores indispensáveis da rede de "sucateiros" (que me desculpem os sucateiros honestos), passando por professores que se aproveitaram de vazios de poder para darem largas ao mais despudorado dos oportunismos. A estes, os EIS nada criticaram. Entraram, recentemente, no estado de desejar-apenas-que-caiam.

falam, falam

03.01.11

 

 

Todos os dias existem denuncias de abuso financeiro por parte de serviços do estado e isso corrói a democracia, mesmo que fique a sensação que nada acontece.


Noutro dia foram os escandalosos aumentos na segurança social com retroactivos a Janeiro de 2010 de modo a compensar os cortes salariais em 2011. Agora são os gestores hospitalares que não olham a meios para satisfazerem as suas benesses ilimitadas.

 

É como se sabe. A inundação da agenda mediática com notícias de escândalos financeiros pode ter dois objectivos perversos: banalizar as práticas e descredibilizar a democracia. Há um dado que os mentores da coisa acabam sempre por esquecer: as consequências das guerras e das catástrofes tocam a todos e chegam mesmo aos lugares mais "seguros".