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Foi daqui
O ministério da Educação, através da MISI, certifica programas informáticos de gestão escolar de acordo com esta nota introdutória: "A certificação incide sobre a especificação dos ficheiros XML gerados e exportados pelas aplicações informáticas e não relativamente às funcionalidades dos programas informáticos. A análise dessas funcionalidades e a decisão sobre a sua adequação às necessidades da Escola ou Agrupamento são de responsabilidade dos respectivos Conselhos Executivos."
"Mas esta aplicação nem os totais de alunos disponibiliza", dizia-me noutro dia um professor que se ocupa da parametrização de sotfware de gestão escolar numa escola. É realmente espantoso. Uma aplicação informática que está quase generalizada não fornece os totais referidos. Ou seja: sempre que se quer saber com rigor o número de alunos de uma escola ou agrupamento, tem de se colocar os óculos para ver ao perto, pegar numa calculadora e pedir o apoio de alguém exímio em aritmética em ambiente de listagens analógicas. Não espanta que a nossa dívida pública esteja no estado que se conhece.
Por isso, não admira que, numa fase em que todos os estudos prospectivos da rede escolar deveriam estar optimizados através do tratamento exaustivo das preferências nas matrículas de alunos para o próximo ano cruzadas com as previsíveis taxas de insucesso, o que acontece é uma espécie de atentado ao profissionalismo.
Não surpreende, também, que neste ambiente ainda não se tenha apurado o serviço docente para o ano seguinte, de modo a definir com rigor as necessidades em termos de recursos humanos. Esses dados não são perspectivados em devido tempo e isso adultera as colocações de professores e faz subir a despesa com a existência escusada de professores sem actividade lectiva.
Se este é o estado do sistema escolar, imagine-se se a desmultiplicação deste despudor se faz na generalidade das áreas. O Banco de Portugal deu, como se viu em tempos recentes, sinais semelhantes nas suas tarefas de supervisão.