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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a não celebração é parte integrante do medo de existir?

17.11.09

 

Foi daqui.

 

 

 

 

São recorrentes os discursos de cautela no seio dos professores que lutaram contra as políticas do ministério da Educação do anterior governo PS; o actual tem o mesmo chefe mas poderá ser obrigado a mudanças significativas. Sempre que se regista alguma vitória, surge de imediato um elenco de avisos de que não é bem assim e que "ainda vais ver que fica tudo como está". 

 

Sabe-se que este processo foi longo e muito cansativo. Também se conhece que os professores foram registando vitórias aparentes, sucessos que não se concretizavam, e que se tornaram em triunfos tão amargos que mais pareciam derrotas.

 

Nesta altura não temos de ter nenhum medo de existir e devemos celebrar várias vitórias. Aconteça o que acontecer, já ninguém defende a divisão da carreira nem o monstro burocrático de avaliação. Vão ser agendadas alterações na gestão escolar, nos horários dos professores e no estatuto do aluno. Ora, e que raio, tudo isto se deve à justa luta dos professores e à força da razão. E quando escrevo professores, estou a referir-me às suas ligações na chamada nova rede (blogues, movimentos, sms´s e emails) e a alguns dos seus sindicatos.

 

Celebremos e continuemos a luta. O ânimo é sempre uma parte fundamental para quem resiste; mais ainda, quando o festejo reside em impressões objectivas.

interessante; será o dilema entre "o não perder a face toda" e "o acabar já com o pesadelo"?

17.11.09

 

 

 

 

O ratinho de Kohlberg?

 

PS ainda sem sentido de voto para projectos da oposição sobre avaliação dos professores

 

"O líder parlamentar do PS afirmou hoje que "ainda está em aberto" o sentido de voto dos socialistas face aos diplomas da oposição sobre revisão do modelo de avaliação dos professores e revisão do Estatuto da Carreira Docente.

Projectos de lei e de resolução do PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes", todos no sentido de acabar com o actual modelo de avaliação dos professores, vão ser discutidos em plenário na quinta-feira e votados no dia seguinte.(...)"

 

 

coisas da blogosfera

17.11.09

 

 

Foi daqui.

 

 

 

O blogue de Ramiro Marques tem um post, aqui, que deve ser lido com toda a atenção. Tem matéria mais do que óbvia e bastante positiva. Colo-a de seguida com um bold para o que considero mais relevante.

 

 

"Alexandre Ventura, ex- presidente do CCAP e actual secretário de estado adjunto da educação, tem em mãos o dossier avaliação de desempenho. É ele que está a preparar o esboço de modelo de ADD que a ministra da educação apresentará aos sindicatos ao longo desta semana.

A crer na última recomendação do CCAP - Recomendação nº 2 de 19 de Junho - o novo modelo de avaliação de desempenho terá os seguintes contornos:

1. Os ciclos de avaliação serão alargados de forma a coincidirem com os ciclos de progressão na carreira: mínimo de 4 anos e máximo de 6 anos, consoante o escalão em que o docente se encontra.

2. Os procedimentos de avaliação de desempenho incidem sobre o ano de transição de escalão, ou seja o último ano do ciclo."

 

600.000

17.11.09

 

 

Como já escrevi algumas vezes, o número de visitantes deste blogue nem está contado desde o início nem tem tido um contador comum e constante. Os primeiros anos foram mesmo sem contador e tenho ideia que ouve alturas em que apenas recorri ao sitemieter. Mas como essa aplicação teve uns problemas e como os seus layouts não me agradavam, mudei há coisa de dois anos, salvo erro, para o apollofind que tem uns gráficos interessantes e uma informação que me é suficiente.


Hoje aconteceu um detalhe curioso: o "correntes" atingiu no apollofind 600.000 visitantes dedicados e 955.000 hits. Verifiquei que o utilizador 600.000 veio cá parar através de uma pesquisa google, com o critério "correntes", que foi direccionado para um post cujo título é "tem comprimidos para o enjoo aí?" e que é dedicado a mais uma notícia sobre o inenarrável ME que dizia assim: Ministério da Educação assume que acordo com sindicatos não é possível.

 

A título de curiosidade o blogue registou ontem as entradas que se pode ver no quadro e com as proveniências referidas que o ligam, naturalmente e com honra, aos blogues de professores.

 

Depois de 1782 posts e 4413 comentários, o blogue manter-se-á com a linha editorial que escolheu para os últimos três anos.

 

 

Top 15 Referrers:
684
Self Referring / Bookmarker
578
Google Search
82
http://educar.wordpress.com/
53
http://www.profblog.org/
39
http://www.profblog.org/2009/11/ecos-da-entrevista-da-ministra-na.html
36
http://sinistraministra.blogspot.com/
35
http://profslusos.blogspot.com/
18
http://movimentopromova.blogspot.com/
18
http://educacaosa.blogspot.com/
9
http://ocartel.blogspot.com/
7
https://blogs.sapo.pt/tag.bml?tag=humor
6
Ask Jeeves Search
5
http://www.sinistraministra.blogspot.com/
5
https://blogs.sapo.pt/novosposts.bml
5
http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/psd-apresenta-projecto-mais-aberto-para-os-p
rofessores_1409463

 

esclarecimento sobre o projecto de resolução do psd

17.11.09

 

Foi daqui. 

 

 

 

 

 

Recebi de Ilídio Trindade, coordenador do MUP, o seguinte esclarecimento.

  

"Caro Professor Ilídio Trindade.

Agradeço o contacto e a oportunidade para esclarecer a posição do PSD que alguns têm tentado distorcer.

O Projecto do PSD refere expressamente o prazo de 30 dias, após a sua aprovação para a extinção da divisão da carreira em 2 categorias (entre professores titulares e não titulares) e para a consagração de um novo modelo de avaliação (também em 30 dias).

Nesse sentido, parece-nos óbvio que todos os procedimentos relativos ao 2º ciclo avaliativo deverão ser imediatamente suspensos. É uma questão de bom senso que, certamente - no caso do Projecto do PSD ser aprovado -, os Directores e o próprio ME compreenderão.

De resto, no ponto 3 do nosso Projecto, prevê-se a criação de um enquadramento transitório que garanta que professores que não participaram no 1º ciclo avaliativo que agora termina (por exemplo, por não terem entregue os objectivos individuais), não sejam penalizados na sua carreira.

Assim, nomeadamente com a possibilidade - já assumida pela Ministra - de todos poderem entregar as fichas de auto-avaliação, só não progredirá quem não quiser.

O Projecto não refere explicitamente a "suspensão" do actual modelo de avaliação. Na verdade, este Projecto vai mais longe, prevendo que - no prazo de trinta dias - haja uma substituição (logo, uma revogação e não uma mera suspensão) do actual modelo.

Se se confirmar a ideia expressa pelo PM ontem de que apoiará o projecto do PSD, tal significará uma grande evolução do PS que deveremos saudar. E significará, principalmente, o fim da divisão na carreira e a morte do modelo de avaliação que ainda vigora (recordo que, por enquanto, o PS nunca disse que era contra a divisão na carreira e apenas falou em aperfeiçoamentos no modelo, nunca falou num novo modelo...).

Será assim uma grande vitória da luta que os professores travaram nos últimos 2 anos. E a esse respeito, penso que todos devemos estar gratos àqueles que (como o meu amigo) lideraram, empenhada e entusiasticamente, essa luta.

Se o Projecto do PSD for aprovado, estão criadas todas as condições para que a paz volte às nossas escolas e, assim, nos concentremos na qualidade do ensino e nas aprendizagens dos nossos alunos.

Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em contactar-me."

 


Pedro Duarte
Deputado do PSD

 

estudar as datas na escola ajuda a compreender a identidade do país

17.11.09

 

 

 

 

Foi daqui.

 

 

 

No início da década de noventa li uma série de livros de Francesco Alberoni. Achei-os interessantes e guardo de alguns dos seus estudos aprendizagens importantes. Depois, quase que lhe perdi o rasto. Recebi por email um texto seu que resolvi publicar. Diz assim:

 

 

 

 

"Estudar as datas na escola ajuda a compreender a identidade do país.

 

por Francesco Alberoni,

Publicado em 10 de Novembro de 2009

 

 

Nos últimos 40 anos, os pedagogos quase destruíram as bases do pensamento racional e os fundamentos da nossa civilização. E fizeram-no com a ajuda de uma única decisão: eliminando as datas, acabando com a obrigatoriedade de apresentar os factos por ordem cronológica. Agora é normal ouvir dizer que Manzoni viveu no século xvi. Não há razões para espanto porque na escola já não se ensinam os acontecimentos pela respectiva ordem temporal, dizendo, por exemplo, que Alexandre Magno viveu antes de César, que, por sua vez, viveu antes de Carlos Magno, e só depois vem Dante e, em seguida, Cristóvão Colombo.

Esta pedagogia foi importada dos Estados Unidos, um país sem história que tenta anular as raízes históricas dos seus habitantes para que se tornem cidadãos norte-americanos. Aplicá-la a Itália, produto de uma estratificação histórica com 3 mil anos, e ao resto da Europa, que tem raízes culturais gregas, romano e judaico-cristãs, é equivalente a destruir-lhes a identidade. Ao contrário de nós, as civilizações islâmica e chinesa estudam obstinadamente a sua história, para se conhecerem melhor e se reforçarem.

Perder a capacidade de ordenar cronologicamente os acontecimentos significa igualmente perder a identidade pessoal. Quando perguntamos a alguém "Quem és?", essa pessoa conta-nos o que fez e o que faz nesse momento. Quando procuramos trabalho, apresentamos o nosso currículo. Quando nos apaixonamos, contamos a nossa vida à pessoa que amamos. Hoje vemos muita gente que já não sabe ordenar aquilo que viveu e vê o passado apenas como uma sucessão caótica de acontecimentos.

A desordem no pensamento reflecte-se na língua. A escola já não ensina gramática, análise cronológica ou consecutio temporum. Há quem não distinga o passado próximo do passado remoto, quem não perceba a lógica do conjuntivo e do condicional e alguns confundem até o presente com o futuro. É a desagregação mental, a demência.

Cara ministra Gelmini, peço--lhe que me dê ouvidos e afaste todos os pedagogos desta corrente nefasta. E depois, por favor, obrigue todos os professores a fazerem um curso de História com datas e um curso de Gramática. Finalmente, mande instalar em todas as salas de aula um grande cartaz horizontal onde estão assinalados, por ordem cronológica, todos os episódios significativos da história, para que os nossos jovens possam habituar-se à sucessão temporal. Uma muleta para o cérebro."

 


Sociólogo, escritor e jornalista.

 

uma questão de honra

17.11.09

 

 

Um texto de Mário Crespo; aqui.

 

 

"Mark Felt foi um daqueles príncipes que o sólido ensino superior norte-americano produz com saudável regularidade. Tinha uma licenciatura em Direito de Georgetown e chegou a ser uma alta patente da marinha dos Estados Unidos. Com este formidável equipamento académico desempenhou missões complexas no Pentágono e na CIA.

Durante a guerra do Vietname serviu no Conselho Nacional de Segurança de Henry Kissinger. Acabou como Director Adjunto do equivalente americano à nossa Polícia Judiciária. Durante vários anos foi Director Geral interino do FBI. Foi nesse período que Mark Felt se tornou no Garganta Funda. Muito se tem escrito sobre as motivações de um alto funcionário do aparelho judiciário americano na quebra do segredo de justiça no Watergate. Todo o curriculum de Felt impunha-lhe, instintivamente, a orientação clássica de manter reserva total sobre assuntos do Estado. Hoje é consensual que Mark Felt só pode ter denunciado a traição presidencial de Nixon por uma razão. Para ele, militar e jurista, acabar com o saque da democracia americana era uma questão de honra. Pôr fim a uma presidência corrupta e totalitária era um imperativo constitucional. Felt começou a orientar em segredo os repórteres do Washington Post quando constatou que todo o aparelho de estado americano tinha sido capturado na teia tecida pela Casa Branca de Nixon e que, com as provas a serem destruídas, os assaltos ao multipartidarismo ficariam impunes. A única saída era delegar poder na opinião pública para forçar os vários ramos executivos a cumprir as suas obrigações constitucionais. Estamos a viver em Portugal momentos equiparáveis.Em tudo. Se os mecanismos judiciais ficarem entregues a si próprios, entre pulsões absurdamente garantisticas, infinitas possibilidades dilatórias que se acomodam nos seus meandros e as patéticas lutas de galos, os elementos de prova desaparecem ou são esquecidos. Os delitos ficam impunes e uma classe de prevaricadores calculistas perpetua-se no poder. Face a isto, há quem no sistema judicial esteja consciente destas falhas do Estado e, por uma questão de honra e dever, esteja a fazer chegar à opinião pública elementos concretos e sólidos sobre aquilo que, até aqui, só se sussurrava em surdinas cúmplices. E assim sabe-se o que dizem as escutas e o que dizem as gravações feitas com câmaras ocultas que registam pedidos de subornos colossais. Ficámos a conhecer as estratégias para amordaçar liberdades de informação com dinheiro do Estado. E sabemos tudo isto porque, felizmente, há gente de honra que o dá a conhecer. Por isso, eu confio no Procurador que mandou investigar as conversas de Vara com quem quer que fosse. Fê-lo porque achou que nelas haveria matéria de importância nacional. E há. Confio no Juiz que autorizou as escutas quando detectou indícios de que entre os contactos de Vara havia faces até aqui ocultas com comportamentos intoleráveis. E, infelizmente o digo, confio, sobretudo, em quem com toda a dignidade democrática e grande risco pessoal, tem tomado a difícil decisão de trazer ao conhecimento público indícios de infâmias que, de outro modo, ficariam impunes. A luta que empreenderam, pela rectificação de um sistema que a corrupção e o medo incapacitaram, é muito perigosa. Desejo-lhes boa sorte. Nesta fase, travam a batalha fundamental para a sobrevivência da democracia em Portugal. Têm que continuar a lutar. Até que a oposição cumpra o seu dever e faça cair este governo."