Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

as coisas que se vão sabendo mesmo antes das reuniões

16.11.09

 

Foi daqui.

 

 

Sindicatos da Educação acreditam em novo modelo de avaliação em "30 a 60 dias"

 

"A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) revelou hoje “expectativas positivas” antes de reunir com a tutela, manifestando-se confiante de que é possível estabelecer “num curto espaço de tempo” um novo modelo de avaliação de desempenho.

“Estamos com expectativas positivas e esperamos da parte do Ministério da Educação a compreensão de que se torna essencial eliminar os factores de perturbação que existem nas escolas”, afirmou o secretário-geral da FNE.

(...)“Acreditamos que é possível, com base na avaliação feita pela OCDE, Conselho Científico para a Avaliação de Professores e pareceres das organizações sindicais, estabelecer um novo modelo de avaliação de desempenho num curto espaço de tempo”, acrescentou, apontando para “30 a 60 dias”.

(...) Após reunir com a tutela, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou também que a ministra Isabel Alçada reconheceu a “prioridade” e “urgência” da revisão daqueles diplomas e reiterou aos sindicatos que “todas as matérias estão em aberto”.(...)

 

 

 

fora do alcance

16.11.09

 

Foi daqui.

 

 

 

E não é que num dos momentos mais sobreaquecidos da luta dos professores e quando é consensual a queda dos titulares e do monstruoso modelo de avaliação, eis que a questão que consegue absorver o maior débito de caracteres e de consumo de neurónios é a estratosférica obtenção da menção de excelente ou de muito bom por parte de um reduzido número de professores através do "complex dois" que durou, em média, cerca de sete meses.

 

É, com toda a certeza, um caso impar na Europa - está bem, eu sei que é inaudito apenas na do centro e na do norte -.

 

Ninguém acreditaria que depois de quatro anos desastrosos para a escola pública, assistiríamos a um braço-de-ferro através da exponencial e sofisticada troca de argumentos para a solução de matéria tão tradutora do propalado rigor e do estímulo da meritocracia.

 

Não; não está ao alcance de um qualquer país.

para além de tudo, era um projecto recheado de eduquês

16.11.09

 

 

BE retira projecto de lei que estabelece novo modelo de avaliação de professores

 

"O Bloco de Esquerda deixou cair o projecto de lei que estabelecia um modelo integrado de avaliação das escolas e dos professores, por considerar inoportuna a sua votação quando sindicatos e Governo estão em negociações.(...)"

 

rasgão

16.11.09

 

 

 

Foi daqui.

 

O PSD abandonou a ideia de suspensão do modelo de avaliação de professores rasgando o "Compromisso da Educação" que tinha assinado com os movimentos de professores, deixando com essa atitude desiludidos muitos dos que confiaram nesta "plataforma" dos partidos da oposição. Não vou, neste texto, discorrer sobre o que está a acontecer na luta dos professores e do poder democrático da escola, mas tentarei apenas invadir a esfera dos compromissos que não se cumprem e das fidelidades à ideia da escola pública de qualidade para todos.

 

Não gosto de advogar-me um estatuto de adivinho, mas escrevi antes das legislativas uns textos que não foram muito bem aceites pelos meus colegas resistentes, como por exemplo este, onde registei a minha impressão para a necessidade de se quebrar a nefasta lógica de arco-do-poder.

 

Pugnei por essa quebra, porque percebi que, com mais ou menos demagogia, era do lado de fora dessa ambiência que se encontrava uma resposta com rumo e significado para a encruzilhada em que se encontra o nosso sistema escolar. Bem sei que o discurso de Ana Drago, por exemplo, não cola com o eduquês que inunda o programa para a Educação do bloco e que as intervenções de alguns dos deputados da CDU estão emaranhados no muro de má burocracia que asfixia o ensino - esta organização responde às minutas com mais minutas, soluciona o excesso de má burocracia com excrescências de má burocracia, revela o mesmo afastamento das salas de aula e tem horror à supressão de procedimentos que é o único caminho que pode salvar o nosso sistema escolar -. 

 

Sempre disse que a agenda do actual PS tinha tiques e inscrições miméticas em comparação com as dos seus parceiros do arco-do-poder e que era abençoada e estimulada pela cooperação estratégica com Belém. E mais: separa-me dessas organizações um princípio básico: é para mim inaceitável que se sustente a asserção "privatização de lucros e nacionalização de prejuízos" em qualquer área da governação, mas muito mais ainda na Educação básica - para já não referir a secundária e a superior como é máxima nas nações desenvolvidas -.

 

O PSD rasgou, sem qualquer convicção e com um exasperante oportunismo, este modelo de avaliação para caçar os votos dos resistentes e rasga agora o "Compromisso da Educação" para não perder o lumpen. Não adianta esperar transmutações de carácter, nem nas pessoas nem nas organizações: o genoma dos princípios é também infalível e nos momentos mais sobreaquecidos dá sempre sinal de si.

 

nomear

16.11.09

 

 

Foi daqui.

 

 

 

O governo parece muito preocupado com as escolas e com os professores que aderiram ao inexequível modelo de avaliação - a sua queda e substituição é comprovada e consensual - e que o efectivaram em seis meses e nas condições que se conhece. Argumentam que esses aderentes tiveram uma carga de trabalho elevada e que não podem ser defraudados.

 

Quem for bem intencionado, e estiver informado, sabe que não é assim. São os próprios relatórios do ME que falam em medo e mais outras coisas de bradar. Também se conhece a atmosfera de fingimento e de farsa que vigorou e vigora, para já não falar dos conhecidos oportunismos que tanto nos envergonham como classe profissional. E ao que se sabe, os inúmeros porta-folhas não atestam da qualidade profissional de quem quer que seja.

 

Mas se quisermos raciocinar nas categorias cínicas que Maquiavel advogava, podemos dizer que o governo do partido socialista está com medo de perder mais professores: os que foram indefectíveis das suas políticas e os que movem os valores de acordo com as circunstâncias. Não se esqueçam que o calendário eleitoral é uma incógnita. E desculpem-me a franqueza e a veia fracturante que se apoderou de mim nos últimos tempos. São os limites da paciência.