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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

vergonha e ponto final

11.11.09

 

 

Foi daqui

 

 

 

Há, ou pelo menos houve, professores com medo nas escolas portuguesas. E não é receio por ter de se entrar numa sala de aula; isso existe, sabemos que sim. O que quero evidenciar é o medo do ambiente de cortar à faca que se instalou. Medo de se ser perseguido numa atmosfera insidiosa, em muitos casos do tipo pró-fascista (não tenhamos medo de usar as palavras fortes), que caracterizou o ambiente insuportável que recebeu a anuência de alguns dos diplomas legais que o ME produziu nos últimos quatro anos. Que ninguém tenha dúvidas disto. Aquela gente gordurosa, com espírito tiranete e que pulula nas sociedades, recebeu uma verdadeira licença de condução.

 

Quando, no ano lectivo passado, alguém questionou um dos secretários de estado em plena Assembleia sobre este assunto, recordo que a irónica e insensível resposta foi: "coitadinhos dos professores".

 

Leia então a notícia que se segue e veja como um dos actuais secretários de estado caracteriza o ambiente que se vivia, e que se vive ainda, em algumas escolas portuguesas. Uma vergonha e ponto final.

 

Modelo de avaliação suscitou críticas ao actual secretário de Estado

 

"O actual processo de avaliação dos docentes criou, nas escolas, um clima de perturbação, tensão e até de medo. A constatação consta de um relatório concluído em Junho pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), cujo presidente, Alexandre Ventura, é agora um dos secretários de Estado da nova ministra da Educação, Isabel Alçada.(...)"

 

ser macmaníaco

11.11.09

 

 

Leio sempre com um sorriso as pequenas crónicas de Miguel Esteves Cardoso no Público. É um regresso que saúdo, já que a última vez que o li com assiduidade foi no Expresso e na década de oitenta.

 

Numa das últimas o MEC confessa que se tornou um "macmaníaco" na mesma altura em que eu o fiz . Achei muita piada aos argumentos e resolvi espalhá-los por aqui.

ministra vai dar informação às escolas sobre avaliação

11.11.09

 

Foi daqui.

 

 

 

"Isabel Alçada admite que as escolas não prossigam o actual modelo de avaliação de professores". Realmente, os professes têm de ter muita paciência para estes jogos de sombras. Para além disso, qualquer noticiário que se preze, e nos mais variados registos, abre com o assunto. Ouvem-se as coisas mais inacreditáveis: a senhor ministra dizia hoje uma coisa tão básica que me arrepiou; foi mais ou menos assim: "os professores sabem que a avaliação é importante para eles". E depois acrescentava: "haverá um novo modelo para o próximo ciclo e todos os professores vão ser avaliados neste".  Quem conhece bem estas matérias percebe que é a confirmação óbvia: o que existe não tem ponta por onde se pegue.

 

Dá ideia que o braço-de-ferro do governo com os professores tem agora Isabel Alçada pelo meio. Veremos como as coisas acabam.

 

E é também uma devassa profissional como nunca se viu. No fim-de-semana vi o programa de Marcelo Rebelo de Sousa na RTP 1. Quando a jornalista lhe pediu os principais problemas do país, o mais-do-que-actualizado professor começou logo pela avaliação; literal. Avaliação sem mais nada: já todos saberiam de que avaliação se estaria a falar.

 

Mas, e segundo a notícia do expresso, aqui, da conferência de Isabel Alçada pode ainda concluir-se o seguinte: 


"Sem adiantar qualquer informação sobre o que será o novo modelo de avaliação do desempenho dos professores, a ministra da Educação anunciou hoje que vai dar orientações às escolas para que "não haja trabalho que não corresponda a necessidades efectivas e que não tenha consequências."

Por outras palavras, 
Isabel Alçada admite assim pela primeira vez que as escolas possam não continuar o trabalho para o próximo ciclo avaliativo (2010/2011) de acordo coma as regras em vigor.

Em relação ao primeiro ciclo de avaliação, referente ao passado ano lectivo, Isabel Alçada mostrou menos abertura às pretensões dos sindicatos, garantindo que as notas atribuídas vão ter efeitos na carreira.

Já em relação ao facto de haver professores que por não terem entregue os seus objectivos individuais, não foram avaliados pelas escolas  - ao contrário do que aconteceu noutros estabelecimentos de ensino - Isabel alçada não deu uma resposta concreta.

Tal como não admitiu claramente o fim da divisão da carreira docente em duas categorias. "É matéria que analisaremos, a carreira tem que ter formas e definir a progressão e esta tem de estar relacionada com avaliação", afirmou a ministra em conferencia de imprensa no final da primeira ronda negocial com os sindicatos do sector."