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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ele há liberalismo e liberalismo

07.11.09

 

 

 

 

 

Stuart Mill

 

 

 

 

Keynes

 

 

"Ele há liberalismo e liberalismo; aqui.


Dizendo não saber o que é o neoliberalismo relembram os novos liberais (editorial do Público) que Keynes era um liberal da cepa anglo-saxónica de Adam Smith ou Stuart Mill. O curioso é que desta forma fica mais claro o que o ‘neo’ está a fazer em neoliberal. Serve exactamente para vincar que existe um liberalismo contemporâneo que nada tem a ver nem com Keynes, nem com Smith, e muito menos com Mill e tudo tem a dever a Mises, Hayek e Friedman. Um liberalismo (neo) que só se incomoda com o poder quando é político (e apesar de tudo sujeito a escrutínio democrático) e fecha os olhos a poderes privados hoje por vezes mais poderosos do que os primeiros (que se eximem de prestar contas a quem quer que seja).

 

Um liberalismo que não se opõe a ‘associações de capitais’ com poder bastante para fazer de todos nós reféns, merecia pior do que um ‘neo’ para vincar a diferença relativamente à venerável tradição de que se quis apropriar. ‘Associações de capitais’ a quem temos de pagar para continuar a ter emprego? Não vale a pena perguntar a Smith ou Mill o que achariam disto se cá viessem abaixo outra vez, eles deixaram escrito."

 

tanto sócrates que até enjoa

07.11.09

 

 

Foi daqui.

 

 

Já se viu: o actual primeiro-ministro não desgruda e continua a sua obstinada saga "co-incineradora" usando como arma a avaliação dos professores. Este ps não aprende. Repare-se no renovado ministro Lacão que entrou a "matar" e regressou cambaleante sem saber bem o que fazer ao fim de meia-dúzia de dias. É até paradoxal como o chefe do governo, enquanto ministro do ambiente, defendia de forma determinada a eliminação de resíduos tóxicos e aparece depois a defender de forma continuada, e com unhas e dentes, uma solução monstruosa que se evidencia pela desflorestação sem limite ao estimular a inutilização de resmas e mais resmas de papel A4. Mas mais: o senhor Sócrates está omnipresente e não deixa os seus ajudantes respirar.

 

Ora leia a notícia que se segue.

 

 

Ministra da Educação começa negociações com sindicatos

 

"É a concretização da promessa de Sócrates feita anteontem no Parlamento de abrir de imediato uma ronda negocial sobre a carreira e avaliação dos professores: Isabel Alçada vai iniciar conversações com os sindicatos já na próxima terça-feira.

O Governo antecipa-se, assim, à discussão que os partidos da oposição querem fazer no Parlamento. Ontem, o líder da bancada do PSD, Aguiar-Branco, jogou a sua carta, ao convidar os restantes líderes parlamentares para uma reunião destinada a encontrar "uma solução" quanto à avaliação e à carreira dos professores.

Por seu lado, o PCP quis agendar o seu processo de suspensão do actual modelo mas não o pôde fazer, porque ainda não foram feitos agendamentos de iniciativas legislativas.

Para a ronda negocial com o Governo, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, já disse o que estará em cima da mesa. "Iremos colocar logo à cabeça um processo de revisão do estatuto para que, entre outros objectivos, seja alcançado o fim da divisão da carreira docente e a substituição deste modelo de avaliação por um que efectivamente seja sério e justo", afirmou Mário Nogueira. 

A questão dos prazos para encontrar uma solução para a avaliação começa a ganhar relevância: por um lado, os sindicatos dão conta de uma crescente impaciência dos professores face ao impasse, e por outro, a oposição quer resolver o problema antes da discussão do Orçamento de Estado, ou seja, antes do final deste ano. Este condicionamento pode ditar a que a proposta do CDS-PP seja feita sob a forma de projecto de resolução: tem apenas a força legal de uma recomendação ao Governo, mas uma vez aprovada pelo plenário não precisa de ser discutida em comissão parlamentar. Foi essa a solução jurídica adoptada pelo grupo parlamentar d""Os Verdes", que apresentaram um projecto de resolução em que recomendam a suspensão do sistema de avaliação e o início do processo de negociações com os sindicatos."

 

não suspender sem mais

07.11.09

 

 

Foi daqui. 

 

 

 

Não suspender o modelo de avaliação sem alternativa já é um avanço, realmente; é óbvio que quem faz estas afirmações reconhece a falência do modelo, mas mantém os tiques da teimosia e da mais profunda demagogia: 49.000 professores já avaliados. Quem conhece o que se passou não deixa de sorrir com toda esta encenação. E fica a questão: como é que um conjunto de indicadores de avaliação imensuráveis na sua quase totalidade, consegue transformar-se numa prioridade nacional?

 

Conhecemos as respostas e os professores só se podem sentir orgulhosos: há três anos atrás partiram isolados para esta luta e, contra tudo e contra todos, deram uma lição de democracia e de espírito cívico.

 

 

Sócrates “de acordo” com Portas na avaliação dos professores

 

"O primeiro-ministro defende que “só suspender o modelo de avaliação” dos professores “seria uma irresponsabilidade”. “Como é que se vai explicar aos que tiveram bom e excelente para que tudo vai voltar para trás?”, interrogou-se José Sócrates, durante o debate do Programa de Governo, em resposta ao líder do CDS-PP, Paulo Portas, que desafiou o primeiro-ministro a pronunciar-se sobre as linhas gerais do modelo defendido pelos centristas.

“Anotei que não quer a suspensão sem mais. Estou muito de acordo com isso. Só suspender seria uma irresponsabilidade”, disse Sócrates. “A melhor solução é todos reflectirem como é que se pode melhorar a avaliação”, acrescentou, rejeitando “deitar ao lixo o que foi feito só porque alguns querem fazer um ajuste de contas político”."