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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

sem palavras

30.11.09

 

Foi daqui.

 

 

 

 

Depois de duas ou três tentativas infrutíferas, o Agrupamento de Escolas de Santo Onofre elegeu os docentes ao Conselho Geral Transitório (CGT), o órgão que de acordo com a nova legislação escolhe o director.

 

O concurso/eleição do órgão unipessoal de direcção decorreu ontem com a participação de três candidatos. Entre os oponentes, verificou-se a presença da ex-presidente do Conselho Executivo (CE) destituído e a do coordenador da Comissão Administrativa Provisória (CAP). Ao que me informaram, o CGT elegeu o actual coordenador da CAP.

mais uma pérola de josé luiz sarmento

30.11.09

 

 

Aqui e de seguida.

 

 

"Engenheiros ou classicistas?

 

Uma coisa é dizer que precisamos de mais engenheiros que classicistas; outra é dizer que precisamos mais de engenheiros que de classicistas. A diferença entre estas duas afirmações está em que a primeira releva do bom senso e a segunda da mais completa falta de visão.

 

De engenheiros, precisamos aos milhares (se alguns deles forem, além de engenheiros por profissão, classicistas por gosto, tanto melhor: serão certamente melhores engenheiros). De classicistas, talvez só precisemos de umas dezenas.

 

Mas oito alunos a aprender Grego no Secundário, só oito a nível nacional, parece-me muito pouco. Poderá dar-se o caso de o País estar em dificuldades mais por falta de classicistas, historiadores e filósofos do que por falta de engenheiros?"

 

ode à mentira

30.11.09

 

 

Cortesia de Manuela Silveira.


 

 

 

 

Crueldades, prisões, perseguições, injustiças,

como sereis cruéis, como sereis injustas?

Quem torturais, quem perseguis,

quem esmagais vilmente em ferros que inventais,

apenas sendo vosso gemeria as dores

que ansiosamente ao vosso medo lembram

e ao vosso coração cardíaco constrangem.

Quem de vós morre, quem de por vós a vida

lhe vai sendo sugada a cada canto

dos gestos e palavras, nas esquinas

das ruas e dos montes e dos mares

da terra que marcais, matriculais, comprais,

vendeis, hipotecais, regais a sangue,

esses e os outros, que, de olhar à escuta

e de sorriso amargurado à beira de saber-vos,

vos contemplam como coisas óbvias,

fatais a vós que não a quem matais,

esses e os outros todos... - como sereis cruéis,

como sereis injustas, como sereis tão falsas?

Ferocidade, falsidade, injúria

são tudo quanto tendes, porque ainda é nosso

o coração que apavorado em vós soluça

a raiva ansiosa de esmagar as pedras

dessa encosta abrupta que desceis.

Ao fundo, a vida vos espera. Descereis ao fundo.

Hoje, amanhã, há séculos, daqui a séculos?

Descereis, descereis sempre, descereis.

 

Jorge de Sena, in 'Pedra Filosofal'

o caso de santo onofre visto de fora

29.11.09

 

 

 

 

 

 

Os últimos acontecimentos em Santo Onofre têm-me proporcionado mais um pico de informação. Uma professora de uma das escolas da cidade das Caldas da Rainha e que acompanha o caso de Santo Onofre com interesse, enviou-me um texto para publicação. Claro que está tudo identificado, mas para sua protecção omito o seu nome.

 

"Ainda não acredito no que aconteceu. Deves andar com náuseas. Um abraço solidário. Podes publicar este texto no teu blogue?


Uma vitória de Maria de Lurdes Rodrigues e uma vergonha para os professores de Santo Onofre! E - sobretudo - uma traição aos outros professores que tiveram a coragem e a dignidade de afirmar os seus princípios e de lutar por eles em nome de todos. 


A Escola de Santo Onofre foi, de certa forma, um símbolo da nossa luta contra as políticas sustentadas na maioria absoluta do PS. Lembro-me dos aplausos nas manifestações à passagem dos professores de Santo Onofre; lembro-me da admiração pela firmeza desta escola no confronto com o autoritarismo e a arbitrariedade da anterior equipa do ME. Fomos, debaixo de chuva intensa, aos portões desta escola apoiar os seus professores - nossos colegas - e manifestar o nosso repúdio pelo carácter fascista da medida tomada pelo ME: a destituição de um Conselho Executivo democraticamente eleito e a imposição de um intruso na direcção da escola. E eis que, agora, os mesmos professores de Santo Onofre fazem o impensável: legitimam, eles próprios (!!), como director da escola precisamente o intruso da CAP. Alguém que, ao facto de ter sido imposto à escola por um poder arbitrário, acrescenta agora, segundo consta, uma manifesta e provada incompetência para o exercício do cargo!


Tentar explicar um comportamento destes (e muitos outros a que temos assistido) é confrontarmo-nos com uma miséria que não é apenas profissional, mas humana. Manuel J. Gomes, tradutor de Étienne de La Boétie, escreveu: “Se em 1600 era tarefa difícil escrever um prefácio a La Boétie, hoje não é mais fácil. Hoje como nos tempos de La Boétie e Montaigne, a alienação é demasiado doce (como um refrigerante) e a liberdade demasiado amarga, porque está demasiado próxima da solidão.” Referia-se à obra “Discurso da Servidão Voluntária”, de La Boétie, cuja leitura atenta e reflectida seria útil a muita gente. 


Por aquilo que a Escola de Santo Onofre representou, entre os professores e para a opinião pública, na legítima luta dos professores pela Educação, um desfecho destes significa uma pesada derrota e uma humilhação para todos. Isto sim, faz-me perder a esperança.


Afinal a dignidade, a firmeza e a coragem não tinham o rosto nem o nome da Escola de Santo Onofre. Tinham os rostos e os nomes de alguns professores desta escola. Havia poucos Professores em Santo Onofre! Estou a lembrar-me do conto, que li quando era criança, “O rei vai nu” e de como, quando o rei percebe que os outros já descobriram a sua nudez, corre envergonhado a esconder-se no palácio. O nome da escola apenas abrigava um pacato rebanho que aguardava o pastor/o chefe que os protegesse e conduzisse... nem que seja em sentido contrário ao que seguiram até agora. Se é que seguiam algum!


Um rebanho que, assim, impõe aos outros professores a triste imagem da falta de classe da classe docente."

 

Autora identificada.

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