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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o debate entre jerónimo de sousa e manuela ferreira leite

09.09.09

 

 

... foi cordato; ouviu-se perfeitamente o que cada um tinha para dizer. Quando duas pessoas com posições políticas muito diferentes mantém tanta serenidade, é natural que a moderadora comece a perder alguma energia; não tenho ideia de já ter ouvido esta jornalista (a não ser noutro debate desta pré-campanha eleitoral), mas reparei que tinha alguma dificuldade em articular as ideias com momentos em que repetiu duas e três vezes cada uma das frases.

filhos de operários

09.09.09

 

 

Foi daqui.

 

 

"(... ) O senhor de Guermantes cumprimentava no pátio dois casais que eram mais ou menos próximos do seu mundo: uns primos seus, que, tal como os casais de operários, nunca estavam em casa para tratar dos filhos, porque a mulher saía logo de manhã para a "Schola", para aprender contraponto e fuga, e o marido para o seu atelier, onde fazia escultura em madeira e cabedais martelados, (...)"

 

 

 

Marcel Proust,

"Em busca do tempos perdido",

tradução de Pedro Tamen,

volume 3, página 32.

do medo

09.09.09

 

 

Foi daqui. 

 

 

Um leitor identificado escreveu-me assim: "Quando a Sophia e o Alexandre O´Neill escreveram estes poemas, em Portugal vivia-se com medo. Medo da ditadura. Medo da PIDE. Medo do Salazar. Medo de falar aquilo que se pensava. Medo de ser preso, de ser torturado. Medo de ser assassinado. Mesmo assim havia quem arriscasse e dissesse o que pensava (...)."

 

E depois enviou-me dois poemas (o primeiro já o publiquei há uns tempos) dos escritores referidos.
 


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
 
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não. 
 
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam mas tu não.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

PERFILADOS DE MEDO

 

Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
a vida sem viver é mais segura. 

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos. 

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós. 

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido

 ALEXANDRE O‚NEILL