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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a ministra da guerra

03.09.09

 

 

Texto de Manuel António PIna, aqui, e publicado de seguida.

 

"A ministra da Educação parece ter por certa a vitória do PSD nas próximas legislativas e fala já no futuro das políticas educativas de Ferreira Leite: "Paz com os professores vai sair muito cara ao país", augura ela catastroficamente no "Diário Económico". O discurso bélico de Maria de Lurdes Rodrigues deixa perceber o modo como entendeu o seu papel político no governo de Sócrates, o de ministra da Guerra aos professores.

Nem, porém, os bombardeamentos maciços a decreto-lei ou os flanqueamentos por despacho resultaram e, cercada de descontentamento por todos os lados (o próprio Sócrates reconheceu os "erros" do processo de avaliação), a ministra dedicou os últimos tempos do mandato a tácticas clássicas da complexa arte das guerras perdidas, manobras de diversão e recuos estratégicos, tudo para, como diz, "poupar" o país aos malefícios da paz e do consenso educativos. O PS optou por escondê-la durante a campanha eleitoral porque constatou que o invocado país não aprovou afinal a guerra da ministra e se mostra disposto a pagar o que for preciso, até eleger Ferreira Leite, para se livrar dela."

 

coisas do i

03.09.09

 

 

 

Foi daqui.

 

 

A edição impressa de hoje do novo jornal diário "I" tem uma reportagem alargada sobre a luta dos professores relacionando-a com o momento político. Resultou numa coisa bonita como o Paulo Guinote testemunha aqui e digitalizou aqui.

 

Recebi ontem um telefonema de um dos seus jornalistas para uma entrevista. A minha relação com os órgãos de comunicação social tem uma dicotomia clara: antes e depois do "correntes". Sempre escrevi uns textos para as edições impressas dos jornais nacionais e regionais e fui entrevistado algumas vezes por órgãos de comunicação social dos diversos suportes, mas depois do "correntes" comecei a ser muito mais comedido; remeto-os muitas vezes para o blogue. Mas a luta dos professores é o que é e nem sempre consigo dizer que não às entrevistas telefónicas e que depois são passadas para as edições impressas; e importa que se diga, também sabemos da azáfama das redacções dos jornais.

 

E tudo isto para dizer que o jornalista que ontem me entrevistou baralhou-se e imputou-me declarações que não fiz e que ainda por cima se contradizem de algum modo com textos que tenho escrito no blogue. Não é a primeira vez que isso acontece e nem será a última. Não vou entrar em detalhes porque a coisa nem é muito importante, mas fica o reparo para depois não dizerem que eu não gosto de sair da blogosfera.

matemática em campanha eleitoral

03.09.09

 

Foi daqui.

 

Telefonou-me um professor meu amigo indignado com o que acabava de assistir. Está em Viana do Castelo numas jornadas do plano da matemática organizadas pela associação respectiva que é presidida pelo senhor professor Arsélio (não sei o apelido) que, e segundo me disseram, venceu um dos prémios de professor do ano.

 

O que o indignou foi a alteração do programa e sem qualquer aviso prévio: a abertura das jornadas ficaram a cargo da ainda ministra da Educação e com direito a cerca de uma hora de tempo de antena.

 

Assim vai o país em tempos de campanha eleitoral.

 

Entretanto o jornal Público faz a seguinte notícia sobre as referidas jornadas.

 

"Falar de facilitismo nos exames é desrespeitar trabalho das escolas ", defende ministra

 

"A ministra da Educação disse hoje, em Viana do Castelo, que "falar de facilitismo nos resultados dos exames de Matemática é um total desrespeito pelo trabalho realizado pelas escolas e professores nos últimos quatro anos".

"Não podemos ter uma atitude de pessimismo e de descrença sobre o trabalho realizado", acentuou Maria de Lurdes Rodrigues, garantindo que, nos últimos anos, as escolas, os professores e os alunos trabalharam mais, o que resultou numa melhoria progressiva dos resultados da disciplina.

A ministra falava aos jornalistas no final da sessão de abertura do congresso ProfMat 2009, que teve lugar no pavilhão gimnodesportivo de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo. O ProfMat 2009 decorre na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo até 05 de Setembro e conta com a presença de 600 professores.(...)"

nomes

03.09.09

 

Foi daqui.

 

 

"(...) Na idade em que os Nomes, por nos oferecerem a imagem do icognoscível que neles vazámos, justamente porque designam para nós também um lugar real, nos forçam por isso mesmo a identificar um com o outro, a tal ponto que numa cidade partimos à procura de uma alma que ela não pode conter mas que já não temos o poder de expulsar do seu nome, não é apenas às cidades e aos rios que eles conferem uma individualidade, como acontece com as pinturas alegóricas, não é apenas o universo físico que matizam de diferenças, que povoam de maravilhoso, é também o universo social: então, cada solar, cada palácio ou palacete famoso, tem a sua dama ou a sua fada, assim como as florestas têm os seus génios e as águas as suas divindades. Por vezes, oculta no fundo do seu nome, a fada transforma-se em conformidade com a vida da nossa imaginação que a alimenta; e assim era que a atmosfera em que a senhora de Guermantes existia em mim, depois de durante anos não passado de um reflexo num vidro laranja-mágica e de uma vitral de igreja, começava a desvanecer as suas cores, quando sonhos muito diferentes a impregnaram da espumante humidade das torrentes. (...)"

 

Marcel Proust,

"Em busca do tempo perdido",

tradução de Pedro Tamen,

volume 3 página 10.

 

evidências

03.09.09

 

Foi daqui.

 

Professores: "delicadeza" de Sócrates não chega para mudar o voto

"O que é que o governo precisa fazer para provar aos professores que está arrependido? O primeiro-ministro José Sócrates admitiu falhas na forma como o seu executivo lidou com o sector da educação e garantiu mais "delicadeza" no futuro; a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, reconheceu "dificuldades de comunicação" com os professores e assegurou "fazer melhor no futuro". As promessas chegam tarde para sindicatos, movimentos independentes, associações ou docentes do ensino público. Ninguém acredita neste "arrependimento" em véspera de eleições e todos dizem que o Ministério da Educação teve quatro anos para mudar de atitude.(...)"