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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

chega de cinismo

02.09.09

 

 

Foi daqui.

Ministra admite problemas de comunicação com professores mas nega críticas ao seu trabalho

 

"A ministra da Educação admite que existiram problemas de comunicação entre Governo e professores nos últimos quatro anos, como considerou, ontem, José Sócrates mas garantiu que não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro.

Maria de Lurdes Rodrigues, que falava à margem de uma visita à Escola Básica e Secundária de Albufeira, reagia, assim, à entrevista de José Sócrates à RTP, na qual o chefe do Executivo admitiu falhas na forma como lidou com os professores, comprometendo-se a restaurar uma relação "delicada" e "atenta" com os docentes se voltar a formar Governo.(...)"

 

Esta senhora que ainda ocupa as funções de ministra da Educação promoveu o maior ataque ao prestígio de uma classe profissional de que há memória na democracia portuguesa; e fê-lo em representação de um governo que não só não a demitiu em devido tempo como ainda se escondeu atrás dela nos momentos de maior tensão. Dá ideia que a redução de cerca de 20 mil professores nos dois primeiros anos transformou a ainda senhora ministra numa estrela num conselho de ministros obcecado com a redução da despesa. E o mais grave é que se poderia ter feito esta redução da despesa sem esta autêntica "caça ao professor". Agora, nada há a fazer como não me canso de repetir.

como foi possível?

02.09.09

 

 

Foi daqui.

 

Houve um fenómeno estranho no que às políticas da Educação dos últimos quatro anos diz respeito - pronto, está bem, caro leitor, sei que foram imensos os acontecimentos raros e até as epifanias, mas a simplificação ajeita-me os escritos -.

 

Sabe-se que este governo emergiu do partido socialista e também se conhece que vários dos seus membros estudaram ou leccionaram no ISCTE (Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa) com particular destaque para os ministros da Segurança Social e da Educação. É claro que também se imagina que Émile Durkheim deve dar voltas e mais voltas no túmulo quando toma nota das habilidades deste governo: é que cerca de um século depois das suas invenções, o que se tem visto por aqui é uma dedicação exclusiva à manipulação das estatísticas, acrescentada de um rol de conclusões decorrentes daquilo que já se começa a classificar como "sociologia por encomenda".

 

E como é que foi possível que ao fim de quatro anos não tenhamos ouvido, por parte destes governantes, uma palavra sequer dirigida à organização do trabalho de modo a possibilitar mais tempo para a Educação das nossas crianças? O que se registou foi um silêncio ensurdecedor e incompreensível. Nem uns apelos aos encarregados de educação sobre duas questões fundamentais: a hora em que os mais pequenos se deitam ou o tempo gasto na utilização das tecnologias e a sua relação com o aumento da obesidade infantil, por exemplo.

 

Foram anos perdidos e com a agravante de se ter acentuado a ideia de "escola armazém" de um modo que vai ser muito difícil reverter. Nisso estamos cada vez mais afastados dos países que o actual governo gostava de apontar como exemplo.

 

Tenho escrito várias entradas sobre o assunto. Numa delas entrou um comentário muito pertinente e que colo de seguida.

 

"Não é ficção... 

Em Julho/Agosto de 2005 fui até à Holanda... cerca de 10 dias. 
Foi com surpresa que verifiquei que todo o comércio... desde lojas de chineses... a centro comerciais... fechavam rigorosamente às 18:00 ou 18:30h (não me recordo bem)... de 2ª a 5ª feira. Às 6ºs feiras fechavam às 20:30. No 1º Sábado da minha estadia... fui a um centro comercial por volta das 16:45h ... e para meu espanto... passado alguns minutos verifiquei que todas as lojas estavam a encerrar. Pensei que algo de anormal se estava a passar... perguntámos qual a razão. Era simples... informaram-nos que o comércio encerrava aos sábados às 17:00h e que no domingo estava encerrado... esclarecendo-nos que tinham sido medidas tomadas pelo governo holandês para protecção às famílias. Disseram-nos também que as empresas iniciavam o fim de semana à 6ª feira ao meio-dia... e se quisessem fazer mais 1:30h de 2ª a 5ª... não abririam à 6ª feira. 
Estranho não é? E não me lembro de os ouvir queixarem-se de falta de produtividade... 

Realmente... há gente muito estranha... 
Ah... e já agora... são loucos por andar de bicicleta... 
Também me pareceu serem pessoas que estavam muito bem com a vida... 
Mas deixem lá... provavelmente foram só impressões minhas... 

Um abração para todos vós. 

Agostinho Caetano"

inglourious basterds

02.09.09

 

 

Foi daqui.

 

 

Não digo que sim a todos os filmes de Quentin Tarantino e considero "Pulp Fiction" a sua obra maior. Partilho com ele a inclusão de duas fitas nas dez melhores de sempre (e sei que isso das dez melhores tem mesmo imenso que se lhe diga) que também me encheram as medidas: "Taxi Driver" e "Carrie"; mais a primeira que a segunda, obviamente.

 

Este "Inglourious Basterds" (Sacanas sem lei) é mesmo um grande filme. Um argumento sobre a segunda guerra - um tema inesgotável - mas com uma narrativa algo surpreendente e com uma montagem quase perfeita (dá ideia que a parte final foi acelerada de modo a evitar que o filme ultrapassasse as três ou mesmo as quatro horas). Uma boa banda sonora e algumas interpretações de encher o olho.

 

No site do Público pode ler-se:

 

"Quentin Tarantino junta-se a Brad Pitt, Diane Kruger, Daniel Bruhl, Christoph Waltz, Mike Meyers, Michael Fassbender e Mélanie Laurent num tributo a "Quel Maledetto Treno Blindato", um filme de guerra italiano, de 1978, realizado por Enzo Castellari e que saiu nos EUA com o título "The Inglorious Bastards". 
Durante a II Grande Guerra assistem-se a corajosas lutas: do tenente Aldo Raine (Brad Pitt), conhecido como Aldo, o Apache, especialista nos escalpes e líder dos Sacanas, um grupo de soldados americanos escolhidos para espalhar o terror entre os nazis, eliminando-os com especial requinte; de Bridget von Hammersmark (Diane Kruger), uma famosa actriz alemã que na verdade colabora com a Resistência Francesa; e de Shosanna (Mélanie Laurent), uma rapariga judia sobrevivente ao massacre da sua família que acaba em Paris, a gerir um cinema durante a ocupação dos alemães.
Nessa sala de cinema, durante a grande estreia de "O Orgulho da Nação", um filme de propaganda nazi, em que o próprio Hitler e os principais líderes tinham previsto marcar presença, o grupo dos Sacanas e Shosanna cruzam-se com um objectivo comum: a destruição do III Reich."

 

Pode ver um pequeno vídeo com imagens do filme.

alcaides - lá como cá -

02.09.09

 

 

(imagem registada com o meu telemóvel)

 

 

 

 

É quase sempre um risco regressar a um lugar onde se foi feliz; mesmo assim tentámos e não tivemos razões de queixa. O Hotel continuava de pé e abria a mesma vista deslumbrante - em cima do mar, com uma pequena ilha mesmo em frente, e que aloja uma castelo cheio de história, e à distância de um corredor de madeira com menos de cem metros -, embora em fase final de uma restruturação com alguns defeitos que me pareceu derivarem de um erro já pouco frequente: os projectistas nunca terem vivido o espaço que se propuseram a remodelar.

 

O local continua calmo, pouco habitado mas com vida mais do que suficiente. Tem a vantagem de em cinco minutos de automóvel se entrar no centro de uma urbe que se recomenda.

 

Dez anos depois nota-se que houve uma preocupação com os detalhes do espaço comum. Espaços verdes, passeios bem cuidados, vias pedonais e para bicicletas, boa restauração e algumas rotundas. Já se sabe que esta última invenção não é lusitana - embora por cá tenha adeptos ferverosos - e que exige algum critério para o seu embelezamento. Quando são muitas a coisa pode mesmo assumir contornos risíveis. Foi um pouco o que presenciámos. Na primeira delas, demos com uma estátua enorme em homenagem a Che Guevara. Ficámos intrigados e tratei de indagar. No meio de gente tão simpática e acolhedora, foi fácil questionar o motivo que os levou a elevar a presença de tão conhecida figura. A resposta foi sempre pronta e num mesmo registo: "tonterias do Alcaide". Ou seja, o edil sobrepôs o seu gosto pessoal ao dos restantes concidadãos e nem de um referendo se lembrou. Afinal, lá como cá.