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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

fred astaire e ginger rogers

02.07.09

 

 

Tinha cerca de 14 ou 15 anos quando o cine-clube da cidade onde vivia promoveu um ciclo de cinema sobre Fred Astaire.

 

As minhas opções musicais distanciavam-se muito, pensava eu, do tipo de som que preenchia aquele género cinematográfico. Antes do ciclo de cinema referido, tinha passado uns dias a acompanhar de perto - contactos diários com bailarinos e coreógrafos num modelo que hoje se chamaria de "workshop" - a ópera-rock "Hair, let the sun shine in" que tinha passado por Maputo numa feliz digressão. Foi inesquecível. Estava, portanto, cheio de vontade em apreciar todos os géneros de dança.

 

Passava, também, por uma fase em que via todo o cinema que podia e, em boa hora, não falhei o deslumbramento pela dança de Fred Astaire e Ginger Rogers. Foi uma semana em cheio e que me deixa saudades.

 

Encontrei um pequeno vídeo que pode ajudar a perceber a excepcional qualidade da dupla.



 

segunda vitória na frente jurídica da gestão escolar

01.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Providência cautelar mantém em funções Conselho Executivo de Escola da Régua

 

"Os contestatários do novo modelo de gestão das escolas somaram hoje uma segunda vitória. Já tinham visto suspensa a eficácia os actos que conduziram à eleição da directora do Agrupamento de Escolas Inês de Castro, em Coimbra, e, hoje, soube-se que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela tomou uma decisão semelhante em relação à Escola Secundária da Régua, cujo Conselho Executivo foi recentemente eleito, ao abrigo de legislação já revogada, para um mandato de três anos.

Os procedimentos que conduziram à eleição das novas direcções, este ano, foram, em ambos os casos, sustentados na legislação que, na perspectiva dos juristas do Ministério da Educação, impunha que em todas as escolas ou agrupamentos do país, sem excepção, aquele processo estivesse implementado e terminado até 31 de Maio. Isto, independentemente de, naquela data, ter ou não expirado o mandato dos conselhos executivos eleitos no âmbito do anterior regime.(...)

 

 

Os bolds são da minha responsabilidade. Como se comprova por esta sentença, os mandatos dos Conselhos Executivos eram para cumprir; afinal vivemos num estado de direito, a justiça funciona e não demorou tanto assim; mas também já se sabe: uma escola não é um BPN. Vamos aguardar pelos resultados que se vão seguir.

o arco do poder

01.07.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Assiste-se a um interessante debate sobre os caminhos políticos a seguir, desde o mundo da economia e das finanças até às áreas sociais e à organização do trabalho.

 

Há dados que são irrefutáveis. A hecatombe a que se assistiu recentemente no mundo financeiro global não consegue, e desta vez isso é claro, imputar responsabilidades ao direito do trabalho. Termos como "flexigurança" ou "accountability" saíram da argumentação para darem lugar à "estabilidade no emprego" ou para a "flexibility" nos modelos de apuramento de responsabilidades nas mais variadas organizações em que se enquadra o exercício profissional das pessoas.

 

Tudo isto tem uma relação muito directa com o que se passa em Portugal e com a luta dos professores.

 

O actual regime político fundou-se, desde logo, por oposição ao anterior mas também contra o período designado por "PREC" onde as chamadas esquerdas radicais assumiram o poder. Desde aí, estabeleceu-se uma governança que se veio a afirmar como de "arco do poder" que afastou do exercício executivo central os partidos políticos situados à esquerda do que sustenta o actual governo. Isso teve dois efeitos negativos: manteve essas forças políticas num posição "cómoda" de não participação na gestão da coisa pública ao nível macro e não lhes proporcionou o dever de responsabilidade pelos actos governativos praticados. No resto da Europa sabe-se que não foi assim.

 

Há quem afirme que Portugal é ingovernável porque não apresenta alternativas reais de governo. Os grandes partidos "estruturaram" desde cedo o sentido do voto e uma mudança nesse estado que considero letárgico leva tempo. Mas não nos enganemos. A história recente comprova os mais fundados receios: as mudanças só se efectivam se conseguirmos quebrar os desígnios que nos sufocam e se provocarmos outra geometria político-partidária que possibilite a afirmação de alternativas de governo e que inclua todos: os das más provas dadas mas também os que se afirmam por políticas diferentes. Fazer pior do que o actual é quase impossível e os discursos laudatórios do sentido de estado de quem nos tem governado estão virados do avesso. É insuficiente regular o que existe e é imperativo emancipar para aquilo que é possível.

 

O que se assistiu em Portugal nesta primeira década do século XXI foi a uma consonância de políticas e de agendas, nomeadamente na área da Educação, subscrita de modo implícito pelo "arco do (todo) poder(oso)". O erra fatal do actual governo foi, como se sabe, o de preencher a agenda política dos partidos à sua direita. Os professores portugueses só encontraram apoio firme, informado e desde a primeira hora numa voz política na Assembleia da República: a da deputada do bloco de esquerda Ana Drago. É factual e indesmentível. As outras vozes que acompanharam os justos protestos, fizeram-mo ao sabor da oportunidade ou quando já nada existia para sustentar o seu contrário.


Aproxima-se a passos largos o momento em que os portugueses vão eleger o governo para a próxima legislatura.

 

Nesta altura importa que os partidos políticos sejam claros e se afirmem sem tibiezas. Não basta afirmar que o monstro da avaliação é burocrático, que a divisão da carreira assentou em critérios absurdos ou que os professores perderam autoridade. Isso está vencido e é óbvio. Queremos saber é o que trazem. Queremos respostas:

  • acaba a divisão da carreira?
  • como se progride?
  • há quotas ou vagas?
  • avalia-se a componente funcional?
  • quem é que avalia?
  • as escolas podem escolher entre um modelo de gestão unipessoal ou colegial?
  • o órgão de gestão mantém os poderes previstos?
  • quem é que o elege?
  • o que se entende por autonomia na gestão escolar?
  • qual é o modelo organizacional que se propõem para o ME de forma a eliminar o muro burocrático que asfixia o ensino?
  • a organização do trabalho obedecerá a outros critérios de modo a que a guarda das crianças seja também um direito e um dever das famílias?

 

 

e os outros sindicatos?

01.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Fenprof vai faltar a reunião com a tutela sobre carreira docente 

 

"O Ministério da Educação vai ficar sozinho na reunião que estava prevista para amanhã sobre o estatuto da carreira docente. A Fenprof (Federação Nacional dos Professores) emitiu hoje um comunicado onde explica que considera desnecessário estar presente num encontro onde falta, à partida, “espaço e matéria para negociar”.

Contudo, a Fenprof assegura que “reafirmou a sua inteira disponibilidade para, na mesa das negociações, encontrar soluções que, no âmbito da carreira docente, contribuam para a dignificação e valorização dos professores e educadores, bem como para a criação de melhores condições para o seu exercício profissional”.(...)"

 

 

É evidente. O senhor secretário de estado ainda em funções afirmou em conferência de imprensa que nada havia para negociar nesta reunião. Sendo assim, estava à espera de quê? Depois da hecatombe eleitoral o panorama mudou. A arrogância de quem se sentiu com poder absoluto sempre esteve fora de tempo e nunca deu bons resultados; e a incompetência técnica associada à política "spin" conseguiu efeitos desastrosos, por mais ilusórios que fossem os conselhos e as certezas de quem se convenceu que era tudo uma questão de mais ou menos mediatização.

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