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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

tinha escrito que voltaria ao assunto

17.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Segundo informações seguras que recebi, a comissão administrativa provisória (CAP) que exercia funções de gestão escolar no agrupamento de escolas de Santo Onofre apresentou a sua demissão em bloco à direcção regional de educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT). Todavia, continuo sem perceber se se demitiram ou se foram demitidos.

 

No que à luta jurídica diz respeito, não deixa de ser preocupante que se tenha verificado o seguinte:

 

No dia 12 de Julho de 2009, uma senhora juíza do tribunal fiscal de Leiria recusou o pedido de providência cautelar da nomeação de uma CAP solicitado pelo advogado do conselho executivo destituído do agrupamento de escolas de Santo Onofre que tinha mandato até Junho de 2010 (facto que não mereceu uma linha sequer da senhora juíza), e alegou, entre outras explicações, que se fundamentou na garantia da preparação do próximo ano lectivo, nomeadamente nos processos de constituição de turmas e de composição e apuramento dos horários escolares. Aliás, esse argumento foi sustentado pela defesa da DRELVT, mas remetendo-o para a estratosférica inexistência de um conselho geral transitório.

Todavia, e apenas cinco dias depois, a CAP que exercia funções em Santo Onofre apresentou a sua demissão, e ao que me informaram, com esses procedimentos por realizar ou em estado crítico de elaboração.

 

Refiro este facto porque me parecia que a solução natural num estado de direito seria outra. Se a providência tivesse sido aceite, a CAP saía de cena e o conselho executivo destituído tentava garantir os justos interesses dos alunos, dos encarregados de educação, dos professores e dos restantes membros da comunidade educativa nas variáveis fundamentais referidas.

 

O Paulo Guinote tem, aqui, uma entrada sobre este assunto que deve ser lida com toda a atenção.

da avaliatite incontinente

17.07.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Os últimos dias têm sido pródigos na mediatização à volta da avaliação do desempenho dos professores. É um fenómeno que perdura há um bom par de anos e que tem consumido de um modo inaudito a vida das escolas portuguesas. Isso é inquestionável. Pode mesmo afirmar-se, sem provocar um qualquer espanto a quem conhece os problemas por dentro, que a actualidade é muito menos rigorosa do que o que existia antes deste governo.

 

Governo e sindicatos digladiam-se em torno da caricatura de um monstro que está complemente vencido. Sobram uns relatório internacionais construídos por técnicos que estão a milhas das salas de aula e que provocam inúmeras sessões de comédia mediática.

 

Quando penso no que existe, só me chegam ao cérebro expressões do tipo: farsa, fingimento, manipulação mediática, contenção financeira, invenções técnico-pedagógicas, certificação burocrática, engenharia social, incompetência técnica, política e jurídica e por aí adiante.

 

Tenho ideia que o governo já só pretende condicionar a agenda do próximo e manter os supostos votos do lumpen.

 

Li muitos textos e notícias sobre o assunto.

 

O Paulo Guinote, aqui, e aqui e o Ramiro Marques aqui, têm excelentes entradas nos seus blogues nomeadamente através do estudo aturado do último relatório da OCDE.

Os jornais online também abordam o assunto com frequência. O Público tem notícias que li com atenção: aqui, aqui e aqui. No caso deste jornal pode mesmo ficar com um excelente elenco se clicar aqui.

 

E num dos meus blogues de referência, "As minhas leituras" de José Luiz Sarmento, há uma entrada lapidar: aqui.  

Ora leia. 


Relatório da OCDE

As boas práticas médicas são determinadas por médicos, as jurídicas por juristas, as musicais por músicos e assim sucessivamente; mas as dos professores são determinadas por economistas, sociólogos, psicólogos, gestores e até (ou sobretudo) por motoristas de táxi: por toda a gente excepto por professores. Fará isto algum sentido?

O exemplo mais recente desta tendência é o último relatório da OCDE sobre a política educativa portuguesa. Digamos OCDE por extenso: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Sublinho: económico.

O governo, ao encomendar este relatório, e a OCDE, ao aceitar fazê-lo, laboram no mesmo erro: o de que a política educativa é uma subsecção da política económica.

Donde se vê que o delírios educativo deste governo começa logo na abordagem; e se vê também que o governo português não está sozinho neste delírio."