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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

almoço de 15 de agosto

08.07.09

 

 

Almoço de 15 de Agosto é uma obra maior. O primeiro filme de Gianni Di Gregorio é uma homenagem à vida e uma lição que não se deve esquecer.

 

No site do CCC Caldas da Rainha pode ler:

 

"Esta é história de Gianni, um homem de meia-idade que vive com a sua idosa mãe num apartamento em Roma, num filme em que o argumentista Gianni Di Gregorio se estreia como realizador.

Gianni tem algumas dívidas e não tem vindo a pagar a renda do apartamento.
O administrador, percebendo esta situação, sugere um pacto: ele cancelará algumas destas dívidas apenas se Gianni estiver disponível a receber a sua mãe para o almoço de 15 de Agosto, mas junto com a mãe vem também a tia deste.
Ao saber disto, o seu médico pede-lhe também que receba a sua idosa mãe. Gianni fica assim repleto de velhinhas neste que será o almoço de 15 de Agosto.
A crítica considera que este é um olhar melancólico e cómico da terceira idade e uma nova ligação à sociedade actual, centrada no consumismo.
Uma sociedade que privilegia as pessoas activas e que dificilmente aceita os mais velhas como gente que tem vontade de viver, sobretudo, de amar e serem amados. E eis o verdadeiro tema do filme."

notas pessoais

08.07.09

 

 

Octávio Gonçalves do movimento independente de professores PROmova, e a propósito de uns escritos de Santana Castilho, aqui, escreve um texto que li com toda a atenção.

 

 

"Nota pessoal (mais a modos de compromisso pessoal):


Revejo-me, em absoluto, nas oito acções incontornáveis que o Professor Santana Castilho aqui propõe para a Educação e que, em síntese, são as seguintes:
1. Entregar aos professores a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas, extinguindo as direcções regionais de Educação e despolitizando os serviços técnicos.
2. Conceber um novo estatuto da carreira docente que mereça a concordância dos professores e que acabe, tanto com a divisão administrativa da carreira, como com a burocratização das funções docentes, garantindo aos professores estabilidade profissional e autonomia responsável e às escolas uma reafectação dos quadros de acordo com as necessidades.
3. Implementar um novo modelo de avaliação do desempenho que, uma vez ancorado nas dimensões formativa e cooperativa, promova os valores do empenhamento pessoal e do investimento no sucesso dos alunos.
4. Redefinir o modelo de gestão devolvendo-lhe a democraticidade perdida.
5. Rever o estatuto do aluno, reorientando-o no sentido da disciplina, da autoridade e do sucesso real.
6. Redefinir os planos de estudo e os programas curriculares do ensino básico e secundário.
7. Reorganizar a natureza e a especificidade das respostas às necessidades educativas especiais.
8. Devolver aos professores o espaço e o tempo requeridos à reflexão sobre as suas práticas pedagógicas e às suas necessidades de autoformação.
Até vou mais longe: mesmo sendo apartidário, apoiarei incondicionalmente, a título pessoal e enquanto elemento do Núcleo de Estratégia do PROmova, o partido político que tenha a lucidez e o bom senso de transpor para o seu programa eleitoral o ideário de acção apresentado por Santana Castilho. Estas acções redundariam na pacificação das escolas, na reabilitação da dignidade e do prestígio dos professores e, sobretudo, na criação de um espírito de confiança e de cooperação entre os professores e o Ministério da Educação susceptível de motivar e de enfocar todos naquilo que é verdadeiramente decisivo: a real promoção do sucesso dos alunos, pela via do desenvolvimento efectivo de competências e da aquisição de conhecimentos.
Seria, pois, uma excelente notícia para os professores e para as escolas que, no caso cada vez mais provável de o PSD ganhar as eleições legislativas, a pasta do Ministério da Educação fosse entregue a uma das três personalidades seguintes: Professor Santana Castilho, Dr. Paulo Rangel ou Professor João Ruivo. O apreço que estes senhores têm manifestado pelos professores, o eco que têm dado às suas justas reivindicações e o espírito de humildade democrática que tem caracterizado as suas opções por ouvir e valorar aquilo que os professores pensam, merecem da nossa parte a maior disponibilidade de cooperação para se encontrarem as melhores soluções para a escola pública e para a Educação.
Aconteça o que acontecer nas próximas eleições legislativas, há um resultado incontornável da contestação dos professores: doravante, ninguém mais terá o atrevimento, particularmente aquele que emergiu deste caldo de prepotência e mediocridade, de afrontar e de denegrir a imagem e o prestígio dos professores.
Vem por bem, quem vier com a disposição para trabalhar com os professores e não para trabalhar contra os professores, numa estratégia que passou por silenciar e espezinhar os professores com o intuito de montar uma escola de folclore e de aparências."

e não basta debater

08.07.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Petição pela responsabilização dos pais debatida hoje no plenário da AR 

 

"A petição lançada por um professor para a responsabilização dos pais pelo comportamento dos filhos na escola vai ser hoje debatida no plenário da Assembleia da República. 
A 08 de Abril foram entregues na AR cerca de 15 000 assinaturas a pedir alterações legislativas que responsabilizem os pais pelo comportamento dos filhos nas escolas.

"Temos hoje uma situação ao nível das escolas de violência e indisciplina e quando confrontamos os pais não temos muito sucesso", disse em Maio passado Luís Braga, presidente do conselho executivo do Agrupamento de Escolas de Darque, Viana do Castelo, perante os deputados da Comissão de Educação da Assembleia da República (AR), ao explicar os motivos que originaram a petição. 

Luís Braga considerou que as associações de pais são por vezes pouco representativas do universo de alunos e lamentou que quando chama os encarregados de educação à escola seja frequentemente confrontado com a indisponibilidade destes por motivos laborais, propondo alterações nestas áreas para acautelar uma maior representatividade e instrumentos legais que permitam a todos os pais acompanhar os filhos.(...)"

 

 

É muito importante que se debata este assunto e temos de ser capazes de agir no sentido de possibilitar às famílias mais tempo para a Educação dos petizes. Uma sociedade quase ausente com uma escola a tempo inteiro não é o melhor dos caminhos.

É realmente preocupante perceber que a agenda mediática raramente dedica uma linha aos constrangimentos da organização do trabalho que impedem as famílias de estar mais tempo com as suas crianças.

judeus na dinamarca - histórias de resistência e de desobediência

08.07.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Conheço algumas histórias sobre os movimentos de resistência ou de desobediência civil mas há uma que me emociona em particular. Passou-se no período da segunda guerra mundial, partiu de uma ideia muito simples e obteve um resultado espantoso.

 

Conta-se em poucas palavras: à medida que o nazismo ocupava os países europeus, era decretada a obrigação dos judeus se identificarem, com a célebre braçadeira amarela com a estrela de David inscrita, em cada um dos territórios "conquistados".

 

Na Dinamarca o resultado foi inédito. No dia escolhido pelo regime alemão para que a ideia decretada entrasse em funcionamento, toda a população dinamarquesa se solidarizou e passou a usar também a judia identificação, incluindo o monarca Rei Cristiano X. Este gesto originou a salvação de cerca de 98% dos judeus que, assim, puderam fugir e encontrar abrigo mais seguro na vizinha Suécia.

 

Nota: dizem-me que a questão relacionada com o monarca pode ser apenas uma lenda. Não consegui confirmar o contrário.

é o efeito cata-vento ou é mesmo ilusionismo?

08.07.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

Duplica percentagem de reprovações a Matemática nos exames do 12º ano 

e

Ministra responsabiliza comunicação social pela baixa a Matemática 

 

"A média do exame nacional de Matemática A, 12.º ano, desceu de 12,5 para 10 valores, tendo mais do que duplicado a taxa de reprovação à disciplina, segundo dados do Ministério da Educação hoje divulgados. Para a tutela este resultado traduz “menos investimento, menos trabalho e menos estudo” do lado dos alunos, na sequência da “difusão da ideia que os exames eram fáceis” por parte da comunicação social.(...)"

  

As declarações da ministra da Educação são realmente do nível estratosférico. Para melhor fundamentar o que vou escrever, fui buscar um texto que escrevi em Jullho de 2008 onde ainda recorro ao que já tinha escrito dois anos antes.

 

"Escrevi, em Julho de 2006, o seguinte noutro post sobre o mesmo assunto:

 

"Noutro dia dei com a senhora ministra da educação em pleno telejornal. Apressou-se a exibir o seu regozijo com a eficácia das aulas de substituição e com o "plano da matemática": dizia, eu ouvi, que já se notam os resultados: o sucesso nos exames de matemática do 12º ano, são, este ano, prova disso. Fiquei estarrecido. É grave: se uma ministra tem este atrevimento e revela tanta imaturidade científica e pedagógica, então, meu caro leitor, está tudo explicado. É escusado dizer, mas uma semana depois a senhora ministra é desmentida por mais dados: os alunos do 9º ano nunca tiveram resultados tão fracos nos exames de matemática".

 

  

Já não há muita pachorra. Desta vez digo ainda: a senhora ministra advoga, para justificar a melhoria dos resultados e quando confrontada com as teses do facilitismo, com o plano da matemática. Sabe-se que este plano tem dois anos de realização e está centrado no ensino básico: ora, se os alunos estão no 12º ano, é de todo impossível que tenham beneficiado deste tipo de medidas. E mesmo que o tivessem, melhorias asssim só por evento sobrenatural.

 

É grave. E depois já se sabe como é: basta passar pelos espaços especializados para ler inúmeros depoimentos de professores indignados com este tipo de demagogia. Estamos, realmente, num momento muito mau."

 

E não é que desta vez a culpa é também da comunicação social porque foi veiculando a ideia que os exames eram fáceis? Francamente. Que raio de coisa esta. Mas já se sabia: quem não sabe dos assuntos e ainda por cima governa ao sabor dos "spins" e da mediatização acaba sempre muito mal.

 

E não resisto a colar uma parte do comentário que a Maria José Andrade inseriu no post que pode ler aqui e que retrata bem o tipo de atmosfera organizativa que o ME teima em repetir para envolver as as actividades mais diversas.

 

"(...) Gosto do que me faz pensar. E de ver a floresta para além da árvore.
Mas não resisto a corroborar esta "tese" com o meu caso. Há muitos anos que dava aulas só no Secundário, mas devido ao Plano da Matemática fui "convidada" no ano lectivo 2007/08 a regressar ao 3º ciclo. Foi então que me apercebi da papelada infernal em que mergulhei, mesmo sem ser Directora de Turma (para estes nem se fala!). É inimaginável para quem não passa por lá, e para quem não é professor ainda menos! Nunca percebi para que serve tanto papel, que depois ninguém lê. Pelos vistos não é para perceber, é para fazer! Pois é!.(...)"