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Correntes

em busca do pensamento livre

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o deus da matança - um teatro de nervos

07.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

 

 

Yasmina Reza, a francesa autora do texto que o Teatro Aberto em boa hora resolveu encenar, escreve assim:

 

"Não acho que o ser humano seja pacífico. Penso que não se evoluiu desde a Idade da Pedra e que o verniz social que nos protege da selvajaria é inquietamente ténue, está sempre prestes a estalar. Ponha quatro pessoas dentro de um elevador que se avaria de repente e elas ficam doidas. Basta haver pânico e toda a gente se espezinha. Observe crianças a brincar na areia: não têm alternativa, batem umas nas outras para ficarem com um objecto na mão. Eu escrevo um teatro de nervos, porque são os nervos que nos comandam. As personagens que componho desde sempre são pessoas bem-educadas que pretendem manter a compostura. Mas como também são impulsivas, não conseguem manter as regras que impuseram a si próprias. Vão derrapar, mas sempre contra a sua vontade. mesmo quando estão em plena derrapagem. É precisamente esta luta da pessoa contra si própria que me interessa."

 

Pode ver, julgo que até ao final do presente mês, na sala azul. "O deus da matança" navega na fronteira muito ténue que nos separa da barbárie. Fá-lo com muito ritmo, com humor e com a crítica social que é inerente aos textos da autora.

 

João Lourenço consegue uma boa encenação e o conjunto de quatro actores, duas mulheres e dois homens, está em muito bom nível.

 

A história pode resumir-se assim: "Dois rapazes andaram à pancada depois da escola e um deles partiu dois dentes ao outro. Os pais encontram-se para falar sobre o incidente, mas, quando o começam a discutir a fundo, a situação torna-se cada vez mais tensa. Pequenas insinuações passam a ofensas verbais e físicas. E é assim que uma tarde entre pessoas civilizadas acaba de maneira inesperadamente pouco civilizada". 

É uma aposta na dramaturgia contemporânea. Valeu a pena.

 

Pode ver um vídeo de 40 segundos que o vai surpreender. Ora clique.