Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

desconfiança nos professores e má burocracia

06.07.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Se se afirmar que 99,99999% das classificações que os professores atribuem aos seus alunos são de boa fé e têm uma fundamentação bastante aceitável julgo que quem o fizer estará muito próximo da realidade; em Portugal e no resto do mundo.

 

É a partir da não aceitação do princípio que inscrevi que se montou a monumental carga de má burocracia que asfixia o ensino e as escolas. Se considerarmos, como aqui, o sistema escolar organizado em dois blocos - o do ensino e o da organização escolar - deveríamos estabelecer o seguinte: as únicas informações que um professor deve fornecer ao bloco de organização escolar sobre os seus alunos são a classificação e a assiduidade, mas deve estar preparado para em qualquer altura ser avaliado no âmbito do bloco do ensino a propósito de duas escolhas: como avalia os seus alunos e como organiza o planeamento das suas aulas. Tão simples como isto.

 

O que foi paulatinamente minando os sistemas escolares foi a desconfiança nos professores por parte dos organismos centrais e regionais (e nos países onde têm poderes exorbitantes e descomunais, como em Portugal) que são compostos, em regra, por pessoas que têm horror às salas de aula e pela ideia de que uma classificação negativa tem de estar precavida por uma infernal quantidade de invenções técnico-pedagógicas. Nem uma linha se pede a um professor que atribui a classificação máxima a um aluno - e ainda bem - mas sobrecarrega-se com má burocracia quem atribui uma negativa ou baixa uma nota de um período para o outro. Um coisa de doidos. Enquanto esta desconfiança não terminar, não haverá meio de se restabelecer, em sentido lato, claro, a autoridade dos professores. Em Portugal, esta questão atravessa os partidos políticos todos, tendo mesmo um maior acolhimento nas forças que se situam mais à esquerda.

com este nome é ouvido de certeza

06.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Stephen P. Heyneman defende que "não se pode aumentar qualidade do ensino superior só com financiamento público"

 

"(...)Os exames portugueses servem para concluir o ensino secundário e de admissão ao superior. Concorda?
É um erro, usar o mesmo exame, porque isso confunde as diferentes funções que essas provas devem ter e torna-se aterrorizador para os alunos. As instituições deviam ter o direito de escolher os seus alunos, aqueles que pagam e aqueles a quem querem oferecer bolsas.


“Começaria por dar computadores aos professores”
Recentemente, num artigo de opinião, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman que esteve em Lisboa para falar sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, há uma semana. 

“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.(...)"

 

 

Desta vez temos um investigador do Banco Mundial que, e de acordo com as primeiras reacções, faz umas afirmações que contradizem as de Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia que teve direito a uma recente mediatização em Portugal.

Li a entrevista toda e não fiquei nada embevecido com algumas extrapolações: partir de estudos comparados dos resultados escolares de crianças pobres da Índia ou da China com crianças ricas dos Estados Unidos da América, para explicar a realidade europeia ou portuguesa, não me parece lá muito acertado. São contextos diversos e devemos ser capazes de estudar a nossa realidade e de encontrar os melhores caminhos. O Paulo Guinote tem um entrada, aqui, que deve ser lida com toda atenção.

 

Todavia, há dois aspectos que me parecem muito interessantes e que retirei da entrevista.

 

O primeiro relaciona-se com a função dos exames, nomeadamente com os do fim do secundário, que em Portugal ilibam o ensino superior de qualquer responsabilidade no trabalho de selecção dos alunos.

 

O segundo foca uma questão essencial: uma escola que não viva em ambiente de sociedade da informação e do conhecimento, e isso passa também pelo modo como recolhe a sua informação para a fornecer em tempo real, tornando residual a informação não tratada e que se destina apenas a arquivo, dificilmente consegue ensinar nesse ambiente. Ninguém ensina o que desconhece. O plano tecnológico da Educação cuidou (?) do hardware e nada fez no domínio do software; e isso pode ser trágico e tornar obsoleto a curto prazo todo o investimento em recursos tecnológicos.

 

Blogues de professores que fazem referência a este assunto:

 

o de Paulo Guinote, aqui;

 

o de Ramiro Marques, aqui e aqui.