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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

os blogues e a luta dos professores

04.07.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

O Ramiro Marques tem uma entrada, aqui, em que sublinha a ideia de que para os editores dos blogues (blogues de professores, evidentemente) a causa primeira deve ser a justa luta dos professores. Concordo em absoluto com esta posição. 

 

Deveria ser elementar nas democracias que as pessoas inscrevessem claramente os seus interesses ideológicos e ou político-partidários de modo a que não houvesse equívocos nem faltas de transparência.

 

Nunca tive qualquer militância partidária e não me considero um independente por causa disso. Há militantes independentes e não militantes dependentes e por aí fora. A minha não militância partidária e independência deve-se a alguma indisciplina para coabitar com modelos organizativos muito pesados e que se subordinam a lógicas de "aparelho", mas também por não me encaixar nas organização políticas existentes. Mas de uma coisa não tenho dúvidas: o meu ideário é de esquerda e inclui uma antiga e clara rejeição por tudo o que faça a mais pequena alusão a uma qualquer espécie de totalitarismo.

 

Nesta fase da luta dos professores, importa reforçar o seguinte: os blogues foram fundamentais para o que já se conseguiu e de acordo com a opinião de uma amiga minha marcaram claramente a agenda política na área da Educação. Colocaram, e colocam, os partidos políticos e as outras organizações existentes muito aflitas. A blogosfera tem exigido uma inédita clarificação de posições através de um escrutínio muito responsável que ainda por cima nunca se coíbe de apresentar soluções.

mobilização em rede

04.07.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Colo de seguida um excelente texto do Paulo Guinote que também pode encontrar no seu blogue, aqui. O tema em análise é o importante papel da blogosfera na justa luta dos professores portugueses.

 

Artigo inserido na revista sobre Educação incluída na edição de ontem do Diário de Notícias:

Mobilização Em Rede: A Blogosfera e A Luta dos Professores

Se dúvidas existissem quanto ao papel da blogosfera junto dos professores e das escolas, o recente relatório do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), organismo consultivo criado e mantido pelo Ministério da Educação (ME), tê-las-ia dissipado de forma definitiva. Ao analisar como foi decorrendo a implementação do modelo de avaliação do desempenho docente é afirmado que «(…) nos relatórios de 53% das escolas da rede, aponta-se a multiplicidade de informação como outro factor de perturbação proveniente do exterior. Os relatórios mencionam que esta informação surgia mão apenas na comunicação social, mas também em blogues e em mensagens electrónicas».

Repare-se que os blogues são aparentemente acusados de «perturbação» por terem facultado informação, ao que parece múltipla. Em nenhum momento, nesta passagem ou em outras que se lhe seguem, se afirma que os blogues veicularam informações falsas, que induziram os professores em erro ou que deturparam factos. Apenas que permitiram a circulação de uma«multiplicidade de informação», que ao que pareceu foi considerada excessiva.

Ainda bem.

Porque essa tem sido efectivamente uma das principais funções de variados blogues na área da Educação: informar, em tempo quase real, o que se vai passando um pouco por todo o lado. E em seguida reflectir criticamente sobre essa informação. Por fim, em alguns casos, propor formas de acção.

Parece ser já um facto incontestável que os últimos anos representaram, em especial desde 2007, um momento inédito quanto à capacidade de mobilização de uma classe profissional. A dimensão e permanência das acções de luta da classe docente contra as políticas impostas pelo ME constituíram-se como uma fenómeno social inesperado.

O carácter inédito da reacção não resultou apenas da forma como se processou o ataque desferido pela tutela política, mas principalmente pelo modo como a resistência de organizou e permaneceu no terreno, funcionando pela primeira vez em rede e escapando bastante aos enquadramentos institucionais e organizacionais tradicionais. Para isso muito contribuíram os blogues enquanto espaço aberto de discussão, debate e circulação de informação.

Ao contrário dos poderes instalados no terreno – Ministério, sindicatos, órgãos de comunicação social (OCS) – a blogosfera na área da Educação, em geral, e dos docentes, em particular, não se apresentou como seguidora de uma agenda específica, pré-determinada, de tipo político ou ideológico.

A blogosfera nesta área surgiu e afirmou-se como um espaço de pluralismo e funcionou como uma rede de ligação entre elos distantes, permitindo a partilha de informações e experiências por todo o país, quebrando o isolamento de escolas e indivíduos.

O pluralismo manifestou-se em diversos planos, desde a natureza específica dos blogues (uns mais confessionais, outros mais institucionais, uns mais alinhados com posições preexistentes, outros mais críticos, uns unicamente dedicados à temática educativa, outros mais abertos a outros temas). Neste contexto, diversos blogues constituíram-se como verdadeiras tertúlias virtuais, muitas vezes intercomunicantes, que promoveram o esclarecimento de muitas situações, a análise crítica dos discursos oficiais e da própria legislação aprovada ou em processo de negociação, assim como a própria vigilância do que ia sendo veiculado pela comunicação social tradicional. Paralelamente, muitos permitiram renovar as formas de mobilização e luta dos professores, quebrando o longo monopólio sindical nesta matéria. A sua credibilidade tornou-se tanto maior quanto os seus autores/criadores conseguiram afirmar a especificidade da sua voz, trazendo algo de novo para a discussão pública e ganhando credibilidade com as suas análises e conduta.

Como escreveu Giuseppe Granieri (Geração Blogue, p. 57), «nos blogues (…) a reputação é construída sobre bases completamente diferentes e é resultado de uma interacção social forte e profunda. A popularidade de um bloguista cresce(ou diminui) quotidianamente em função daquilo que ele diz, de como estabelece as suas relações. Modifica-se em função das opiniões de que é capaz e da eficácia com que consegue exprimi-las».

No caso da mobilização e luta dos docentes, os blogues funcionaram como um factor catalisador novo e para muitos inesperado de intervenção na discussão política antes dominada por actores tradicionais e em grande parte esgotados. E permitiram o tal funcionamento em rede, em tempo real, que tanto perturbou os interesses instalados e que não conseguiram prever que a próxima revolução já não será televisionada (Joe Trippi). O que foi um factor de aprofundamento da participação democrática, algo já sentido antes em outras paragens como nos E.U.A.: «qualquer discussão séria do impacto do blogging político deve começar, é claro, com um exame de como ele reformulou o modo como os americanos recebem as suas notícias políticas e discutem as controversas políticas do dia» (David Kline e Dan Burstein, blog!, p. 5).

Quem em Portugal isso tenha acontecido graças aos professores é a prova de que eles não são a classe conservadora e apática que quiseram apresentar à opinião pública e que, pelo contrário, souberam estar na vanguarda das novas ferramentas tecnológicas disponíveis para combater o tradicional monopólio ou oligopólio na recolha e difusão da informação e na produção de opinião. Neste aspecto, a blogosfera foi um fenómeno que permitiu como que refundar o mundo da informação. (cf. Hugh Hewitt, Blog – Understanding the Information Reformation that’s changing our world p. xxi).

Ao contrário dos que temeram que a abertura da discussão e do debate acentuasse divisões na classe docente, a realidade demonstrou que é mais eficaz a mobilização de um grupo profissional informado, esclarecido e seguro das suas opções do que de uma massa acrítica e informada de forma selectiva e enviesada. A transparência e o rigor são armas mais eficazes para a mobilização do que a névoa e o facciosismo.

A blogosfera ajudou a colocar a classe docente na vanguarda dos fenómenos sociais em Portugal no século XXI, ao permitir a globalização e uma estrutura reticular da circulação da informação, da sua análise crítica e da reflexão sobre a acção. Os blogues assumiram-se, contra muitas resistências, como um contra-poder, um contrapeso essencial na área da discussão em matéria de políticas educativas, para além das meras questões da contestação.

Se s(er)ão uma moda passageira ou não, o tempo o dirá. Mas será também o tempo a fazer justiça ao papel que já desempenharam enquanto actores essenciais no contexto mais conturbado da História mais recente da Educação em Portugal.

 

Anexo:

Roteiro mínimo, plural e em diferentes registos e ritmos, da blogosfera ligada aos professores e à Educação não-superior:

A Sinistra Ministra (http://sinistraministra.blogspot.com)
Anterozóide (http://antero.wordpress.com)
Correntes (http://correntes.blogs.sapo.pt)
Educação S.A. (http://educacaosa.blogspot.com)
MUP-Movimento Mobilização e Unidade dos Professores
(http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com
O Cartel (http://ocartel.blogspot.com
O Estado da Educação (http://oestadodaeducacao.blogspot.com
outrÒÓlhar (http://olhardomiguel.wordpress.com
Profavaliação (http://www.profblog.org
Professores Lusos (http://profslusos.blogspot.com
(Re)Flexões (http://fjsantos.wordpress.com)
Terrear (http://terrear.blogspot.com)

 

jogo de sombras a seguir com toda a atenção

04.07.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

José Sócrates pressiona Alegre para que entre nas listas do PS

 

"Vencido mas não convencido na guerra interna que tem travado com Manuel Alegre, José Sócrates não desiste da ideia de que aquele histórico militante socialista integre as listas do PS às próximas eleições legislativas marcadas para 27 de Setembro. Mas Manuel Alegre não deverá ceder aos intentos do líder socialista e, por motivos de coerência política, deverá manter a sua decisão de não integrar as listas eleitorais.(...)"

 

O problema do partido do governo não se resume a mais esta ou aquela pessoa; na minha modesta opinião, claro. É evidente que as pessoas são muito importantes, mas na Educação a questão é também de políticas nefastas e desastrosas que transformaram os últimos quatro anos num período que tem tanto de negro como de inédito. Nesta altura, já é tarde para emendar a mão. Teriam de negar com a máxima convicção tudo o que teimosamente afirmaram como o único caminho a seguir, pedir desculpa aos professores e efectuar uma mudança radical de protagonistas.