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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

incrível

22.06.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Ministra da Educação diz que aguarda pareceres para decidir sobre avaliação de professores

 

"A ministra da Educação garante que não há qualquer atraso no processo de decisão sobre o que vai acontecer com a avaliação dos professores. E diz que está à espera de pareceres para decidir. “Não há qualquer morosidade”, afirmou hoje Maria de Lurdes Rodrigues aos jornalistas, à margem da cerimónia de lançamento do Portal da Educação, em Lisboa.(...)

 

 

 

É realmente uma coisa espantosa. Depois de no início de 2008 ter apresentado com toda a prosápia um monstro burocrático que se tinha de implementar impreterivelmente em Janeiro do mesmo ano, acusando os cépticos de não quererem ser avaliados, e tendo sido obrigada pelos professores a produzir duas reduções que resultaram numa coisa ainda mais incompetente - se é que isso ainda era possível -, para ser executada num curto período de tempo e mais uma vez sem qualquer teste em amostra reduzida, chega ao final do ciclo avaliativo num estado de profunda desorientação. A incompetência associada à teimosia só podia dar maus resultados.

 

Nesta altura, em que até o relatório do Conselho Científico acaba por esclarecer, só resta a suspensão para que se fale verdade uma vez que seja e em nome do que resta do poder democrática das escolas e da sanidade da degradada atmosfera relacional que se vive.

 

Pode ler mais sobre o assunto. 

 

Bloco de esquerda quer ponto final na avaliação dos professores, aqui.

 

efeitos da revolução profunda

22.06.09

 

 

 

Exames mais fáceis levam alunos a cancelar matrícula

 

"(...)Este ano houve mais alunos do 12.º ano a cancelar a matrícula em matemática e a propor-se directamente para exame. Uma consequência da "subida de seis valores da média de notas nos últimos dois anos", diz Nuno Crato, presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática. "Muitos alunos cancelaram a matrícula porque estão convencidos que vão ter melhores notas". Estão inscritos 56 925 alunos nas provas de matemática A e B, que se realizam amanhã. Mas já hoje, 97 mil alunos do 9.º ano testam os seus conhecimentos.(...)"

 

Durante a campanha eleitoral para as eleições europeias o partido do governo anunciou que estava a fazer uma revolução profunda na Educação. Ora está aqui a solução para reduzir o excessivo número de alunos por turma. 

Pode saber mais sobre o assunto aqui.

 

 

 

 

 

um ponto e milhares de situações (reedição)

22.06.09

 

 

 

A avaliação do desempenho remete-me para um dilema. Estou numa posição profissional delicada: sou avaliador e, como já escrevi inúmeras vezes, detecto enormes fragilidades neste monstro burocrático que alguém resolveu construir. Estudei-o em profundidade e cheguei a algumas conclusões. Quaisquer que fossem as funções que estivesse a exercer no sistema, bater-me-ia, sem pejo, pelo que vou escrever a seguir.

 

Como ponto prévio, e sem qualquer demagogia e ao contrário de muita coisa que leio sobre o assunto, considero que os professores conseguiram abalar o carácter descomunal da coisa e trazê-la para o terreno com a racionalidade possível. Basta pensar em tudo o que se disse e não considerar apenas os desígnios da propaganda. 

 

A escolha da imagem que acompanha esta publicação foi intencional e faço dela uma leitura que, todavia, pode ferir o seu rigor conceptual: onde se lê tempo pode ler-se "ensino e aprendizagem"; é o único vector que tem só um sentido, o que, digamos, faz todo o sentido e desculpem a propositada redundância, e que vai até ao infinito.

 

Isto dito assim não lava a nada. Mas se vos disser que associei os 4 vectores da imagem às 4 dimensões consideradas na avaliação do desempenho, a coisa começa a ter alguma inteligibilidade.

 

Depois de relembrar as dimensões consideradas,

  • Dimensão social e ética (pode ser o vector 1 da imagem);
  • Dimensão de participação na escola e relação com a comunidade (pode ser o vector 2 da imagem);
  • Dimensão de desenvolvimento profissional (pode ser o vector 3 da imagem);
  • Dimensão do desenvolvimento do ensino e da aprendizagem ( é o vector 4 da imagem, o único que realmente deveria interessar).

reafirmo, para que fique bem claro, o seguinte: o modelo deveria ser reduzido a uma dimensão (a do desenvolvimento do ensino e da aprendizagem) e as restantes 3 deveriam obedecer a um caracter residual como mais à frente explicarei.

 

Para uma boa comunicação à volta da avaliação do desempenho dos professores, importa precisar, ao contrário de quem construiu o modelo, uma só taxonomia na definição e hierarquização de patamares:

 

proponho a seguinte:

 

  • as 4 dimensões dividem-se, cada uma delas, em 4 ou 5 elementos;
  • os elementos dividem-se, cada um deles, em 4 ou 5 indicadores;
  • os indicadores que, e entretanto, são, cada um deles, descritos em dois tipos de escalas:
    • por descritores (4 ou 5);
    • ou por listas de verificação com dois níveis (cumpre ou não cumpre o respectivo indicador).

 

Sabe-se, pela voz de um dos secretários de estado e como se os mais avisados não tivessem logo percebido, que a coisa relaciona-se exclusivamente com economia de custos. A ser assim, importa que cada professor no final do ciclo em que é avaliado obtenha uma pontuação de 1 a 10 pontos que será transposta para uma escala qualitativa com as tais categorias de bom, muito bom e por aí adiante como refere o diploma respectivo.

Como se chega lá, à pontuação, claro, ficará ao critério de cada escola, desde que não se afaste assim muito da monstruosidade.

 

Vamos então à pontuação. Proponho que se use mais a média aritmética do que os somatórios na obtenção, patamar a patamar, da necessária classificação.

 

A pontuação final na avaliação de cada um dos professores, de 1 a 10 pontos, será a média aritmética do conjunto das dimensões;  

A pontuação nas dimensões será, de 1 a 10 pontos, obtida pela média aritmética do conjunto dos seus elementos;

A pontuação em cada um dos elementos será de 1 a 10 pontos e resultará da média aritmética dos respectivos indicadores onde o professor obterá uma pontuação de 1 a 10 em cada um deles;

A pontuação nos indicadores, de 1 a 10 pontos, é que pode não ser tão linear. Pode optar-se por descritores ou por listas de verificação. Se a opção for a primeira, importa atribuir uma pontuação hierarquizada a cada descritor numa escala de 1 a 10 pontos; se a opção for a segunda, é suficiente atribuir dois valores de amplitude máxima para os dois patamares da escala.

 

Ufa!! que mesmo tentando reduzir a coisa repete-se.

  

Escrito isto, importa o essencial. Considero, a exemplo do que acontece, e mesmo que não acontecesse, nos mais diversos sistemas conhecidos, que a avaliação do desempenho se centre na ideia de melhorar o exercício profissional dos professores e que, por via disso, procure na actividade lectiva as variáveis que o podem ajudar. É isso que interessa e tudo o resto deve ficar ao bloco da organização escolar e às respectivas auditorias internas e externas.

 

A ser assim, defendo que se opte por listas de verificação nos indicadores dos elementos das 3 dimensões mais monstruosas (que indiquei por 1, 2 e 3) e, mesmo assim, que se eliminem todos os elementos susceptíveis de provocar as maiores arbitrariedades - desde logo os que se referem aos resultados dos alunos e ao estabelecimento de objectivos individuais nessa dimensão -. 

 

Na dimensão mais significativa, a do ensino e da aprendizagem, deve estabelecer-se, à partida, descritores para todos os indicadores. Sabemos que esta dimensão engloba 5 elementos e 20 a 25 indicadores. Depois desta tarefa, cada um dos departamentos curriculares selecciona 4 a 5 indicadores para o uso de descritores, sendo os restantes avaliados por listas de verificação.

 

Dos 4 ou 5 descritores seleccionados, e considerando que a observação das 3 aulas por ciclo deve ser focada e contribuir para a melhoria do desempenho do professor, este estabelece com o avaliador 2 ou 3 indicadores onde a observação focada se exerce.

 

Chega-se assim a uma pontuação que, nesta dimensão, tem condições para ser diferenciada.

 

Nas restantes três, e para além do que já escrevi, há dados, como os da frequência de acções de formação e da assiduidade, que podem, de algum modo, também possibilitar critérios de diferenciação.

 

O resto aprender-se-á com o tempo se a vontade for a de avaliar e de mudar o que não está bem.

 

De uma coisa podemos estar seguros: teria sido mais avisado o governo ter retirado o diploma e construir outro onde ficasse bem preciso a latitude da simplificação tão propalada. Estamos, ainda, a tempo de fazer essa exigência. É o mínimo que se exige. A arrogância e o desrespeito não merecem nenhuma consideração. Depois sim: partir-se-ia para alguma forma de entendimento.

 

Escuso-me a fazer alguma referência à normalização de portefólios, de planificações, de estruturas de plano de aula e dos afins. Isso deve ficar ao critério de mais de uma centena de milhar de avaliados, aos respectivos avaliadores e aos departamentos curriculares. É completamente insensato e desprovido de racionalidade estabelecer o que quer que seja nesse domínio.

 

 

 (Reedição. 1ª edição em 21 de Setembro de 2008)