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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

desorientação

19.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Ministra da Educação admite manter avaliação simplificada no próximo ano lectivo

 

"A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, admite manter a versão simplificada do modelo de avaliação de desempenho docente por mais um ciclo avaliativo.
Num despacho divulgado hoje, esta é uma das duas opções para o próximo ano lectivo sobre as quais a ministra pede parecer ao Conselho Científico para a Avaliação dos Professores. A outra é voltar ao modelo original, regulamentado em 2008, “com as alterações eventualmente consideradas necessárias, designadamente a respeitante à duração dos ciclos de avaliação.(...)"

 

 

Depois do senhor "homem novo" ter deixado cair a ministra da Educação e de ter afirmado que a avaliação de professores é complexa e burocrática, e no dia em que o Conselho Científico para a Avaliação de Professores publica um relatório que apenas confirma o que já se sabia deste nefasto diploma, a ainda ministra da Educação faz esta desorientadas declarações. Assiste-se ao tão esperado esboroar do monstro burocrático que tantas teclas exigiu aos professores portugueses e que criou nas escolas um péssimo clima relacional.

As questões centrais deste incompetente modelo continuam nesta versão reduzida. Que ninguém se iluda com estas cosméticas apressadas. Basta ler o relatório e ver o que se diz de tão negativo a propósito das quotas, por exemplo. Chega.

 

ai sim?

19.06.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

FNE considera “um erro” persistir neste modelo, mesmo que simplificado

 

"Para o secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) qualquer das hipóteses admitidas hoje pela ministra da Educação - de aplicar no próximo ano um modelo simplificado da avaliação docente ou o modelo original com eventuais alterações - será “um erro”. Segundo defendeu ao PÚBLICO João Dias da Silva, a “escola pública portuguesa merece outro modelo, merece começar do zero”.(...)"

 

Concordo. Não resta outra saída: suspender e começar de novo. Já agora, gostava de saber uma coisa que me anda a deixar com alguma vontade de rir. O que pensa esta organização, e as suas congéneres, claro, do facto dos professores entregarem uma ficha de auto-avaliação num modelo com estas características? Se a coisa é a mistificação que se sabe, como é que se pode lutar com coerência contra este estado de sitio?

uma vergonha no século XXI

19.06.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Avaliação criou perturbação e medo nas escolas

 

"Mais de metade das escolas (56 por cento) acompanhadas pelo Conselho Científico para a Avaliação dos Professores reportaram clima de perturbação e tensão provocado pelo processo de avaliação de desempenho docente, enquanto outras acrescentaram “um clima geral de medo”, provocado pela tutela ou colegas.
Esta é uma das “implicações” do processo de avaliação no clima dos estabelecimentos de ensino, constante no relatório de acompanhamento e monitorização do CCAP, realizado através de visitas e estudos a 30 escolas. 
Também metade das escolas aponta os conflitos internos, nomedamente a “deterioração da relação entre colegas” ou a divisão entre avaliadores e avaliados, o que provocou situações de “animosidade”. Em vários relatórios é apontada a indignação dos professores face às decisões da tutela e em metade é referido o “desgaste” provocado pelo
processo.(...)

 

 

O Conselho Científico para a Avaliação dos Professores, nomeado pelo governo, elabora um relatório que é arrasador para o modelo em si mas também para o método escolhido para a sua aplicação nomeadamente para a a sua generalização sem qualquer teste em amostra reduzida. Óbvio. Mas o que também já todos sabíamos e que os estudos apenas confirmam, foi a deterioração da atmosfera relacional nas escolas; e isso vai levar anos a recuperar. Fala-se em medo; medo. É espantoso como a ainda ministra da Educação aparece a declarar que vai manter não sei o quê para o próximo ciclo de avaliação abandonando de alguma forma o monstro burocrático que era a primeira versão. Mas todos sabemos que isso não chega: nesta altura só há uma saída: suspensão do diploma. Ao ler o blogue do Paulo Guinote, aqui, dou com uma constatação que me fez sorrir: o senhor presidente do conselho que elaborou o relatório culpa os blogues por terem dado cabo da coisa.

 

componentes mistificadas

19.06.09

 

 

 

 

A ideia de introduzir quatro dimensões na avaliação de desempenho dos professores foi o primeiro passo para garantir a descomunalidade da coisa. Como o relatório do Conselho Científico veio comprovar  - e refiro este facto para não me acusarem de uma qualquer parcialidade -, a avaliação deve centrar-se na dimensão ensino e aprendizagem.

 

As outras três dimensõessocial e éticaparticipação na escola e relação com a comunidadedesenvolvimento profissional - fazem parte do exercício profissional dos professores mas contêm um conjunto de indicadores que são na esmagadora maioria imensuráveis, muito mais num modelo que instituía uma pontuação assente em descritores quantitativos.

 

Com a redução decretada em Janeiro de 2009a dimensão ensino e aprendizagem passou a integrar a componente científico-pedagógicaas outras três dimensões a componente funcional.

 

É, portanto, no chamado "perfil funcional" do professor que se joga toda a polémica conceptual: o primeiro patamar, digamos assim. Há quem entenda que se deve avaliar e certificar a carga de má burocracia que asfixia os professores e as escolas, que é aquilo que na minha óptica está na base do "eduquês" e no que o blogue de Ramiro Marques sublinha aqui. E depois há quem entenda que a avaliação dos professores se deve localizar na sala de aula e no ensino. Concordo com a segunda asserção e, como já referi, o relatório do Conselho Científico também.

 

Mas o mais grave no "reduzido" em vigor (outros chamam-lhe simplex) é que os professores que não solicitaram a menção de excelente ou de muito bom são apenas avaliados na componente funcional. Uma barbaridade e uma impossibilidade, como se pôde comprovar.

 

Partamos de Santo Onofre. Tem uma gestão provisória, com dois meses de ocupação, e cerca de 200 professores para serem avaliados na componente funcional. Nada foi feito em relação ao processo. Em coerência, digam lá: auto-avalia-se o quê do modelo em curso? E mesmo nas escolas onde aconteceu alguma coisa, o modelo tem seis meses de exercício. Mas se todos concordamos que a componente funcional é imensurável, auto-avalia-se o quê também aí do modelo em curso? Deve o governo seguir, no mínimo, o relatório do Conselho Científico que nomeou e suspender a farsa que criou. Baste de prolongar esta dolorosa mistificação.

 

Para os mais interessados, reeditei, aqui, um post sobre o assunto que escrevi no ano passado.

 

E pode saber também, aqui, como o ridículo tomou conta de todo este processo: depois de muitas escolas terem decidido encerrar o prazo para a entrega das fichas de auto-valiação dos professores, o ME decide que afinal vão ser outras e que para a próxima semana as fará chegar às escolas. Risível se não fosse trágico.