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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

inacreditável

14.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

É tal o volume de trapalhadas, e de constante alteração de regras com o jogo a decorrer, por parte deste estafado ministério da Educação que até vão escapando as incongruências mais gritantes. Fiz há dias notícia das declarações dos responsáveis da Fenprof que consideraram que nas últimas negociações com o ministério da Educação o comportamento deste último estava ao seu pior nível.

 

E ao ler melhor os detalhes, e também depois de registar os escritos de Ricardo Silva no blogue de Ramiro Marques, aqui, não posso deixar de me indignar com o facto dos responsáveis governamentais pela Educação considerarem a hipótese de dispensar da prova de ingresso na profissão de professor os docentes contratados que no actual modelo de avaliação de desempenho tenham obtido ou requerido a classificação com a menção de excelente ou de muito bom. Ficariam de fora desta solução todos os outros. Isto é de bradar aos céus e uma teimosia de quem não aprende de modo nenhum.

 

É pois contra este e outros processos de mistificação que nos devemos opor com veemência e com os meios ao nosso dispor. E já agora, e se quisermos falar de cumprimento escrupuloso da lei, basta remetermos a argumentação para o incumprimento de prazos que o actual modelo reduzido de avaliação encerra. São incumprimentos em catadupa que instituem um verdadeiro monumento ao fingimento, ao faz de conta e à batota mais descarada.

 

Sobre o mesmo a assunto a APEDE toma posição aqui.

contra a avaliação de docentes enquanto mistificação (2)

14.06.09

 

 

Nos blogues de Paulo Guinote, aqui, e de Ramiro Marques, aqui, encontra um texto de Mário Machaqueiro, um dos subscritores do texto publicado ontem pelo jornal Público, a propósito da não entrega da ficha de auto-avaliação. Leia que vale a pena e também pode ler os diversos comentários que foram inseridos.

sua excelência (2) (reedição)

14.06.09

 

Sua Excelência nunca recorria ao mecanismo do pensamento: considerava-o bastardo.

Também não preparava as reuniões (só promovia, e mesmo assim a muito custo, as ordinárias): tinha como religião ser errático e fingir-se esquecido em datas. Como não pensava, associava o seu sagrado à ausência de erro.

Mas rendia graças ao culto prestado à sua divindade; esperava pelas ideias dos outros e tentava derretê-las (terceira regra dos seus mandamentos) com uma adjectivação contundente.

Tinham-lhe dito que populismo era estar do lado do povo.







(Reedição. 1ª edição em 12 de Setembro de 2006)

repensar o espanto (reedição)

14.06.09

 

 

 

O dia 8 de Março de 2008 (que nasceu de geração espontânea e no horroroso sub-mundo da blogosfera para dar voz ao descontentamento real e fundamentado de milhares de professores não organizados) foi um dia histórico para os professores portugueses. O que se conseguiu foi insuficiente. É seguro. Mas, e considerando tudo o que já se disse sobre os contornos políticos, já se sabia que poderia acontecer assim. E depois? 

 

Dadas as circunstâncias, o caminho é longo e difícil. Mas como sabemos que temos a razão do nosso lado, só nos resta seguir em frente: os factos impõem-se por si e sobrepõem-se às vontades individuais e grupais. A implosão era inevitável e só aguardava o regresso ao estudo dos detalhes do monstro e às infrutíferas tentativas de aplicação.

 

Pela minha parte, estarei ao lado de todos aqueles que se decidirem a organizar acções de luta. Quem espera por opiniões unanimes entre os professores, é porque desconhece a génese e o metabolismo das democracias: nem unanimidade, nem tão pouco um desfilar de exercícios carregados de sensatez e do melhor espírito diplomático. Os professores nem são perfeitos nem pensam todos do mesmo modo; e ainda bem. Mas conhecem bem, pelo menos os milhares que estão no terreno, as origens de toda esta revolta. E quando as origens das rebeliões se fundamentam com tanta evidência, as organizações não têm outro remédio senão ir a reboque.

 

Este é um tempo novo. Daqui por uns anos poderá ser possível perceber os contornos desta sociedade em rede (já há quem acrescente à sociedade da informação e do conhecimento a ideia de democratização) onde não existem "servidores".

 

Seria melhor uma só manifestação nacional com o envolvimento de todos. Mas se isso não ocorrer, cá estaremos com a consciência de que o tempo se encarregará, como sempre, de explicar o inexplicável e de repensar o espanto.

 

Aguardemos, com a ideia de que ainda vamos a tempo de reeditar e mesmo de ultrapassar o que aconteceu a 8 de Março de 2008.

 

 

(reedição. 1ª edição em 17 de Outubro de 2008).

private

14.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Esta entrada tem destinatária certa e só vem parar aqui pela beleza e oportunidade intemporal do poema.

 

"Porque os outros se mascaram mas tu não

Porque os outros usam a virtude

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados

Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não."


Sophia de Mello Breyner.

 

 

(eternamente companheira)