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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

um não! muito branquinho

05.06.09

 

 

Confesso que vou votar nas próximas eleições para o parlamento europeu e que não vou votar em branco. Votei sempre e em todas as eleições e nunca votei em branco. Nesta altura ainda não advogo essa solução.

 

Passei pelos meu blogues de referência. Encontrei um texto brilhante redigido pelas teclas do escritor Daniel Abrunheiro, aqui.

 

Pode passar por lá, e olhe que vale muito a pena, ou pode ler o referido texto que colo de seguida.

 

 

"1. Um não! muito branquinho.

 

Corria o ano de 1957. Em Inglaterra, saía a lume um livro chamado “Declaration”. A obra era composta por oito depoimentos de outros tantos jovens autores britânicos então na berra. Querendo-o ou não, ficaram para a História como os “Angry Young Men”, qualquer coisa como os “Jovens Coléricos” (ou “Irados”, “Chateados”, “Danados” etc..)
Tenho andado a ler a tradução portuguesa desse volume, que foi feita por Artur Portela Filho e publicada pela Editorial Presença em 1963. Estou a gostar. Esta tarde, estava, para vos ser ainda mais franco que de costume, um bocado à rasca para fazer a crónica. Pensava nisto, pensava naquilo – e nada de jeito me corria, nem ocorria, nem escorria. Nada. Até que eis senão quando me deparo com uma passagem de John Wain (1925-1994) no tal livrinho. Esta aqui:
“Creio que temos de ter coragem suficiente para caminhar para a frente passo a passo; e isso significa ter a coragem de dizer Não! aos nossos imbecis, por muita influência e importância que tenham”.
Fiquei com o meu problema resolvido. É que domingo que vem, dia 7, parece que estão à nossa espera em Bruxelas. À nossa espera, não. À espera que paguemos o bilhete de avião, o almoço, o jantar, a estadia e o subsídio a uma série de figuras iguaizinhas umas às outras que andam todas ao privado igualzinho da mama pública.
Pus-me a pensar no que lia e a vida iluminou-se-me: crónica já tenho, domingo já sei o que vou fazer – vou dizer que “Sim!” a este “Não!”. É que, não sendo já “young”, ando “angry” como o raio.
Isto é: pela primeira vez na minha vida, vou votar em branco. Nunca, até hoje, falhei um acto eleitoral. Nunca deixei de exercer civicamente o meu direito de voto. Também não vai ser desta que me abstenho. Preciso da democracia. E se a democracia é ir a votos, eu vou a votos. Não quero cá ditaduras, nem brandas nem duras. Vou votar. Mas levo comigo a receita do John Wain (não confundir com Wayne, o cowboy republicano dos filmes do zamericanos): coragem suficiente para, em branco, dizer “Não!” aos “nossos imbecis”."

apelo

05.06.09

 

 

O movimento independente de professores, a APEDE (Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino) torna público o seguinte apelo ao voto contra este PS:

 

"Muito se tem escrito ultimamente, na blogosfera que apoia a luta dos professores, sobre a necessidade de contribuirmos para a derrota do PS nas próximas eleições, as de 7 de Junho e, acima de tudo, nas eleições para a Assembleia Legislativa.

Também já se ouviram vozes (poucas) que advertem para a necessidade de movimentos e organizações como a APEDE não se envolverem directamente neste combate político, sob pena de perderem a sua independência.

A esse conselho há que responder que a APEDE nunca fará qualquer indicação de voto para as eleições deste ano. Nunca fará, salvo uma:

OS PROFESSORES TÊM A OBRIGAÇÃO MORAL E POLÍTICA DE NÃO VOTAR NESTE PS.

Tal não significa que nos estejamos a envolver na política partidária. Significa, isso sim, que assumimos o envolvimento com uma posição que é política apenas porque nela afirmamos a nossa cidadania.

Acontece que este PS é o primeiro responsável pela profunda crise em que o sistema educativo português está mergulhado.

Deveríamos então abster-nos de apelar a que não se vote PS?

Sucede que este PS espezinhou os direitos e a dignidade profissional dos professores, colocando no Ministério gente que nunca escondeu o desprezo pela classe docente, que usou esse desprezo como arma de arremesso propagandístico, que tudo fez para tornar insuportável o quotidiano profissional dos professores, que multiplicou leis responsáveis pelo caos nas escolas e pela degradação das condições de ensino.

Deveríamos então abster-nos de apelar a que não se vote PS?

Acontece que as próximas eleições, particularmente as legislativas, podem abrir um novo ciclo político capaz de criar condições favoráveis à satisfação das exigências fundamentais que têm mobilizado os professores.

Deveríamos então abster-nos de apelar a que não se vote PS?

Não. Não nos vamos abster. Não nos vamos abster em sentido algum.

Por isso, e já para este dia 7 de Junho, a APEDE apela a que os professores contribuam para o princípio do fim da carreira política de José Sócrates e de quem o tem sustentado:

CONTRA ESTE PS, VOTAR, VOTAR."

até arrepia

05.06.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

"O que proponho é mais trabalho para professores e alunos"

 

"Foi deputada do PS, foi assessora para a Educação do Presidente da República Jorge Sampaio e assumiu agora a presidência do Conselho Nacional da Educação (CNE). Ana Maria Bettencourt é professora e investigadora. É o contacto com as escolas do Norte da Europa que a faz ter a certeza que para conquistar o sucesso escolar é preciso mais trabalho, de professores e de alunos. Ainda não sabe qual vai ser a agenda do CNE para os próximos quatro anos, mas quer dar continuidade ao parecer sobre a educação dos 0 aos 12 anos, assim como a outro sobre o alargamento da escolaridade obrigatória para 12 anos. “Como organizar a escola, para que todos aprendam”, é a grande questão a responder em ambos os pareceres.(...)"

 

 

“As escolas não prepararam os professores” 

 

 

"(...)As escolas superiores não prepararam os professores para o mundo complexo que é a educação. Não posso generalizar, mas todos os professores que encontro no terreno não preparam bem os futuros professores para responder à diversidade e a diferenciação entre os alunos. Há um problema com a formação inicial e também com a contínua. Neste momento em que não precisamos tanto de formar novos professores, a formação contínua tem que ser a grande aposta. Os recursos da formação inicial devem ser canalizados para a contínua.(...)"

 

 

É uma entrevista que até arrepia. Ana Maria Bettencourt, a nova presidente do Conselho Nacional de Educação fala para o jornal Público sobre Educação. Tem algumas ideias interessantes e até toca em algumas das componentes críticas da formação de professores. Mostra-se fascinada pela Finlândia mas só nos aspectos que não comprometem o governo e as políticas apoiadas pelo partido político onde ela se integra. Mas depois cai no mais aflitivo eduquês, com ideias que só podem sair da cabeça de quem está há décadas sem por os pés numa escola. O que mais me arrepia é a ideia de concentrar nas competências dos professores a quase exclusividade no combate ao abandono escolar desresponsabilizando o resto da sociedade na luta contra esse flagelo. E di-lo com receitas de formação e de "trabalho quotidiano". Isto é trágico. Do Conselho Nacional da Educação espera-se "aconselhamentos" sobre o modo com se educa as nossas crianças e recomendações sobre o tempo que as famílias dedicam a essa decisiva tarefa e se a sociedade colabora nesse sentido.

Passei pelos blogues do Paulo Guinote e do Ramiro Marques e encontrei dois comentários sobre o assunto que subscrevo.

 

Paulo Guinote;

 

"Entrevista de Ana Maria Bettencourt ao Público. Algumas ideias vagamente interessantes, envoltas num discurso embevecido com o Norte da Europa e deslumbrado com leituras de há 25 anos, ignorando que antes da cereja é preciso fazer o bolo. E assim temos mais uma especialista na arte que não pratica."

 

Ramiro Marques:

 

"É uma entrevista cheia de lugares comuns e de propostas requentadas. (...)E quer que os professores trabalhem ainda mais. (...)O que Ana Maria Bettencourt propõe é uma nova dose reforçada de políticas educativas à Maria de Lurdes Rodrigues. Os alunos não aprendem? A culpa é dos professores que "dão sempre mais do mesmo" e trabalham "para uma aluno imaginário". Os alunos têm problemas na aprendizagem da Matemática? O que fazer? Ela responde: "os professores têm de trabalhar mais". Nem uma palavra sobre a necessidade de os alunos se esforçarem mais. Nem uma frase sobre o número excessivo de alunos por sala ou o número exagerado de turmas por professor nos 2º e 3º CEB. Nem um lamento sobre o excesso de burocracia nas escolas ou os horários sobrecarregados dos professores.(...)"

empate técnico na cooperação estratégica

05.06.09

 

 

 

 

Empate técnico entre PS e PSD

 

 

"PS e PSD vão ter de esperar até ao último voto para saberem quem vence as eleições europeias de domingo.

A avaliar pela sondagem realizada pela Universidade Católica para o JN, o DN, a RTP e a Antena 1, os socialistas conservam uma vantagem de apenas dois pontos percentuais, demasiado escassa para não ser interpretada como empate técnico.

O estudo de opinião, que revela a quebra de intenções de voto nas duas formações principais, confirma a consolidação eleitoral dos partidos à Esquerda do PS, que ultrapassam os 20% e podem, em conjunto, obter quatro mandatos. Em relação à última sondagem, de finais de Abril, a CDU passa de 7 para 11%. Troca de posição com o Bloco de Esquerda, mas o terceiro lugar está a ser disputado taco-a-taco." 

 

Dia 7 de Junho se saberá. Desta vez votarei em nome do poder democrático das escolas e na defesa da escola pública de qualidade para todos. Não me esquecerei das posições políticas assumidas pelo primeiro candidato da lista do partido político que suporta o actual governo. Recordarei com particular acuidade as suas opiniões a propósito da justa, longa e dura luta dos professores portugueses.

Ah, e mais uma coisa: por mais operações de cosmética de última hora que se façam (ai as campanhas eleitorais) não me esqueço dos desígnios da cooperação estratégica que tão nefastos resultados trouxe ao país e à Educação.

 

sondagem

05.06.09

 

 

Sondagem dá quatro pontos de avanço do PS sobre o PSD 

 

"O PS pode garantir a vitória nas eleições europeias com quatro pontos percentuais de vantagem sobre o PSD (36 contra 31,9 por cento), conseguindo a eleição de nove deputados contra oito dos sociais-democratas. Este é o resultado de uma sondagem efectuada pela Eurosondagem para o Expresso, SIC e Rádio Renascença. O Bloco de Esquerda (BE) é apresentado como o principal partido de esquerda em oposição aos socialistas, e poderá conseguir uma percentagem de votos superior a dez pontos.(...)"