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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

impensável

30.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Chega a ser difícil qualificar o que se vai passando no nosso país com o novo modelo de gestão escolar que o actual governo quer impor e que merece o mais ensurdecedor e comprometido silêncio dos partidos políticos à sua direita; a maioria das organizações sindicais faz o mesmo.

 

Sabe-se como foi longa e difícil a luta dos professores e conhece-se até à exaustão a iniquidade dos diplomas de avaliação do desempenho ou de divisão da carreira. Mas esses domínios estão longe de esgotar o cerne da questão: o ataque ao poder democrático das escolas e a ideia de "escola armazém" como única solução para a guarda das nossas crianças.

 

No que à gestão escolar diz respeito, assiste-se mesmo aos maiores despautérios e vamos conhecendo situações que seriam impensáveis há uns tempos atrás. O poder democrático das escolas está na rua e completamente desprotegido dos interesses mais inqualificáveis.

 

Basta fazer uma navegação pela blogosfera para se ficar a conhecer uma catadupa de casos inenarráveis.

 

O blogue do Paulo Guinote publica várias situações que merecem uma atenta leitura; aqui, e aqui.

 

 

em memória da bauschmania

30.06.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui

 

Ousadia, competência, coragem, beleza, convicção e determinação é o que vem à memória quando penso na enorme Pina Bausch. Uma mulher que rasgou mesmo fronteiras. A dança contemporânea deve quase tudo ao génio desta inesquecível coreógrafa.

 

Escolhi um pequeno vídeo que associa a sua competência à de Pedro Almodóvar.

 

Ora clique.

 

 

 

 

E por meros seis minutos e quarenta e um segundos pode ficar com o célebre "Café Muller", a única peça que interpretou. A não perder, pode crer.

 

Ora clique.

 

 

 

 

 

Tem mais informação aqui.

agora fiquei um bocado baralhado, confesso

30.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Plataforma Resistência Nacional incentiva pais a recusar aulas de educação sexual

 

"Elementos da Plataforma Resistência Nacional começam hoje a distribuir cartas para que, na matrícula dos filhos, os pais não autorizem a frequência das aulas de educação sexual.
“As crianças portuguesas não podem ser cobaias de uma experiência educativa sobre aulas de educação sexual”, refere Artur Mesquita Guimarães, membro da comissão executiva da recém-criada Plataforma Resistência Nacional (PRN).
Contra as aulas de educação sexual na escola, a Plataforma inicia hoje, na Escola Júlio Brandão, em Famalicão, a entrega a pais e encarregados de educação de uma carta/matrícula. (...)"

 

 

Associo o exercício social e político de se "ser um resistente" a uma actividade de algum risco e que inscreve um conjunto de valores onde se salientam as ideias de liberdade, de justiça e de igualdade entre os homens.

Mas nestes tempos em que parece que quase tudo se banaliza, li com alguma perplexidade a notícia que dá conta da criação de uma plataforma de encarregados de educação que não autoriza a matricula dos seus educandos em aulas de educação sexual.

Nem sei se isto pode ser assim, se podem autorizar ou não a matrícula numa disciplina da escolaridade obrigatória, a não ser que a frequência da mesma seja voluntária. Se não concordam, até acho muito bem que manifestem essa discordância; e mesmo que eu não achasse, claro.

O que me parece excessiva é a nomenclatura: plataforma de resistência nacional; neste caso, contra o retrógrado atrevimento de se tentar esclarecer as crianças e os jovens sobre as dúvidas que possam ter em matéria que pode colocar em causa a independência nacional.

abbas kiarostami

30.06.09

 

Faz quinze ou dezasseis anos, mais ou menos, claro, que acompanho o genial cinema de Abbas Kiarostami. No princípio, e se bem me lembro, parecia-me uma excentricidade esta coisa de ver cinema iraniano, mas rapidamente percebi que a linguagem cinematográfica de Kiarostami era um desafio permanente. A validade do argumento, a capacidade de contar a história e a excelência das imagens - apesar dos parcos meios ao seu dispor, considerando, claro, a exorbitância de meios e de tecnologia que acompanham grande parte das produções actuais -, são os ingredientes que mais pesam.
 
Numa altura em que o Irão vive um momento de tanta tensão política e social, é raro o dia em que não me interrogo: de que lado estará o realizador? Qual será a sua condição como homem e como artista?
 
Lembro-me que esteve em Lisboa no início do século para uma conferência de imprensa. Li que foi uma coisa rápida e que o que Kiarostami quis fazer foi mergulhar sem guias no metabolismo da capital portuguesa.

Abbas Kiarostami tem obras maiores, com saliência, na minha modesta opinião, para o filme que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997, Ta'm e Guilass (O Sabor da Cereja): uma verdadeira obra prima; um argumento construído à volta da figura de uma taxista que se quer suicidar, mas que não consegue encontrar quem realize a sua sepultura: fascinante, uma autêntica exaltação à vida.

Encontrei um pequeno vídeo que pode entusiasmar o meu caro leitor a perseguir este grande vulto do cinema contemporâneo. Ora clique.

 

e a gestão escolar?

29.06.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Manuela também quer "rasgar" na educação

  

"(...)Outro dos campos de reforma profunda deverá ser na educação. O PSD votou no Parlamento, com o resto da oposição, pela suspensão do novo regime de avaliação dos professores. E também, por várias vezes, acusou o Governo de Sócrates de estar obcecado com as estatísticas do insucesso e do abandono escolar, desguarnecendo a exigência sobre os alunos. Um programa do PSD deverá incluir uma reforma curricular profunda de forma a inverter as prioridades."Rasgar", "repudiar" , "romper" - foram estes os verbos usados pela líder do PSD, na semana passada, para qualificar o destino que, se ganhar as eleições, dará às políticas de Sócrates.(...)"

 

 

 

Rasgar, repudiar, romper, são verbos cuja utilização nesta altura de pré-campanha eleitoral pode convencer alguns das boas intenções dos respectivos verbalizadores. Dizer-se que se suspende o monstro burocrático da avaliação dos professores, por exemplo, é apenas "carimbar" o trabalho extenuante que os professores fizeram durante dois anos e onde na maior parte do tempo não vislumbraram o mais leve sinal destas pessoas; temos de conhecer o caminho que querem seguir para percebermos qual vai ser o modelo escolhido.

 

Sobre a divisão da carreira é preciso que se seja claro e objectivo e que se responda a algumas questões fundamentais: acabam os professores titulares? acabam as vagas no acesso aos escalões de topo? acabam as quotas? desaparece a componente funcional na avaliação dos professores? quem avalia?

 

Mas o mais grave diploma para o poder democrático das escolas é o da gestão escolar. E nessa matéria é importante ouvir o que é que este partido político tem para dizer. Tenho ideia que é o mesmo que nada; e isso tem tanto de grave como de significativo.

 

É muito fácil usar verbos com uma representação contundente e dizer-se que se vai recuperar a autoridade dos professores. Já conhecemos, e em tempos bem recentes, as políticas destes protagonistas e temos todas as razões para desconfiarmos de omissões muito comprometedoras.

 

preconceitos

27.06.09

 



Quem nunca teve preconceitos? Quando me apercebi em plena adolescência que tinha crescido numa sociedade que discriminava as pessoas pela cor da pele, tive um choque. É que a discriminação vivia silenciosa, é certo, mas habitava-me.

Quem nunca foi vítima de preconceitos? Já fui alvo de alguns. Tenho ideia disso. Lembro-me de no início da minha fase de adulto, e em que tive de vir estudar para Portugal, ter sido alvo de uma discriminação: ser "retornado". Tinha-me tornado numa espécie de refugiado político por ser discriminado na minha terra: Moçambique. Por motivos que, e escrevo-o com toda a sinceridade, nunca me preocuparam, passei a ser discriminado na terra de quase toda a minha família: Portugal.

Ora leia, meu caro leitor, o texto que se segue:

"Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jacto de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancada.

Passado mais algum tempo, mais nenhum macaco subia a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que lhe bateram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não subia mais a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, na surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o facto. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam a bater naquele que tentasse chegar às bananas.

Se fosse possível perguntar a algum deles por que batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: " Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui... "

 

Autor desconhecido.



"É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO

DO QUE UM PRECONCEITO"
Albert Einstein



Lembra-se dos dois exemplos que apresentei?
Pois é; contrariam a tese dos cientistas uma vez que os "substitutos" libertaram-se dos preconceitos que referi. Todavia, isto também pode servir para reforçar a importante afirmação: "só o que é refutável é que é verdadeiro".
 
 

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