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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

encontros marcados (manifesto conjunto para o 30 de maio)

28.05.09

 

 

 

 

 

Por sugestão do Movimento Escola Pública (e agradeço a cortesia de me terem convidado) subscrevo e publico o manifesto conjunto que pode ler a seguir.

 

 

 

"Encontramo-nos no Sábado


 

1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.

 

2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.

 

3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa. Por isso, encontramo-nos no próximo sábado.

Subscrevem:

Os blogues:
A Educação do Meu Umbigo (Paulo Guinote), ProfAvaliação (Ramiro Marques), Correntes (Paulo Prudêncio), (Re)Flexões (Francisco Santos), Educação SA (Reitor), O Estado da Educação (Mário Carneiro), Professores Lusos (Ricardo M.), Outròólhar (Miguel Pinto)

Os movimentos:
APEDE (Associação de Professores em Defesa do Ensino), MUP (Movimento Mobilização e Unidade dos Professores), PROmova (Movimento de Valorização dos Professores), MEP (Movimento Escola Pública), CDEP (Comissão em Defesa da Escola Pública)

 

 

 

conversas na rede

28.05.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

O blogue de João Serra, aqui, professor e investigador (foi chefe da casa civil do presidente da República Jorge Sampaio), tem uma entrada que pode merecer uma interessante discussão a propósito do momento na luta dos professores.

Para além de colar por aqui a entrada referida, faço-o também com os comentários que foram inseridos até ao momento.

 

 

"Sindicatos e voto

 
A prática sindical em cuja formação, após o 25 de Abril, participei e entendia o sindicalismo como apartidário. Recusava a tese dos sindicatos correias de transmissão de partidos admitida pelos partidos comunistas e institucionalizada nos países socialistas de partido único. Combatia a visão do sindicalismo como uma espécie de segunda linha da vanguarda a que estivessem confiadas as tarefas de enquadramento e disciplina reivindicativa das massas. Entendia o sindicalismo como uma plataforma de participação autodeterminada e crítica dos trabalhadores.
Ouço na rádio, às 9 da manhã, um dos principais dirigentes sindicais dos professores explicar que a oportunidade da greve de hoje se prende com o período eleitoral. Aos sindicatos compete contribuir para a clarificação das escolhas que os professores eleitores deverão adoptar. Os sindicatos estão assim reduzidos à função de sindicatos de voto.
 
Comentário de Paulo Prudêncio:
Viva João Serra.
Mas a manifestação de professores convocada para o dia 30 de Maio de 2009 é muito mais do que uma iniciativa sindical.
Publico hoje, no meu blogue e passe a publicidade, um manifesto conjunto de apoio subscrito por diversos blogues de professores e pelos movimentos independentes.
O link é este http://correntes.blogs.sapo.pt/301207.html
É evidente que em pleno período de campanha eleitoral, pode inferir-se que há nestas manifestações a intenção clara de influenciar os resultados eleitorais. Já se tinha pensado há muito numa grande manifestação para o final do ano lectivo. A data inicial era o 16 de Maio, mas Fátima e o Cristo-Rei impediram-no. Para 23 de Maio já estava convocada uma manifestação partidária.
Ficou para 30 de Maio e tudo faremos para que seja mais uma grande momento em defesa do poder democrático das escolas.
As eleições europeias são apenas uma semana depois e os portugueses lá farão as suas escolhas de acordo com as candidaturas que se apresentam.
Abraço e obrigado.
Paulo Prudêncio.

Comentário de João Serra:
Obrigado Paulo. O discurso sindical que referi é, a meu ver, deontologicamente criticável e democraticamente inaceitável. Foi só em relação a ele que exprimi a minha discordância. É um discurso de pastor, não um discurso de primus inter pares, de liderança. De resto, os professores sabem muito bem o que querem e como querem. Duvido porém que estejam criadas condições para clarificar a situação e que o período eleitoral seja propício a essa clarificação. Uma das dificuldades reside em transformar os ganhos em vitórias. Será possível nesta conjuntura?

Comentário de Paulo Prudêncio:
Viva João.
Transformar os ganhos em vitórias tem sido a grande dificuldade dos professores, realmente.
A impressão (para não escrever certeza:) :)) que tenho é que temos um governo que perde vezes sem conta mas que não assume as derrotas com receio dos danos eleitorais que isso lhe pode trazer. O governo vai-se arrastando à custa da manipulação mediática e acarreta consigo o que resta do poder democrático das escolas. É uma espécie de terraplanagem do que existia. No início falavam em reforma, agora o candidato europeu vai mais longe: uma revolução. Mas que coisa mais descomunal e exorbitante. Mas talvez o senhor tenha alguma razão; foi uma "revolução" neoliberal de mãos dadas com a engenharia social e apoiada numa série de invenções técnico-pedagógicas perpetradas pelo monstro burocrático que é o ministério da Educação e que asfixia o ensino, as escolas e os professores. Mas a capacidade (ou a tentativa de) de mutação é tal, que o primeiro-ministro passou de neoliberal a neoObama num esfregar de olhos.
Ora, quem vai perdendo mesmo é a ideia de uma escola pública de qualidade para todos. Foram 4 anos muito maus na Educação. Nem sei como é que se vai conseguir reerguer a escola no sentido de a colocar de novo no caminho da autonomia (e depois apelamos para a educação no sentido da participação cívica).
Este governo caracterizou-se por ser centralista, arrogante e auto-convencido e desconfiou de forma inaceitável dos professores e das escolas.
Aos professores não restou, nem resta, outra alternativa: lutar com todas as forças. Não fosse assim e tudo estaria ainda muito pior.
As conjunturas são o que são. Sabemos das dificuldades em encontrar alternativas de governo que façam uma política diferente. Mas o que podemos fazer em relação a isso é votar de acordo com as nossas consciências e nos partidos políticos que existem.
Obrigado e um abraço.
Paulo Prudêncio."

 

 

 

por que é que vale a pena lutar?

28.05.09

 

 

 

 

 

 

O que se passa no seio da avaliação do desempenho dos professores é muito grave. Vai deixar marcas profundas e exigir uma aturada atenção ao modo como se vai caminhar. 

Há ideias que já são debatidas desde o século passado e de que se conhecem algumas evidências. Michael Fullan e Andy Hargreaves afirmam a certa altura, no seu livro «Por que é que vale a pena lutar?», Editado em 2001, pela Porto Editora, o seguinte:

 

«A imposição de esquemas punitivos de avaliação a todos é como utilizar uma marreta para esmagar uma noz. Tal imposição reduz a “avaliação” ao mínimo denominador comum. Os esquemas de avaliação que implicam 100% do pessoal docente, tendo em vista detectar uma pequena percentagem de incompetentes, constituem uma perda de tempo considerável. Ironicamente, a ansiedade que provocam também pode desincentivar a excelência de muitos que se tornam relutantes em correr riscos, devido ao receio da punição.»

 

O nivelamento por baixo consegue sempre o mesmo resultado: exaurir gradativamente o nível organizacional até se instalar um clima de tal modo insuportável que asfixia e impede a sobrevivência da maioria das práticas capazes de elevar os padrões para lá do existente.

campeões da sala de aula

28.05.09

 

O blogue do Paulo Guinote tem, aqui e aqui, duas entradas a propósito de um estudo que a revista "Visão" publica sobre a opinião que os portugueses têm dos professores. E se estava com dúvidas sobre o estado da chamada opinião pública no que se refere à luta dos professores, e isso vale o que vale, leia o estudo e tire as suas conclusões. Todavia, e numa primeira e apressada leitura, não me agrada muito que se meta nos mesmo saco da sondagem uma comparação entre professores e alunos.

 

 

"Depois de um ano de contestação política, os professores e o seu trabalho continuam a ser bem-vistos pelos portugueses. À porta de mais um protesto de docentes a sondagem VISAO/SIC/Gfk METRIS/CESNOVA revela que os profissionais de ensino são do melhor que há na Educação, ao contrário de políticos e alunos" pode ler-se no interior da revista.

acerca da liberdade

28.05.09

 

 

 

 

 

 

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento."

 

 

 

John Stuart Mill, Sobre a Liberdade.

almodóvar

28.05.09

 

 

O cineasta Pedro Almodóvar apresenta um novo filme. Fico curioso, muito curioso mesmo, confesso.

 

 

Almodóvar e Bellocchio relembram traumas do regime com drama e comédia

 

 

"Carlos Helí de Almeida, Jornal do Brasil

CANNES - Se há algo em comum entre o melodrama Los abrazos rotos, de Pedro Almodóvar, e o drama de época Vincere, de Marco Bellocchio, os dois filmes exibidos na competição da 62ª edição do Festival de Cannes, é o seu subtexto político – menos evidente no primeiro do que no segundo. No filme de Almodóvar, o primeiro do diretor desde Volver (2006), que saiu de Cannes com os prêmios de Roteiro e pelo conjunto de interpretações femininas, fala sobre um cineasta cego obrigado a confrontar-se com as memórias de amor do passado. Bellocchio debruça-se sobre a tragédia de Ida Dalser, a esposa secreta do ditador Benedito Mussolini, que morreu tentando legitimidade do casamento com Il Duce e a paternidade do filho que teve com ele.(...)"

 

 

Pode clicar num vídeo com um trailer disponível na rede.